O ano de 2011

Se teve algo que fiz muito esse ano foi escrever no último dia do mês. Aliás, se teve algo que NÃO fiz muito em 2011 foi escrever.

Acho que 2011 foi o ano que, infelizmente, me afastou do jornalismo. Por mais que eu participe do Visitantes FC ou escreva, mal e porcamente, por aqui. Até emprego na área eu recusei.

Não há dúvida que meu grande momento de 2011 – aliás, da minha vida – foi meu casamento com Lucilene. Depois disso, só foi pagar a conta da brincadeira.

2011 ficará marcado também por perdas que me abalaram de alguma maneira, caso do meu tio – que nem tive coragem de escrever sobre – e do Alê Rocha, que apesar de não ser próximo pessoalmente, conversava todo dia no twitter e acompanhava sua luta diária na torcida para tudo dar certo.

Foi um ano engraçado no que se refere a lazer. Primeira vez em anos que não fui em nenhum dia ao cinema, não fui a nenhum show e não fui ver o São Paulo jogar. Só vi um jogo da Lusa e só. Aliás, foi melhor que fiz do que arriscar a ver um jogo do tricolor e não passar raiva.

No primeiro semestre arrisquei a fazer francês e fui obrigado a parar por falta de verba. Nisso, tenho francês, espanhol e inglês agora. Tudo no nível básico.

É, 2011, tirando meu casamento, foi chato. Não deu para fazer nada, seja por preguiça ou dureza. Para 2012, acredito que será diferente, ainda mais sendo o ano 30.

Mas isso é assunto para outro post.

Feliz Ano Novo aos 2 ou 3 leitores que sobraram.

Aí que…

Aí que você tem daquelas semanas pé no saco, onde quase tudo dá errado.

Aí que você dá duas caminhadas à toa, uma na terça e outra hoje, porque é burro e não tem senso de direção, se perdendo por nada.

Aí que você tem que aguentar o humor bipolar de uma pessoa que é quase, literalmente, o demônio encarnado, de tão chata e pé no saco que é.

Aí que com trânsito, ar seco, calor, ar poluído, sensação de areia nos olhos, rinite ameaçando atacar e tudo mais, ainda tem o Kassab para atrapalha ainda mais sua vida.

Aí que, mesmo assim, você não vê a hora de chegar em casa, colocar o som no alto, abrir uma cerveja gelada e relaxar.

Aí que, tendo que executar as tarefas de casa, lavar a louça, varrer o chão, limpar o aquário e a casa do hamster, mesmo assim, você faz com gosto e sem reclamar.

Aí que, aquela pessoa que transforma seu dia cheio de cinza numa noite colorida, chega da faculdade meio amoada, mas cheia de vontade de te ver, e tudo aquilo que foi dito acima desaparece num passe de mágica.

Aí que após as melhores conversas da noite, os melhores momentos e a melhor companhia, os dois vão dormir.

Aí que começa tudo de novo!

Sim, essa bodega tá praticamente mensal.

Manhã zicada

Acordei 6 da manhã e a recomendação era clara: Para fazer o exame, a bexiga tem que estar cheia. O exame era às 8 horas e achei que até lá, dava para segurar.

Sem problemas, me arrumei, tomei café e, claro, me atrasei. Para variar, culpa da Carla Vilhena e do casal Renato.

Arrisquei e resolvi ver se um amigo que trabalha na mesma região que eu, estava acordado e se já sairia. Ele ainda estava se arrumando, mas como iria de carro e para o mesmo lado, esperei. Saímos faltando 10 para as 8 e, certeza, daria tempo.

Oito em ponto! Para variar, confiei no Google Maps e, quando chegou no viaduto que o dito cujo apontava, pedi para o meu amigo parar em plena 23 de Maio, com maior galera buzinando e ele desesperado, e fui atrás da Avenida Indianópolis.

Mais uma vez me lasquei com o “navegador” da Skynet.

Pergunta dali e pergunta daqui, subi uma rua e, 10 minutos depois, achei a dita cuja. Tinha que ir para o número 922, olho na placa e… 210!

