Lu Bonilha

A primeira mulher que gostei, fora a minha mãe, foi a professora do prézinho, acho que era Marisa o nome dela, sim, Marisa. Pode-se dizer que, com 3, 4 ou 5 anos, nossa paixão é invariavelmente a professora que nos passa as atividades lúdicas e nos diverte. Afinal, aquelas chatinhas, as tais meninas, só serviam para encher o saco, chorar e torrar nossa paciência. Nunca que casaria com elas, só com aquela professora linda e maravilhosa que me dava atenção e cuidava de mim quando a mãe não estava por perto.

Acho que o fato de descobrir que a professora era casada, já perto de se despedir da escolinha (e depois de São José dos Campos), e ainda que ela tinha filho e, pior, que eu havia apanhado dele uma vez, pode ser considerado o primeiro fora que tomei na vida. “Como assim casada? E aquela visita e aquele abraço gostoso que ela me deu nas férias, indo me visitar em casa? E o presente que ela levou em casa quando fiquei doente e me contou uma história?

É amigos, frustrações são inesquecíveis, principalmente a primeira.

Logo, um dos meus melhores amigos na época, que também era meu primo, resolvemos disputar nossa prima, que era uns, sei lá, 20 anos mais velha. Nós, pirralhos bem resolvidos de 6 que éramos e conscientes de que o outro não era digno daquela linda loira de cabelos encaracolados a la anos 80 (e eram os anos 80) travamos uma terrível guerra para ver quem ficava com ela, quem dormia na casa dela, e quem se escondia embaixo da cama, enquanto ela se trocava e era descoberto, na casa dela.

Foi uma guerra ingrata, apesar de perdemos para um yuppie com cara de nerd e jeito bobo na época, e culparmos um ao outro por tal descalabro. Rompemos relações diplomáticas e só voltamos a nos falar na semana seguinte. Uma eternidade para os padrões infantis da época, sem internet e telefone.

Minha família foi embora de São José dos Campos e, após uma breve estada em Santos e São Vicente, fomos para Santo André.

Lá, na primeira ou segunda série, me apaixonei por uma menina de outra sala, chamada Michelle. Era linda! Olhos e cabelos castanhos, jeito angelical, enfim, linda! Era tão besta, que eu a acompanhava de longe e esperava ela entrar em casa para seguir o meu caminho. Um dia reparei que ela não ia mais à escola e nunca mais a vi ou tive notícia.

Por algum motivo que eu não sei bem, não lembro de grandes amores na terceira ou quarta série. Havia meninas bonitas, legais, mas nada que fizesse “tocar o sino”. Só queria saber de farra, futebol e brincar. Que é o que interessa nessa idade.

Eis que vamos embora de Santo André e aportamos em Guarujá. Essa linda cidade maravilhosa que tanto amo e curto. (Rá!)

À parte do deslumbre de morar em um lugar com praia (já havia morado, mas nem tinha noção da coisa), durante as férias, não fiz nada de novo, só praia, praia e praia.

Quando começou o ano letivo, logo no primeiro dia, vi aquela que, talvez, tenha mais me tirado o sono na vida. Pelo menos até 2001.

Resumão porque esse texto já tá gigante e histórinhas de amor que não dão certo, só tem graça quando você é pequeno. Me apaixonei por essa menina e fiquei cozinhando durante toda minha vida nesse colégio. Mesmo quando desisti, e quis o destino que ela caísse na minha sala DUAS vezes, quando a encontrei novamente, dessa vez trabalhando no local que ela frequentava, aí amigos, fiquei de quatro.

É fato que até as tartarugas que não existem no Tortuga sabiam da história. Um amigo chegou a falar que “desistiu dela”, sem conhecer, de tanto que era o meu lenga-lenga no assunto. Fato que meio que fui feito de gato e sapato, ouvindo coisas de ex e atuais e sendo o “amigo gay”, da história. Reconheço que a culpa foi toda minha, já que nesses CINCO fucking anos, nunca cheguei nela e disse o que sentia. Enfim, cabaço total, segundo o jargão popular.

