Férias no Nordeste – Até mais, e obrigado pelos camarões

Enquanto os novos integrantes não estreiam, vamos para a parte final das “Férias no Nordeste”.

Acordamos de madrugada e rumamos para o “ponto”, onde o “Pinga” (de pinga-pinga) já nos esperava para rumarmos para Natal.

O Pinga (sem aspas, vai assim mesmo) é um ônibus intermunicipal a la Itapemirim que sai de Areia Branca e vai para Natal diariamente. São seis horas de viagem, o que já seria cansativo em um ônibus preparado para esse porte, o que não é o caso do Pinga.

Quase isso...

Esse ônibus é o que batizei de “meldeos, é hoje que me fodo”, pois o dito-cujo é de assustar. Bancos com estofamento rasgado, luzes do teto queimadas ou faltando, painel do motorista com falta de botões e instrumentos quebrados, lataria amassada, enfim, negócio era bravo. Para se ter uma ideia, inocente, perguntei do cinto de segurança e o motorista deu risada.

Não podia ficar pior.

Mas ficou.

Apesar de ser seis horas de viagem, o povão que o ônibus pega em cada esquina (daí o apelido “pinga”, pois ele pinga em tudo quanto é canto) viaja em pé. Pior ainda, mandando um foda-se para quem tá sentado, seja lendo, ouvindo música ou dormindo. É mochila batendo na cara, bunda roçando para lá e para cá (e não são bundas roçáveis), corre-corre de crianças. Um inferno.

Tenham medo, muito medo dele.

Uma hora, um FDP que não tirava a mochila de jeito nenhum, ficou batendo com a bolsa na minha cara. Empurrei uma, duas, até que se tocou e foi colocar a mochila na cara da minha “sograsta”, que quase joga ele longe.

Outra hora, uma vadia que deveria estar com carrapato onde estava sentada, resolveu se apoiar no meu banco e ficar conversando com as amigas do banco ao lado. Já puto e quando ia mandar ela à merda, Lu sugeriu que levantasse o banco. Puxei a alavanca e quase ela se estatela no chão.

“Nem para pedir por favor para levantar o banco!”, berrou.

Sério, fiquei sem ação para resposta e comecei a rir junto com a Lu, pois EU que tinha que pedir “por favor” para a bonitona que se apoiava com o rabo na minha cabeça. Saiu xingando e continuamos rindo.

Após seis horas de viagem, Fabrício nos encontrou no meio do caminho e descemos daquela jabiraca ambulante. Só lamentei não ter tirado fotos de dia do amarelão e do painel crítico.

Natal

Preparar, apontar...

Poderia quebrar o post aqui e fazer outro texto, mas como fizemos o que batizei de “Fast Tour” em Natal, vamos até o fim.

Como tínhamos comido uma coxinha de uma parada de estrada que deveria equivaler a uma refeição de dez dias, ocasionando uma azia que não dava mais fome, seguimos para um lugar chamado Barreira do Inferno. Juro que imaginava outra coisa quando chegamos lá, mas era bem legal.

Cadê o Marcos Pontes?

A tal da Barreira é uma Base da Força Aérea estratégica para lançamento de foguetes, pesquisas aeroespaciais, entre outras coisas. Obviamente não fomos para o Centro, mas para um posto turístico com alguns modelos de foguetes, mísseis e um avião Xavante em exposição.

Pá-pum-clic-fotos e rumamos para o maior cajueiro do mundo.

Cajueiro visto de cima.

Estranho ir visitar uma árvore x-men (na real, x-tree) só porque possui uma falha genética e cresce descontroladamente sem parar. Mas, justamente por isso, e pelo fascínio do tal cajueiro ser o único no mundo que tem esse “problema” que torna a visita interessante. Ainda mais quando você descobre que os cajus que ele produz (2,5 toneladas por ano, que os visitantes podem levar para casa) não passam tal falha para frente. Mas já imaginou se isso fosse hereditário? Cajueiro gigante seria praga no país.