Xingando o mundo e apertado para caramba, subo a avenida popular dos velhos cheios de grana em busca de “diversão alternativa” e, após uma caminhada em ritmo de trote, chego ao meu destino. Visualizei até a voz daqueles GPS na minha cabeça.

8:40.

Pego a senha, me encaminho à recepção e nem dá tempo de sentar, pois já me chamam. Como estava concentrado em mentalizar qualquer outro ponto que não lembrasse água ou necessidades fisiológicas, já que qualquer queda na concentração e teríamos um “golden tsunami paulista”, não percebi que a mocinha pedia a documentação necessária para o exame.

Entrego tudo, digita dali, digita daqui, ela levanta, vai até uma sala e volta falando que não pode me atender. Quase perco a concentração.

Após explicar que é porque cheguei com meia hora de atraso e o doutor não poderia fazer o exame, peço para remarcar. Ela diz que não tem acesso ao sistema (sempre ele) e que eu teria que ligar para fazer o novo agendamento. Amo muito essas dificuldades idiotas.

Agradeço, vou saindo e… “Onde é o banheiro, por favor?”.

5 minutos depois vou para a rua, para a segunda parte da manhã zicada.

Conhecendo a Zona Sul

Logo que saio da clínica, vejo a 23 de Maio/Rubem Berta na esquina. O viaduto tem outro nome e, para variar, o Google me sacaneou colocando o nome do viaduto anterior. Ou seja, teria chegado no horário se não fosse esse contratempo.

Vou até uma banca de jornais e pergunto como faço para chegar em Santo Amaro. O velhinho manda eu descer a marginal e depois descer uma escadinha que, se alguém perder o equilíbrio, morre atropelado na 23. Ao chegar num ponto que se um pombo pousar, certeza que ele – o ponto – cai, fico meio receoso por só ver carros por tudo quanto é lado e nenhuma alma pedestre ou passageira por ali.

Para quem não conhece, SP tem uma divisão de cores para cada região, onde cada ônibus que vai para determinada região tem sua cor características, para onde eu ia, teoricamente serviria qualquer ônibus vinho. 10 ônibus azuis depois e já me desesperando por achar que o velho me sacaneou, surge um ônibus vinho com destino para o Terminal Guarapiranga e resolvo pegar esse mesmo.

Nem preciso dizer que conheci a Zona Sul inteira praticamente. Mais um pouco e ia parar na zona rural de Parelheiros ou, quem sabe, nas praias de Itanhaém. Fato que o pior foi passar apenas um ponto do que seria ideal de chegar o mais perto de onde trabalho e atravessar o Rio Pinheiros para o outro lado da cidade.

Mais atrasado do que nunca, peguei outro ônibus para o Terminal Santo Amaro e, chegando lá, mais um com destino ao Credicard Hall. Caí no conto do “vai sair jájá” e mais 10 minutos esperando.

Cheguei atrasadíssimo no trabalho (pior, depois do demônio), já apertado de novo e putíssimo. Segunda coisa que fiz foi ligar lá na clínica para agendar um novo horário.

Marcado para sexta, às 8:30, chegarei bem cedo e ai desse médico filhodaputa se não me atender na hora.

Darei 15 minutos de tolerância.

O Dia mais Feliz da minha Vida – Durante

Dei meu braço à minha mãe e jurei que não choraria, mais para meu irmão não levar os R$10,00 apostados com meu outro irmão, do que para manter a pose austera.

Falhei miseravelmente.

Conforme os acordes da música foram se iniciando, e a música Tudo que se quer entrando em meus ouvidos, junto com a imagem daqueles que, certeza absoluta, ajudaram a escrever a história da minha vida, rapidamente comecei a sentir aquele nó na garganta, a me deixar invadir por aquele momento único, inesquecível e que levarei comigo por toda a minha vida.


Sério, acho que sou proibido de ouvir essa música de novo. É tocar para marejar os olhos

Parei de segurar e deixei a emoção tomar conta de mim. Olhei para o lado, minha mãe chorando também, com aquele orgulho de levar o filho até o altar, entregando seu menino – porque para ela, homem ele não, mas sempre será um menino – para sua futura nora. Não perdendo ele, mas sim, perdoem-me o clichê, ganhando mais uma filha.