Mais uma vez entro naquele limbo de não morrer de amores por ninguém. Saía, dava uns beijos, não comia ninguém, mas me divertia muito com os amigos que até hoje mantenho contato do colegial. Foram dois anos que até tinha algum interesse em alguém, mas por algo que dava errado, ou porque não era para ser, logo voltava à bagunça.

Quando entrei na faculdade de jornalismo, logo visualizei aquelas mentiras contadas nos filmes americanos, achando que finalmente perderia a dita virgindade e que a vida só seria festas, sexo, bebida, sexo, mulheres, sexo, bagunça, sexo, enfim, sexo!

Muita frustração ao notar que tinha que estudar que nem um FDP e que a galera, tirando um ou outro, era uma continuação do ensino médio, só que com pessoas mais chatas e sem espírito de farra.

Nesse ano, cheguei a gostar de uma loirinha, onde revivi a disputa com um amigo, vizinho de bairro. Ele ganhou, digamos assim, mas quando fomos visitá-la em SP, os dois tomaram no toba e ficaram a ver navios preteridos por um Morcego (apelido do cara, sente o drama). Algumas meninas chegaram a mostrar interesse em minha pessoa, durante essa fase, mas eu era otário e abria mão porque alguns amigos gostavam de tal garota. Resultado, a mina ficava fula porque não queria ficar com o mané, e ficava fula em dobro porque o mané que ela queria falava para ficar com o outro mané.

Fui burro para carai nessa época.

No segundo ano da faculdade, comecei o ano bem, indo para um memorável carnaval em Cananeia e com esperanças das grandes putarias prometidas para mim pelos American Pies da vida.

Óbvio que isso não ocorreu.

Em 11 de abril de 2001, dia de prova de Filosofia, e aniversário de uma amiga, eis que ela aparece na faculdade. Já tínhamos nos “visto”, assim, entre aspas, porque fiz uma piada idiota com ela, tirando os óculos e falando que “ninguém ficava comigo, que ficar? Tenho olhos verdes” (se tiver errado, ela aparece e corrige), óbvio que não vi muito bem a beleza que estava diante dos meus olhos verdes.

Bem, no dia 11 de abril, ela apareceu, para esperar a amiga que fazia aniversário naquele dia. Como eu saí mais cedo por causa da prova, começamos a conversar. Conhecendo as pestes de amigos que tinha, levei ela para fora da faculdade e comecei a falar, mas tipo, falar muito.

Um adendo, uma das observações da minha tenra e grande infância e adolescência, era o fato de perder mulheres por falar demais. E, sim, no sentido literal da palavra.

Voltando, quando finalmente tomei coragem, após umas 12 horas (ou 18, não lembro) de conversa, a beijei.

Não preciso dizer que amigos viram e fizeram uma bagunça nada, comigo e ela não sabendo onde enfiar a cara e todo mundo me zoando, dizendo que eu tinha deixado de ser BV. É, minha fama na faculdade, nesse assunto, não era das melhores.

Após esse beijo, saímos mais vezes, outros beijos aconteceram e, em 5 de maio de 2001, a pedi em namoro.

Mesmo com várias brigas, várias noites de sono perdidas (sim, foi com ela que perdi mais noites de sono na vida, aliás, ainda perco de vez em quando), amanhã, 9 de abril de 2011, dois dias antes de completarmos 10 anos juntos, nos casaremos no civil e ela carregará meu nome. A coisa mais preciosa que tenho nessa vida.

Amanhã, Lucilene, também conhecida como Luzinha, Lu, Lulu, Luca, Luluzinha, Luci, amor da minha vida e a mulher mais incrível que já conheci, terá meu oficialmente meu nome:

Lucilene Batista da Silva Bonilha.

Te amo Lu, e obrigado por me fazer o homem mais feliz do mundo nos últimos 10 anos. E espero que faça por toda eternidade.