Quatro reais, toma um suquinho de caju de degustação, tira fotos, dá um rolê pela árvore, tira fotos, pergunta do moleque que a Regina Casé entrevistou há trocentos anos atrás, tira fotos, descobre que o moleque “fugiu” para São Roque-SP (provavelmente de saco cheio de ouvir e falar de caju), tira fotos, dá uma panorâmica do cajueiro, mais fotos e vamos para a feirinha de artesanato do lugar.

Cajueiro visto de baixo.

Compramos uma porrada de coisas que nem lembro mais o que eram, junto com alguns chaveiros, tomamos água de coco e comemos mais tapioca (viciei), depois vazamos para Parnamirim, almoçar.

Após o almoço (imprimir as passagens e fazer o check-in online, pois já estava batendo o desespero por não achar local para fazer isso) descansamos um pouco.

Naquela parte escura tem um mar.

Quando acordamos, deram a ideia de ir para um shopping ou conhecer uma outra parte da cidade. Com tempo, fomos para uma Feira de Artesanato na Praia dos Artistas. Compramos mais umas tranqueiras, camisas e chaveiros pela metade do preço da feira do cajueiro e fiquei puto. O lugar é legal, mas como já falei em algum lugar que não lembro o link, cidade de praia é tudo igual. Tem a praia, evento a ver com o local e feira de artesanato. Mais nada. Pode ser em Guarujá, Ubatuba, Recife, Natal, Miami… É tudo a mesma merda.

Igual a qualquer feira de qualquer praia que você conhece.

Voltamos para Parnamirim, terminamos de arrumar as malas, comemos tapioca pela última vez e fomos dormir para acordar de madrugada, de novo.

Logo cedo, acordamos, nos arrumamos e Fabrício, Sogrão e Sograsta nos levaram até o aeroporto. Nos despedimos, entramos no avião e voltamos para São Paulo.

Enfim, apesar do final abrupto, gostamos de Areia Branca. Não dá para falar muito de Natal, porque mal ficamos lá. Mas no geral, foram dez dias divertidos. Demos risadas, conhecemos novos amigos, novas culturas, culinária diferente e, o melhor de tudo, fizemos tudo isso junto.

Despedida do avião em SP, já que em Natal estava tudo escuro.

Já estamos pensando em nossa próxima viagem. Não sei quando o Nordeste entrará novamente na lista. Nem sabemos se poderemos ir mais longe, já que os planos desse ano envolvem muita coisa, mas o que interessa é que, um dia, visitaremos Areia Branca de novo.

Orgulho dessa família!

Uma pausa na saga das Férias do Nordeste para falar sobre um fato que me emociona até agora.

Eis que no sábado passado, meu irmão caçula Daniel Junio Bonilha se formou bacharel em Relações Internacionais.

Maior festão no Clube de Regatas Vasco da Gama (de Santos) em que, para variar, toda a família e os amigos mais próximos, bem como suas respectivas namoradas e esposas estiveram presentes.

Rafael, Daniel, Eu e Paulo, um dos amigos-irmãos.

Mais do que outra formatura, festa, cachaça e cerveja à vontade, foi o significado desta cerimônia, pois com a colação de grau de meu irmãozinho mais novo fechamos um ciclo em que os três – Daniel, Rafael e eu – estão formados e tomando os rumos da vida.

“Mas Marcos, tudo isso para falar que vocês três tem ensino superior? Qualquer mané se forma nas Uninoves da vida”.

Isso é verdade, não subestimando quem se forma nas Uninoves da vida. Lembrando que tem muito Zé Buceta, que não manja merda nenhuma, saindo da USP e grandes profissionais saindo das UNIP´s da vida.

Orgulho!

O que quero dizer com a formatura do Daniel é que quem nos conhece, sabe das dificuldades que enfrentamos para alcançarmos esse objetivo. Só quem convive com a gente, tem noção do que foi conseguir (e manter) a bolsa para terminar o curso de jornalismo. Só quem viu, tem ideia do que foi o tombo de perder a bolsa de Engenharia, se levantar, e se formar na FATEC. Só quem ouviu, sabe o que foi o sacrifício trabalhar, estudar e se matar para manter altas notas em Relações Internacionais. É, foi foda.

