Sonho realizado

Um dos meus grandes sonhos de infância, adolescência e adulto sempre foi assistir, in loco, um Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1. Quando pequeno, meus pais, sempre que visitavam minha bisavó que morava em Interlagos, falavam que me levariam, principalmente quando passávamos em frente ao autódromo, ainda mais em dia de corrida.

Obviamente, nunca me levaram.

O Incrível Hulk, pole pela primeira vez

Durante a adolescência, e até pouco tempo atrás, todo ano combinava com amigos de que, no ano seguinte, iríamos presenciar a corrida nas arquibancadas do José Carlos Pace.

Infelizmente, por problemas financeiros, agendas e compromissos, também nunca conseguimos.

Hoje foi diferente.

Alonso, o único que pode ser campeão aqui

Na manhã deste sábado, às 5 da madrugada, acordamos, Lucilene e eu, arrumamos nossa mochila, tomamos um café marromeno e partimos para realizar um sonho, que vinha lá de menino. De um menino que sempre foi apaixonado por automobilismo, em especial a essa Fórmula 1, que apesar de não ser a mesma que esse menino aprendeu a gostar, ainda é especial para ele.

Molhado, cansado e incrivelmente feliz

Quis o destino que esse menino, hoje homem, realizasse esse sonho com o grande amor de sua vida, amiga e companheira em todos os momentos, perrengues e aventuras. Mulher com a qual passará os momentos eternos enquanto dure os seus destinos.

Voltando ao sonho, como tudo que acontece no Brasil, pagamos caro, encaramos desconforto, chuva direta na cuca, desrespeito, frio e bagunça para sair. Vimos o quanto é caro tentar levar uma lembrancinha para casa – desistimos, $50 por uma caneca ou $120 por um boné é demais para nós – e tivemos que ter paciência com gente que quer acordar tarde e sentar na janelinha. Pensamos se tudo isso valia a pena.

Lotado, mas como tinha gente folgada nesse meio

Vimos que valia.

Bastou o primeiro carro de F1 ir à pista, o barulho de 120 decibéis rasgando a reta, o cheiro de gasolina e “pastilha” de freio queimados, os estouros da redução de rotação do motor, para as lágrimas se misturarem às gotas de chuvas, e aquela empolgação de garoto voltar. Aquele homem formado voltar a ser a criança que falava que Piquet era melhor que Senna para seus pais e, depois, ver que o cara realmente era o melhor de todos, mesmo hoje, conhecendo a história, voltando a achar que Piquet realmente foi melhor que Senna.

Razão pela zona do dia, tanto no público quanto na pista

O resultado do treino, quis o destino, acabou sendo surpreendente, assim como a presença daquelas duas figuras molhadas no meio de milhares de figuras molhadas. Nico Hullkenberg fez sua primeira pole na carreira, com uma Williams depois de anos e com um motor Cosworth depois de mais anos ainda. Dos que concorrem ao título, Vettel em segundo, Webber em terceiro, Hamilton em quarto e Alonso em quinto, devem fazer uma corrida emocionante e ainda mais inesquecível.

Mesmo com nenhum brasileiro indo bem, mesmo não tendo Piquet, Senna, Prost, Mansell, Berger, entre outros com quem aquele menino aprendeu a ver e gostar de corridas ali, seu sonho finalmente estava sendo realizado.

Juntos em tudo: roubadas, coisas incríveis ou numa mistura dos dois

E amanhã ele estará completo.