As lágrimas escorriam no rosto como a beleza das cataratas do Iguaçu, vendo minha vózinha emocionada, vendo mais um neto se casando, lembrei de meu avô, que tanto faz falta, e chorei mais, sem parar, sem conter, sem segurar o líquido salgado da felicidade.

Ao chegar ao altar, o padre me cumprimentou e brincou com meu choro, pedindo para me acalmar.

Eu soluçava de tamanha emoção e, para conter, fiz até uma respiração ridícula profunda, para recuperar o controle das minhas emoções. Pior que meus olhos já começavam a arder, já que estava com lentes de contato.

Ao me virar, fui vendo cada um dos padrinhos que, por incrível que pareça, representam cada momento da minha vida. Casal por casal, foi chegando, me cumprimentando, rindo da minha cara por causa do choro, tirando sarro da minha cara por isso e, enfim, sendo o que cada um é e que não seria diferente naquele momento tão especial para mim.

E eles foram entrando na ordem:

Lúcio e Jacelma
Eughenio e Daniella
Paulo e Camila
Micheline e Luis
Diego e Amanda
Carlos e Thaís
Vagner e Paula
Beto e Gilmara
Osni e Mari
Eric e Gabi

Todos lindos e maravilhosos!

Aí, quando já estava mais calmo, a porta da igreja se fechou.

Comecei a me soltar um pouco mais ao ouvir meus padrinhos, atrás de mim, conversando enquanto a noiva não entrava.

Meus outros amigos, Alex e Andrea, que não ficaram no altar para me dar de presente as fotos mais lindas que alguém pode fazer, fotografavam e tentavam me acalmar, já que, pelo jeito, parecia que eu estava para ir à forca. Mas só que ao contrário.

Eis que as portas se abrem e minha cunhada começa a cantar a Melodia do Amor, com a voz que deve ser a mais próxima ou melhor que as dos anjos. Instantaneamente vejo os pajens, meus sobrinhos Nathan e Vitória à frente, e a mulher mais linda que já pisou na Terra adentrando a igreja junto com seu pai.

Maravilhosa!

Fantástica!

Linda!

Não há palavras para descrever como Lu estava linda.

Enquanto caminhavam em minha direção, meus olhos jorravam tanta água, eu soluçava tanto, que parecia que teria um treco. Não era possível que aquele momento tão lindo estava acontecendo, não era possível que nós estávamos tendo um sonho em vida real tão maravilhoso como aquele.

Eles chegaram até mim. Abracei meu sogro tão forte que pensei que o quebraria ao meio. Beijei a testa de Lu e disse que ela estava linda. Soluçando.

Nos viramos para o padre e a cerimônia se desenrolou como se não houvesse atraso algum. Sem cortes, sem punições pelos pequenos percalços que tivemos até ali.

Confesso que não lembro ao pé da letra as bonitas palavras que o padre disse. Mas lembro a essência. Foi bacana ele citar meu irmão, Rafael, que tanto lutou para que tivéssemos essa cerimônia maravilhosa.

Já mais calmo, quase esmagando a mão da Lu, quando nos ajoelhamos, foi a vez de fazer todo o salão rir, acabando com o vácuo da cueca boxer que tanto me incomodava.

Durante a benção das alianças, nosso sobrinho estava tão entretido, que nem percebeu quando o padre pediu os anéis dourados. Quando se tocou, fez um “Tá aqui!” tão divertido, que a risada foi geral.

Após assinarmos o livro, fomos cumprimentar todos, mais uma vez, caí num choro, que o lenço que Diego me deu durante a cerimônia, podia ser torcido numa boa. Lenço esse que está comigo até hoje e que guardarei de lembrança.

