O ano de 2011

Se teve algo que fiz muito esse ano foi escrever no último dia do mês. Aliás, se teve algo que NÃO fiz muito em 2011 foi escrever.

Acho que 2011 foi o ano que, infelizmente, me afastou do jornalismo. Por mais que eu participe do Visitantes FC ou escreva, mal e porcamente, por aqui. Até emprego na área eu recusei.

Não há dúvida que meu grande momento de 2011 – aliás, da minha vida – foi meu casamento com Lucilene. Depois disso, só foi pagar a conta da brincadeira.

2011 ficará marcado também por perdas que me abalaram de alguma maneira, caso do meu tio – que nem tive coragem de escrever sobre – e do Alê Rocha, que apesar de não ser próximo pessoalmente, conversava todo dia no twitter e acompanhava sua luta diária na torcida para tudo dar certo.

Foi um ano engraçado no que se refere a lazer. Primeira vez em anos que não fui em nenhum dia ao cinema, não fui a nenhum show e não fui ver o São Paulo jogar. Só vi um jogo da Lusa e só. Aliás, foi melhor que fiz do que arriscar a ver um jogo do tricolor e não passar raiva.

No primeiro semestre arrisquei a fazer francês e fui obrigado a parar por falta de verba. Nisso, tenho francês, espanhol e inglês agora. Tudo no nível básico.

É, 2011, tirando meu casamento, foi chato. Não deu para fazer nada, seja por preguiça ou dureza. Para 2012, acredito que será diferente, ainda mais sendo o ano 30.

Mas isso é assunto para outro post.

Feliz Ano Novo aos 2 ou 3 leitores que sobraram.

Alê Rocha

Passei a manhã toda pensando se escreveria esse texto ou não neste blog relegado ao esquecimento pela minha pessoa. Levei em consideração que deu a vontade de escrever e – como ela anda rara – não podia desperdiçar, ainda mais falando do cara que era o Alê Rocha

Conheci o Alê no dia do evento de lançamento do livro dele. Quando ele chegou, de cadeira de rodas, até me assustei, preocupado se era para ele estar lá, mas no rápido bate-papo que tivemos, entendi o porquê daquele cara ser um exemplo de vida, de luta e de enfrentamento a algo que muitos – e muitos mesmo – só esperariam pelo dito destino selado.

Sempre rindo, simpático, atencioso com todos que estavam ali, enfim, em nada remetia ao cara que estava numa cadeira de rodas e lutando contra uma doença bem da filhadaputa e que ele brigava todo dia, sem temor algum.

Falei pouco com ele nos mensageiros instantâneos e muito no twitter, sendo que acompanhava seus textos desde 2006 ou 2007 e, só nesse período, fiquei sabendo da sua doença.

Não me alongando sobre o que era, sintomas, como prevenir (tem como?) etc, a hipertensão pulmonar, só posso dizer que o Alê brigou com tudo que tinha e mais um pouco para viver, principalmente quando viu que, para sobreviver, era necessário fazer o transplante de pulmão, algo para lá de arriscado, ainda mais quando se tem a triste notícia de que todo mundo que fez esse transplante não resistiu.

E o Alê não se abateu com as estatísticas, encarou a longa fila, descaso do poder público para receber os remédios, crises e, quando finalmente chegou a hora, do transplante, com todos os riscos envolvidos, mandou essa mensagem no twitter:

Nem parece mensagem de alguém que ia fazer uma operação de extremo risco e que poderia nem contar a história depois.

Infelizmente, após o transplante, aparentemente, correr bem, surgiram algumas complicações e, hoje de madrugada, o Alê não resistiu e finalmente descansou.

É estranho, terminando este texto, estar tomado pelo sentimento de tristeza por alguém que, aparentemente, não era íntimo, só trocando mensagens no twitter e lendo seus textos. Talvez seja algo novo, trazido por esta geração 2.0 onde as amizades reais andam de mãos dadas com as virtuais.

Enfim, deixo aqui como homenagem uma música de uma das bandas preferidas do Alê, postada pelo Rodrigo Borges, no twitter, e uma promessa de tentar reclamar menos (sei, difícil) e curtir a vida cada vez mais, como o Alê fazia…