Ano XXIX

E já se foram 28 anos, entrando no ano 29 (sim, vou misturar cardinais com romanos e bagunçar tudo).

Antes de escrever este texto, resolvi dar uma olhada no que escrevi quando completei 28 anos. E quanta diferença.

Por incrível que pareça, praticamente cumpri a meta que queria naquele ano. Vi vários shows (mentira, só dois: Metallica e Bon Jovi), andei de kart (melhorando meu estilo de pilotagem, mas sempre me fodendo na pista), vi vários jogos do São Paulo in loco, infelizmente perdendo a semi da Libertadores, e, acho que o melhor e mais desejado de toda a minha vida, vi a Fórmula 1 no autódromo de Interlagos. E, tirando o show do Metallica, que eu vi com meu irmão caçula, fiz tudo isso com a minha companheira de toda a vida: Lucilene.

É engraçado, durante esse ano XXVIII, posso dizer que amadureci mais, não tenho ainda o emprego dos meus sonhos e nem o salário que gostaria – Mega Sena, vem ni mim – mas gosto do que faço e, se não era aquilo que eu desejava quando me formei lá no final de 2003, é algo que me dá prazer em fazer e ir me aprimorando, para sempre fazer melhor. Se já teve gente que falou que sou um jornalista fracassado, não ligo de ser, ainda mais depois que eu descobri o teto do salário dos jornalistas do jornal A Tribuna, o principal da região da Baixada Santista.

Aliás, chega a ser engraçado, minha profissão de formação virou um hobby, onde me divirto, e muito, escrevendo para o Baconfrito e participando dos podcasts e também escrevendo para o Visitantes FC.

Outra coisa legal nesses 12 meses que se passaram, foi o fato de finalmente focar em um objetivo concreto, deixando de lado a falta de foco. Era período que eu decidia mudar de área, fazer concurso público, estudar idiomas, fazer pós, enfim, uma porrada de coisas que, no final, só me fazia jogar dinheiro fora, não mirar em nada e não fazer nada direito. Apesar das dificuldades, decidimos, Lu e eu, focar em algo grande e que, com certeza, mudará nossas vidas para sempre.

Quanto aos meus amigos, foi um ano interessante, conheci, mais uma vez, muita gente legal, que espero que nunca perca contato, me livrei de pessoas que só traziam atraso de vida, principalmente as que tinham aquele discursinho “não gosto de gente medíocre”, sendo de marca e espécie maior. Também me reaproximei de amigos antigos e de longa data, mostrando que apesar do tempo e distância, continuamos os mesmos, rindo das mesmas besteiras e piadas do tempo de escola.

Por último, durante esse ano, tomei a decisão mais legal da minha vida, que foi oficializar a união com a Lu e casarmos na igreja. E a data está perto, praticamente daqui a duas semanas, logo, nem dá para celebrar e festejar tanto assim os meus 29 anos, já que terei coisa mais legal para comemorar.

Completar 29 anos é uma coisa estranha pelo fato de ser o último ano dos “20”, por mais que esteja na vida adulta desde os 18 anos, enquanto estamos nos “20” temos aquela sensação de adolescente ainda, de imaginar ter gás para balada e de que ainda podemos tudo, sem consequências. Apesar de não ser mais assim, é uma sensação legal. Mas, ano que vem, chegam os “30” e, nesse caso, não há mais como dizer “tenho meus 20 e poucos anos” e evitar a terrível sensação de “já sou trintão”.

Pura bobagem, eu sei, mas ainda acho que tenho a jovialidade e alegria dos meus 15 anos, e isso ninguém mudará.