Crescemos no Perequê, um dos bairros mais pobres de Guarujá, tivemos problemas com distâncias para estudar, fazer trabalhos e se deslocar para ver palestras e seminários. Muitas vezes dormimos em casas de amigos, porque para nós era um martírio depender de transporte público morando tão longe.

Felicidade estampada na cara! E foi assim nas três festas!

Para tirar xerox, comprar livros, pagar viagens, gasolina e passagens, tivemos que ralar muito, já que, mesmo no caso da bolsa e da faculdade sendo gratuita, era difícil conciliar tudo ganhando uma miséria, ou até mesmo nada. Mas sempre tinha um ajudando o outro.

Se conseguimos chegar até onde chegamos foi graças a esse esforço, os amigos, família e, principalmente, nossa mãe, Dona Lúcia Donizeti Rodrigues, que sempre nos apoiou, deu força, incentivou e, principalmente, nos abraçou e nos levantou quando achávamos que não ia dar ou que aquilo não era para gente. Talvez por isso, nas três festas, ela se emocionou e chorou na hora das valsas e colações.

Fim de festa e o copo na mão.

Enfim, batalhamos e conseguimos. Os três filhos, irmãos e, principalmente, amigos, formados e dando orgulho para todos aqueles que confiaram na gente.

Principalmente para Dona Lúcia.

Férias no Nordeste – Areia Branca, a Terra do Sal

Areia Branca é uma cidade para lá de interessante do Rio Grande do Norte. Localizada a 330 km da capital Natal, no interior do estado, e com uma população aproximada de 26 mil pessoas, a cidade faz parte da chamada “Costa Branca”, sendo o único lugar do mundo onde o sertão encontra o mar, na Ponta do Mel. Ah sim, a dita cuja é uma ilha.

Quando o fotógrafo é feliz...

É uma das maiores produtoras de sal do Brasil, tendo o apelido de Terra do Sal, também tem no turismo uma forte renda de economia, principalmente por causa de seu carnaval, que atrai milhares de turistas do nordeste.

E esse foi um dos motivos que fui parar lá.

Antes de ir, meu sogro alertou que fazia 7 meses que não chovia lá, alguns falaram que era exagero, outros confirmaram, outros disseram que era perto de 4 ou 5 meses. Seja como for, era muito tempo sem cair água do céu. Até brinquei no twitter que, se eu chegasse lá e chovesse, aí daria razão aos sarristas que falam que eu atraio chuva.

Praça central da cidade com Nsa Sra dos Navegantes

Foram 5 dias seguidos de chuva, sem contar o dia de Natal, logo que chegamos. Para que não pensem que o Morgan Freeman mandou o dilúvio direto, foram 5 dias calorentos, intercalados com um sol ardido que, do nada, mudava para uma baita chuva. Até frio chegou a fazer.

Obviamente, culparam a mim.

Chupa Gaviões!

Poderes sobremeteorológicos à parte, foi uma estada bem legal lá. A cidade é sossegada e, por conta do carnaval, estava bem movimentada, sem aqueles riscos de cidade grande. Conhecemos as maravilhosas praias do Meio, Upanema (a principal), Ponta do Mel e Baixa Grande. No último dia, saímos da cidade e fomos para Tibau, divisa com o Ceará, onde ficamos na praia do… Ceará. Lá ficava sendo levado pela maré, intercalando Rio Grande do Norte e Ceará, no meu primeiro mergulho interestadual da história. A água das praias é quentinha e o cenário paradisíaco.

Deputado sendo "homenageado".

Esqueci de contar que quando a chuva parou de vez, na primeira noite que saímos para ver os shows das bandas, a cidade simplesmente apagou e tudo ficou na escuridão. Além de arauto das águas do céu, levei às trevas para o norte de RN. De raiva e birra, seguimos mesmo assim para o local dos shows. Mesmo na escuridão, tudo transcorreu normalmente, sem nenhum problema com polícia ou confusão. A energia voltou perto de irmos embora.