Com o fim da cerimônia, ao som de “O Tempo não pode apagar” cantado novamente pela Milena, saímos e fui vendo todos ali. Amigos do Perequê, amigos do futebol, amigos jornalistas, amigos da escola, amigos do CAMPG, amigos parentes, parentes (=P), todos aqueles que ajudaram a construir meu caráter e que, de uma forma ou de outra, fazem parte da minha vida. Infelizmente, não foram todos que puderam comparecer, por motivos diversos, mas estavam lá de alguma forma ou de outra.

Ao sair, desta vez sem chorar, infelizmente não foi possível cumprimentar a todos na saída da igreja. Já que havia outro casamento para começar e, como já citado, o nosso atrasou tudo. Saímos com o carro e paramos na esquina da igreja, para ir falando com todo mundo. Depois, o Alex fez mais fotos e rumamos para a festa.

Assunto para conclusão desta história.

O Dia mais Feliz da minha Vida – Antes

Eu sei que o blog está abandonado e que os poucos e valentes três ou quatro leitores esperaram, acho que já sem muitas esperanças, por um texto após o dia 16 de abril.

Sei que as desculpas de computador ruim que desanima a escrever, falta de tempo (ainda mais que estava de férias), procrastinação e, claro, a pura e simples preguiça não são motivos para adiar e… bem, passar mais de um mês e não falar sobre aquele que foi o dia mais feliz (e choroso) da minha vida.

A espera acabou, o dia 16 de abril de 2011 foi aquela data que mostrou que a minha família, todos os meus amigos de coração e até a “sorte” que me acompanha são as coisas mais importantes que tenho na minha vida, complementando com aquela metade que Platão, desde os tempos antigos enchendo o saco em banquetes, diz que procuramos pela vida. E eu me juntei a ela.

Acordando

Não vou comentar sobre a noite anterior ao dia 16, quando dois dos meus melhores amigos, mais o meu irmão, resolveram que eu tinha que ter uma despedida de solteiro – nem que fosse para sair à noite, sozinho, pela última vez – foi divertida, embora tenha faltado as stripers, mas o final, com direito a motos com pneu furado, a busca por uma borracharia no meio da madrugada e a outra moto pifando por falta de gasolina (depois funcionando por milagre) é melhor deixar para lá.

Acordei, na casa da minha sogra, no meio do caos que o dia reservava. Após o café, encasquetaram que eu tinha que fazer as unhas. Fugi, mas mesmo depois de fazer a barba, não tive escolha e fui para o facão do alicate, controlada pela minha amada Lucilene.

Tudo estava indo bem, até alguém perguntar a hora e após o “11:30”, um pedaço do meu dedo ficar no alicate, com um jorro de sangue batendo no teto. Sem condições psicológicas para controlar um alicate, inclusive com um tratado de Haia proibindo tal manejo no Guarujá, Lu encaminhou a missão à minha cunhadinha, que terminou o serviço.

Era hora de correr. Graças ao Carlos, amigo que não tenho como dimensionar a importância na minha vida, fom…

Peraí, tem sim:

“Ultimamente eu venho imaginando o quão especial será a sensação de ver amigos tão únicos para mim finalmente se casando, certamente será algo que por mais que escondam, irá emocionar. Sinto-me muito feliz em acompanhar meu grande amigo assumir seu grande amor, e a minha única amiga de verdade realizar esse grande feito que é celebrar a união com quem ama. Digo sem qualquer cerimônia que vocês, mais do que grandes amigos, são dois grandes exemplos de vida para mim. Ver a força com que enfrentam seus problemas e buscam seus objetivos é motivador, 😉 Felicidades meus amigos.”

É, não tem, quando li isso chorei que nem criança.

Corremos com várias coisinhas, que para variar, sempre aparecem nesses momentos para atrasar, ou para dar mais emoção ao acontecimento. Foi compra de decoração de última hora, aluguel de roupa em cima da hora, detalhes do salão/restaurante… Enfim, um rolo da porra para resolver. Se não fosse o Carlos, não sei como faríamos para correr com isso tudo.

Após o almoço que não tínhamos como comer por causa do nervosismo e adrenalina, deixamos Lu no salão e, faltando umas três horas e meia para a cerimônia, fomos comprar lentes de contato, já que não estava a fim de casar com cara de nerd bobão. Só bobão bastava.

