Dia dos Pais, Ubatuba e Projeto Tamar

E aí que decidi deixar um pouquinho esse negócio que chamamos de orgulho de lado e fomos, Luzinha – que o pai está no nordeste – e eu, para Ubatuba, passar o Dia dos Pais em companhia dos meus irmãos com o velho.

Segunda vez que ia para Ubatuba, e não lembrava de como tinha sido a primeira. E olha que havia ido já na época de lembrar das coisas, mas isso não vem ao caso.


Família reunida: Daniel, Rafael, Lú e eu

Segundo a Wikipédia, se estiver correta, Ubatuba é a última cidade do litoral de SP, fazendo divisa com Paraty, já no Estado do Rio de Janeiro. Em tupi, seu nome significa “abundância de cana silvestre” (epa!), “bosque de cana silvestre” (opa!) ou, ainda, “muitas canoas”, que é o mais aceito pela galera (por que será, né).

Resumindo, bem a cara do meu pai ir para um lugar que é conhecido pelo excesso de cana (piada interna =P).

Enfim, fomos na sexta à noite, encarando 4 horas de viagem de ônibus. Já tive a época de gostar muito de viajar assim, mas obviamente, Luzinha e eu, capotamos ao som do Ipod, só acordando em Caraguá porque o modafoca do motorista não tinha nada de melhor para fazer e resolveu acordar todo mundo para falar que tínhamos 10 minutos de parada. Orra, se estávamos a aproximadamente 1 hora do destino final e a maior parte já havia passado, toca o bonde, já tá no embalo mesmo.


Sim, interagi com a fauna local.

Enfim, chegamos ao nosso destino final e, mesmo à noite, Ubatuba me pareceu uma cidade daquelas paradas no tempo, onde a população curte ver a vida passar devagar, sem desespero, pressa ou preocupações com a vida mundana.

Invejei isso um pouco.

Meu pai nos pegou na rodoviária , onde achávamos que ainda teríamos mais um trecho a fazer com bicicleta, tamanho o número de magrelas encostadas no terminal. Mas, para nossa sorte, tocamos de Eco mesmo.


O tempo não passa…

No caminho tivemos contato com a minha “madrasta” que é até legal, mas que possui uma voz que irrita o mais calmo dos seres humanos, mas acostumamos, ou tentamos. Legal foi ver alguns pontos da cidade, sem nada, ninguém, apenas a escuridão e o barulho do mar nas praias.

Até que fomos surpreendidos novamente. O nome do lugar onde meu pai está vivendo é Perequê também. Isso que chamamos de memória afetiva e saudade.

Comemos e capotamos na cama, com o intuito de acordar cedo no sábado e aproveitar bem o dia, o que obviamente não aconteceu, já que o cansaço, como sempre ocorre, bateu forte. Só foi o tempo de comer algo e já ir buscar meus irmãos que, para variar, se atrasaram porque pegaram um ônibus dos mais requenguelas possíveis. Enquanto não chegavam, achei uma lan house onde tentei usufruir da rede local para mandar umas mensagens. Só computadores modernos com monitores de tubos e, aparentemente, Itautecs.

Lotado! Não deu para usar nada.

Enfim, os irmãos chegaram e fomos atrás de coisas para comprar para o almoço. Como acharam a gente com cara de turista, enfiaram a faca no preço do peixe e acabamos optando pelo bom e velho churrasco mesmo.

Honrando as tradições da cidade e o apelido de Ubachuva, uma garoa começou a cair e ficamos a tarde jogando Wii ou dormindo. À noite, já com o tempo estabilizado – sem chuva – decidimos sair, com um pouco de protestos da tia madrasta.

Bem, como toda cidade litorânea que vive disso, os jovens e povo da orla da praia lembravam os galerosos citados pelo Jornal Maskate, que se locomovem por meio de magrelas para cima e para baixo. À parte disso, respeito cidades que o principal meio de transporte é a bicicleta, dá um ar de nostalgia à coisa, apesar de Ubatuba ser enorme e a galera ser obrigada a depender de transporte público dos mais safados que existem, tipo ônibus a cada dois dias.