Barco passando lentamente pelo Rio Mossoró

Do carnaval de rua, curti o bloco dos seis, em que seis malucos saem todo ano com alguma fantasia bizarra e tocando algo ainda mais bizarro pela cidade (marchinha? Forró? Axé?). Só não saíram quando o pai de um deles ou um deles, sei lá, morreu. Tem também o bloco “A Soma dá mais de 300”, vulgo Soma, que é o mais esperado pela cidade, mas que achei uma bosta, já que não tinha som e nem nada. E tem também o desfile das escolas de samba, que nem vou comentar. Mas é melhor que de SP.

Haja sal a gosto.

Outro lugar curioso que fomos visitar (conhecemos todos os botecos da cidade também, mas não vou me alongar) foi a salina. Imaginem esse saquinho de sal Cisne (que nem é feito lá) do tamanho de um morro gigante? Pois é. Interessante que, por ser feriado, não tinha ninguém na fábrica ou na área que o sal fica “secando”. O vigia que estava lá simplesmente falou “que não podia entrar”, mas que era para entrarmos, “pois ele não viu nada”. Se quiséssemos, poderíamos levar uma pedra de sal de lembrança. Hilário.

É interessante ver que aquele negócio que está ali, a céu aberto, em cima do barro e tudo mais, vai para o seu prato. Claro que é refinado, mas é curioso. Uma coisa que descobrimos, e não curtimos muito, foi que o sal “corta”. Como é um cristal, se não souber pegar e esfregar demais nas mãos, ele corta. E, olha, dói para cacete.

O centro urbano é interessante, pois os bairros são pertos uns dos outros. Distante mesmo, só as praias e as salinas. A comida é boa demais e ainda não acostumei a ficar sem cuscuz, creme de milho, tapioca, pasteizinhos, suco de graviola/cajá-manga/caju e água de coco no café da manhã. Também não me acostumei a ficar sem peixe, camarão, baião de dois, um parente de marisco que esqueci o nome e tudo mais no almoço.

Balsa de travessia entre Areia Branca/Grossos.

Problema foi quando acabou o carnaval, já que a cidade voltou a ser o centro da tranquilidade, não acontecendo nada lá. Se os mais jovens quiserem diversão, que se desloquem pela BR até Mossoró. Ou, no que vi muito lá, saiam de casa para estudar e só voltem no carnaval para visitar os pais e sumir na quarta-feira de cinzas.

Vista da Ponta do Mel

Outro fato interessante é o total desrespeito às leis de trânsito e física, já que eles conseguem colocar mais de duas pessoas em cima de uma moto, ocupando o mesmo espaço. Dentro da cidade, coisas como capacete, setas para virar, respeito ao pedestre, entre outras coisas, não existe.

No último dia, como citado, fomos para a praia do Ceará, onde me esbaldei mergulhando e comendo bem, apesar do rango servido não ser lá grande coisa. Quando chegamos, arrumamos a mala e nos preparamos para acordar de madrugada e conhecer o “Pinga”, ônibus que sai uma vez por dia, às 5 da manhã, com destino à capital, Natal.

Para se inspirar...

Mas esse capítulo do “Pinga” e do último dia em RN, em Natal, deixamos para depois…

Férias no Nordeste – Infinita Highway

Se tem uma coisa que gosto quando viajo é de estrada. Avião, por mais que “nossa, que chique! Viajando de avião… Foi para onde? Ah, Ribeirão Preto? Tá podendo…” você não vê merda nenhuma, pelo contrário. Mas todos te olham com respeito, porque foi de avião.

Estrada não. Indo de carro, você conhece um pouco mais do lugar que você está conhecendo, dos caminhos, do que o Brasil esconde. Enfim, aproveita a viagem por outro ângulo.