Dei muita sorte nesse quesito, se a médica e vendedora me empurrassem lentes de vidro moído, teria comprado, graças aos céus, não foi o caso.

Voltamos para a casa da sogra e lá encontramos com meu irmão, onde tínhamos pouco mais de duas horas para ir ao Perequê, nos arrumar e voltar ao Centro de Guarujá. Desespero batendo já.

Baixou um piloto de fuga em Daniel e fizemos Conceiçãozinha-Perequê em meia hora. Chegando lá, consegui me arrumar em tempo recorde e, faltando meia hora para o início da cerimônia, entramos – minha mãe, Rafael, Daniel de motorista e eu – no Celtinha e, de novo com o espírito de algum piloto irresponsável (acho que era o Villeneuve, o pai), Daniel voou com o Celtinha pelas ruas de Guarujá.

Cinco horas!

Pressão

Convidados e padrinhos ainda chegando, mal cumprimentei algumas pessoas e a coordenadora da igreja – ou seja lá o que ela faz – já foi me agarrando e colocando no início da fila com a minha mãe.

Estavam faltando dois casais de padrinhos e uma madrinha, minha cunhada que ia cantar durante a cerimônia, os pajens e, coisa de louco, as alianças. A doida da igreja começou a colocar terror e falar que o padre ia cortar parte da cerimônia e que celebrássemos com as alianças de outras pessoas. Terrorismo total.

Chega um casal.

Para ganhar tempo, fui me fazendo de desentendido e perguntando para a outra moça da igreja o que tinha que fazer e como se comportar. Essa, pacientemente, ia me explicando tudo, pela quinta ou sexta vez. A outra estava faltando pouco para fazer a gente entrar debaixo de pontapés. Dados por ela mesma.

Chega uma madrinha.

Logo em seguida, chega o casal que faltava.

Tentei negociar, falando para esperar mais 5 minutos, pacientemente com a melhor educação dada pelas melhores estrebarias da Suíça (valeu Maskate), ela berrou que já estávamos 365 dias atrasados.

Sem ter como argumentar mais, chamei meu irmão para substituir meu sobrinho que já estava substituindo outra pessoa.

Ah sim, esse não veio e perdi o bolão que ainda não paguei.

Como um jogador cheio de vontade, para marcar o gol salvador do time de coração, meu irmão ajeitou o terno, fez o sinal da cruz, deu uma corridinha e…

Chegaram meus sobrinhos e pajens.

Como técnico que muda de ideia, ora porque o time fez um gol, ora porque aquele zagueiro essencial ao esquema foi expulso, meu irmão voltou e perfilamos na fila.

Infelizmente, não foi possível enrolar mais ainda para dar tempo de entrar com minha cunhada cantando – pois estava passando o som – senão a doida arrancava a cabeça de todo mundo da fila e ia usar como enfeites para o casamento seguinte.

Era o início da cerimônia…

Ano XXIX

E já se foram 28 anos, entrando no ano 29 (sim, vou misturar cardinais com romanos e bagunçar tudo).

Antes de escrever este texto, resolvi dar uma olhada no que escrevi quando completei 28 anos. E quanta diferença.

Por incrível que pareça, praticamente cumpri a meta que queria naquele ano. Vi vários shows (mentira, só dois: Metallica e Bon Jovi), andei de kart (melhorando meu estilo de pilotagem, mas sempre me fodendo na pista), vi vários jogos do São Paulo in loco, infelizmente perdendo a semi da Libertadores, e, acho que o melhor e mais desejado de toda a minha vida, vi a Fórmula 1 no autódromo de Interlagos. E, tirando o show do Metallica, que eu vi com meu irmão caçula, fiz tudo isso com a minha companheira de toda a vida: Lucilene.