A noite de Ubatuba é bem interessante, não teve aquele ar guarujaense onde meia-noite todo mundo some, só sobrando aquela galera atormentada pelo Satã à procura de altas confusões. Todos os barzinhos tinham seu charme e havia um estilo para cada um: funkeiros, surfistas, turistas, pizza, para gente sossegada, o que imaginar tinha lá.


Luzinha encantada com o pequeno nativo da região

Acabamos indo para um bar de espetinhos com música ao vivo. Não saciei minha vontade de Chopp Escuro da Brahma, mas me acabei na Serra Malte. Noite agradável em família.

Projeto Tamar

Já domingo, acordamos bem cedo e fomos para um passeio para lá de interessante e especial. Fomos conhecer o Projeto Tamar de Ubatuba.

Confesso que não fiquei tão empolgado de sair para ver tartarugas, mas quando entrei no local – que cobra R$7,00 para gente de fora e é gratuito para os moradores da cidade – fiquei impressionado com o que vi.


Sério, isso é muito legal.

No meu Flickr há fotos e mais fotos do passeio e curti ver o que fazem por esses animais fantásticos que são as tartarugas. Os monitores do projeto são bem atenciosos e as informações disponíveis ao público, tanto em português, quanto inglês, são bem ricas em detalhes, mostrando tudo sobre o hábito, alimentação, predadores, perigos e o que mais você pode imaginar das tartarugas. Só senti a falta da Tartaruga gigante, mas pelo que explicaram, nem poderia ter lá por causa da falta de estrutura para abrigar por conta do tamanho dela.

Há também um Museu do Caiçara, com histórias e objetos para lá de interessantes.


História das melhores no museu.

Enfim, encerramos na lojinha do lugar, que achei demasiadamente caro, e no Café, onde tomamos um espresso e enchemos o caco de Tortuguitas.

Segue abaixo um resuminho do que é o Projeto, retirado do site do Tamar:

“O Projeto Tamar-ICMBio foi criado em 1980, pelo antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal-IBDF, que mais tarde se transformou no Ibama-Instituto Brasileiro de Meio Ambiente. Hoje, é reconhecido internacionalmente como uma das mais bem sucedidas experiências de conservação marinha e serve de modelo para outros países, sobretudo porque envolve as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho sócio-ambiental.


Luzinha ao lado da maior tartaruga dos mares brasileiros.

Pesquisa, conservação e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção, é a principal missão do Tamar, que protege cerca de 1.100km de praias, através de 23 bases mantidas em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso desses animais, no litoral e ilhas oceânicas, em nove Estados brasileiros.


Duas espécies em uma, Pente e Cabeçuda

O nome Tamar foi criado a partir da combinação das sílabas iniciais das palavras tartaruga marinha, abreviação que se tornou necessária, na prática, por conta do espaço restrito para as inscrições nas pequenas placas de metal utilizadas na identificação das tartarugas marcadas para diversos estudos.”

Bem legal, né.

Quando saímos do Tamar, resolvemos dar umas voltas pelas praias de Ubatuba, no caminho deu um certo desespero porque achamos que perdemos as fotos, recuperadas dias depois, como não tiramos mais nenhuma, acabamos dependentes da câmera da mulher do meu pai, que fotografou o final do passeio no farol, onde vimos várias tartarugas em alto mar. Apaixonante e para lá de legal ver isso ao vivo.

Voltamos para casa do meu pai, arrumamos as coisas e fomos embora, com a promessa certeira de voltar logo, talvez em um desses feriados prolongados. Chato foi o motorista tagarelando a viagem inteira. Principalmente que fomos obrigados a fazer uma baldeação em São José dos Campos, por causa da nossa amiga que conhece tudo.


Eu me comparando com o tamanho das tartarugas marinhas brasileiras.

Tirando isso, foi um passeio bem legal. Ubatuba me deu a vontade de morar lá, quando já estiver despreocupado da vida e com vontade de ver o tempo passar mais devagar, curtindo as pequenas coisas da vida ao lado de Luzinha, ouvindo o barulho do mar e vendo as danças das tartarugas.

Mais fotos no meu Flickr.