Mas, do mesmo jeito que gosto, tenho um cagaço ferrado, já que a quantidade de retardados dirigindo por aí é proporcionalmente igual ao número de veículos circulando por aí. Some-se a isso rodovia de mão dupla, direção irresponsável e caminhões gigantescos com caminhoneiros psicóticos e temos um certo grau de pavor considerável.

Saindo de Parnamirim/Natal, pegamos a BR-101 para sair da cidade e, rapidinho, entramos na BR-304 onde tudo aquilo que vemos em filmes, quando retratam o sertão nordestino, foi visto. Tudo e mais um pouco.

Nos 300 e lá vai porrada de quilômetros de viagem, nos surpreendemos com a estrada, que estava bem asfaltada e sem buracos. O maior problema no caminho é, sem dúvida, ser mão dupla, ainda mais que o trecho é cheio de relevos e curvas. Os caminhoneiros não aliviam em nada e, pior, até dificultam as ultrapassagens. Se são mais de dois gigantões juntos, a empreitada para ultrapassagem fica praticamente impossível, a não ser que você queira virar parte de um amontoado de ferragens retorcidas.

A paisagem do sertão é composta de caatinga, cerrado e até Mata Atlântica. O que vi de cactos… Aliás, é foda notar as áreas gigantescas que você não tem ideia onde termina e que, para alegria de poucos e tristeza de muitos, possui um único dono. Só queria saber como e porquê alguém é dono de lugares maiores que cidades, mas aí é entrar em outro assunto chato. E de chato já basta eu.

Como vocês me conhecem, obviamente que a viagem não teve sol, mas também não choveu (só em Assu (ou Açu, nem eles sabem), mas aí já era quase no fim do caminho). Era curioso notar os rios e açudes, que eram atravessados pelas pontes, totalmente secos. O nosso guia (que já citei e falei que é amigão do sogrão) explicava cada pedacinho misterioso por onde a gente passava.

As igrejinhas, cidades que talvez não façam ideia da loucura que é SP, as casinhas iguais que dão de cara para a rodovia, as paradas… Olhava tudo aquilo me questionando como seria viver num lugar daquele, como seria a vida do morador de Angicos, Riacho do Prato, Dois Irmãos, Barra da Cruz, entre outras cidadezinhas que são cortadas pela 304.

A tristeza ficava por conta das várias cruzes e santuários que repousam na beira de estrada. Aquilo para mim tem vários significados, seja para lembrar do ente querido que se foi naquele ponto, como para alertar que aquela curva cheia cruzes é perigosa, bem como servir de alerta para relaxar um pouco o pé do acelerador. Apesar das várias cruzes que vimos durante o caminho, felizmente não vimos nenhum acidente. Na Mogi-Bertioga, por exemplo, toda vez que descia para o Guarujá, via alguma merda por ali.

Além da vegetação, cidades, paradas, homenagens e dos caminhoneiros pirados, também era legal ver algumas formações para lá de estranhas na estrada, como uma montanha que o nosso guia jura que é um vulcão adormecido, como algumas pedras empilhadas de tal maneira, que não dá para acreditar que aquilo é coisa da natureza, mas que alguém foi lá e arrumou daquele jeito.

Outra coisa para lá de interessante eram os canos de água e linhas de transmissão margeando a rodovia, bem à mostra. Imagino que aquilo é meio arriscado, afinal, caso algum FDP queira ferrar com uma cidade inteira, ou um acidente feio acertar aquilo, as cidadezinhas estão lascadas. Quando estávamos na BR-110, quase em Areia Branca, chamou a atenção os poços de petróleo em terra seca. Os “cavalinhos”, como o nosso guia chamou os negócios que bombeiam o petróleo, dá um ar meio texano à região. É engraçado, pois imaginava aquele treco gigantesco, mas é menor do que imaginava.