É engraçado, durante esse ano XXVIII, posso dizer que amadureci mais, não tenho ainda o emprego dos meus sonhos e nem o salário que gostaria – Mega Sena, vem ni mim – mas gosto do que faço e, se não era aquilo que eu desejava quando me formei lá no final de 2003, é algo que me dá prazer em fazer e ir me aprimorando, para sempre fazer melhor. Se já teve gente que falou que sou um jornalista fracassado, não ligo de ser, ainda mais depois que eu descobri o teto do salário dos jornalistas do jornal A Tribuna, o principal da região da Baixada Santista.

Aliás, chega a ser engraçado, minha profissão de formação virou um hobby, onde me divirto, e muito, escrevendo para o Baconfrito e participando dos podcasts e também escrevendo para o Visitantes FC.

Outra coisa legal nesses 12 meses que se passaram, foi o fato de finalmente focar em um objetivo concreto, deixando de lado a falta de foco. Era período que eu decidia mudar de área, fazer concurso público, estudar idiomas, fazer pós, enfim, uma porrada de coisas que, no final, só me fazia jogar dinheiro fora, não mirar em nada e não fazer nada direito. Apesar das dificuldades, decidimos, Lu e eu, focar em algo grande e que, com certeza, mudará nossas vidas para sempre.

Quanto aos meus amigos, foi um ano interessante, conheci, mais uma vez, muita gente legal, que espero que nunca perca contato, me livrei de pessoas que só traziam atraso de vida, principalmente as que tinham aquele discursinho “não gosto de gente medíocre”, sendo de marca e espécie maior. Também me reaproximei de amigos antigos e de longa data, mostrando que apesar do tempo e distância, continuamos os mesmos, rindo das mesmas besteiras e piadas do tempo de escola.

Por último, durante esse ano, tomei a decisão mais legal da minha vida, que foi oficializar a união com a Lu e casarmos na igreja. E a data está perto, praticamente daqui a duas semanas, logo, nem dá para celebrar e festejar tanto assim os meus 29 anos, já que terei coisa mais legal para comemorar.

Completar 29 anos é uma coisa estranha pelo fato de ser o último ano dos “20”, por mais que esteja na vida adulta desde os 18 anos, enquanto estamos nos “20” temos aquela sensação de adolescente ainda, de imaginar ter gás para balada e de que ainda podemos tudo, sem consequências. Apesar de não ser mais assim, é uma sensação legal. Mas, ano que vem, chegam os “30” e, nesse caso, não há mais como dizer “tenho meus 20 e poucos anos” e evitar a terrível sensação de “já sou trintão”.

Pura bobagem, eu sei, mas ainda acho que tenho a jovialidade e alegria dos meus 15 anos, e isso ninguém mudará.

To ficando velho

Eis que na segunda-feira houve a festa da “firma”.

Com muita pompa e circunstância, teve de tudo, show do Leonardo (que está martelando na minha cabeça até agora), cerveja à vontade, salgadinhos, celebridades, enfim, com tudo que tem direito e numa das maiores casas de show de SP.

Modéstia à parte, estava bem gatão e arrumado, mas ainda meio destruído por causa de um porre no sábado (maldita cerveja com tequila). Por conta disso, meio que maneirei demais na bebida e, pasmem, até nos salgadinhos, já que meu estômago estava pior que as florestas de Israel no momento.

Deveria entender isso como sinal, pois o barulho meio que me incomodava e aquele mundaréu de gente também, como se tivesse meio perdido no ambiente.

Quem me conhece, sabe que sempre curti festas, baladas, barzinhos, enfim, sempre gostei de sair e ficar até tarde curtindo até o último momento. Durante a festa, fui pego “pescando” e “bocejando”, o que talvez tenha ocasionado a pergunta de um colega: “Quer ir embora, Marcão?”.

Aquilo foi o atestado de que realmente estou ficando velho. Apesar da minha negativa na resposta, após meia hora saímos e, por volta das 3 da manhã já estava em casa, com a minha rainha do baile em seu oitavo sono, mas retribuindo meu beijo de chegada. Capotei e, no dia seguinte, mesmo acordando um pouquinho mais tarde, sentia todas as articulações doendo (nem dancei ou me mexi) e a cabeça estranha (não era ressaca), me sentindo irritado.