Enfim, apesar do medo dos caminhoneiros, do povo margeando a estrada – bem como jegues, vacas e bodes – e das seis horas de viagem, (pois paramos em algumas cidades para conhecer umas parentes da Lu) achei bem legal encarar uma estrada nesse estilo. Falta a vontade do governo federal para duplicar aquilo, já que espaço não falta, mas dá para dizer que vale a pena optar por este tipo de viagem. Embora o povo de lá não tenha outra opção para ir à capital.

Ah sim e o mais importante, não tem pedágios.

Férias no Nordeste – Prólogo da Chuva

Antes de falar da minha primeira viagem em várias coisas, uma rápida explicação.

Quando casei, muita gente (no caso, meus 4 ou 5 leitores fiéis) ficaram esperando meu post sobre o dia mais feliz da minha vida. Infelizmente, por preguiça ou coisa que o valha, os desapontei e levei alguns meses para falar sobre o assunto, fazendo a galera perder o interesse.

Bem, tentando ser um pouco mais rápido e jogando a preguiça para escanteio, aqui está o post sobre minha primeira viagem para o nordeste sem ser a trabalho, a sós com a Luzinha e, obviamente, depois de casados.

Uma das coisas marcantes dessa viagem é que era a primeira vez que Luzinha voava, como provavelmente ela irá contar essa parte, só registrarei que, apesar de ter voado poucas vezes, (umas 6) nunca que o detector de metais apitou para mim. Lu, logo na primeira, já teve que ficar descalça e responder umas perguntinhas para o pessoal da segurança. Culpa do salto ou sou casado com uma terrorista infiltrada da Al Qaeda? Na dúvida, vou procurar o telefone daqueles caras do SEAL.

Enfim, vamos voar. Apesar de achar que Lu ficaria com medo, até que ela curtiu, ao contrário de minha pessoa, que até hoje não sabe se o avião quicou na água do Santos Dummont. A única coisa pitoresca do voo foi uma moça, que havia trocado de lugar com uma criança, para essa ficar do lado da mãe, que começou a ficar meio mal e revelou para a Lu que quando ficava assim, vomitava e tinha diarreia. Detalhe que a dita era gata e claro que imaginar uma mulher bonita tendo esse colapso ao mesmo tempo não é lá algo muito interessante.

Chegando ao aeroporto de Parnamirim, com o “fuso” ao nosso favor (o voo tem três horas de duração, mas como o nordeste não segue o horário de verão, ganhamos uma hora), fomos recebidos por uma linda e calorosa chuva. O que para os que me conhecem, não é nenhuma novidade.

Além da água que caía do céu, estava lá o sogrão, a mulher dele e o amigo dele, que seria nosso, digamos, motorista particular em grande parte da viagem. Chegando ao bairro do Aeroporto (que é curioso, pois o nome das ruas começa com Aeroporto de ) rapidamente tomamos um banho e fomos logo dormir, para descansar da viagem e da correria que havia sido o dia para viajar.

No dia seguinte – que ora nublava, ora chovia, apesar de abafado – ficamos na casa do amigo do Sogrão, já que havia sido combinado que iríamos na sexta para Areia Branca. Como o tempo estava um porre, ficamos por lá mesmo e comemos um churrasco assado numa churrasqueira em forma de porco. Bem pitoresco. Infelizmente esqueci de tirar foto da dita. Lá também nos foi mostrado um Peba, uma espécie de Tatu lá do nordeste, que o dono da casa tem de “estimação”. Quer dizer, guarda para futuros banquetes. Também tinha a Nina, a poodle da neta do cara que era um sarro.

À noite, resolvemos sair pelas redondezas, indo jantar num Espetinho, antes, resolveram fazer a limpa no coqueiro. Aliás, durante o tempo que fiquei no nordeste, praticamente troquei a água normal pela de coco, tamanha a abundância do dito cujo lá. Sinto abstinência, já.

No dia seguinte, logo de madrugada, saímos para enfrentar a estrada, não antes sem um bom banho gelado, já que chuveiro elétrico lá é artigo excêntrico, mas que para a gente – especialmente pelos meus dons pluviométricos – faz falta.

Mais para frente explico…