Hoje já é quinta e, certeza, ainda sinto os estragos da festa (potencializados pelos abusos de sábado), o que me leva a crer que só pode ser a idade chegando. Se antes podia sair na quinta, sexta, sábado e até domingo, e ir trabalha na segunda praticamente zerado, hoje, qualquer diazinho que eu resolva ir além das duas da manhã, independente do que esteja fazendo, e já me sinto mal o resto da semana. Se eu sair na sexta, sábado e domingo são reservados para recuperação total, praticamente dormindo o dia inteiro.

Triste afirmar isso, mas to ficando velho!

Vinte e oito!

E cheguei aos 28! Mais um ano se passou, mais um ano se foi.

Engraçado, apesar de não ter a euforia dos aniversários da infância, os quais aguardava com ansiedade por conta dos presentes que ganharia, ou a expectativa dos aniversários da adolescência – onde esperava para ver onde iria, como iria e com quem iria comemorar – sinto que os anos passam e continuo ainda o mesmo cara com sonhos e lenha para queimar.

Se eu vejo meus amigos que cresceram comigo ou estudei junto, todos com a mesma faixa etária, noto que a maioria já casou, têm filhos ou entrou de cabeça no chamado mundo de responsabilidades, ‘morrendo’ e vivendo pelo filho (o que acho certo), pela mulher (mais ou menos) ou pelo trabalho (discordo totalmente). Deixando a vida deles de lado e, de vez em nunca, tomando uma cerveja na própria casa, com hora para chegar e sair de casa. Sem antes de precisar de uma autorização expressa.

Não estou criticando, aliás, de alguns desses amigos, acho bacana, já que estão felizes assim, até mais do que na época que eram solteiros, vagabundos e desimpedidos. Só acho que para mim ainda está cedo e que não tolero ver aquela ‘tia’ chata ou até meu próprio pai cobrando o netinho, o casamento a noite de casais, ou qualquer coisa parecida.

28! Metade de 14, praticamente duas adolescências, ou seja, duas vezes mais juventude para aproveitar, curtir, sonhar…

Se meu período de 27 foi da reestruturação, me ajeitando do período que fiquei na roça, seguirei o plano que fiz no começo do ano, vivendo, experimentando sensações e fazendo coisas que se ficar adiando, talvez depois, não consiga. Ir mais a estádios, andar de kart, jogar futebol, viajar, ver a F1 ao vivo, ir em shows, enfim, tudo dentro daquilo que, quando mais novo, sempre falava que faria e adiava sempre por conta da alegação da falta de dinheiro.

Não tenho meu emprego dos sonhos, não ganho o salário que gostaria e nem sei o que fazer para o futuro.

Só sei que acabo de completar 28 anos e estou cada vez mais o Marcos Bonilha que todos conhecem. Alegre, amigo e divertido.

Apenas um ano mais velho.

Enquanto isso, em um trem lotado

Relato do amigo jornalista Aparecido Francisco no retorno do trabalho para casa, em um trem confortável e com pessoas de boa índole, educação e bom papo.

A caminho de casa, após mais um dia de trabalho, sento-me no banco do trem, junto à janela, na estação da Luz. A composição, que tem como destino a estação Guainazes, na Zona Leste, aguarda estacionada.

Pessoas esbaforidas correm para entrar nos vagões e disputam cada lugar vago, como se defendessem suas próprias vidas. É a lei da selva. Vale empurrar, furar fila, tomar a frente das pessoas. Tudo para garantir um lugar para ir sentado, pelos próximos 30 minutos, tempo que dura o percurso.

Metro_lotado

Perplexo, do banco onde estou, observo as pessoas se acotovelando, empurrando, se jogando sobre os bancos vagos, até que três adolescentes (um rapaz e duas moças) se sentam próximo a mim. Dois sentam-se em um banco na vertical, a frente do meu, e uma das moças senta-se ao meu lado.

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Ideias

Ter ideias num mundo como o de hoje é meio furada, já que hoje todo mundo é adepto do copiar e colar – já conhecido como control cê e control vê, por causa da revolução digital – mas não desisto, por mais absurdas que as minhas, às vezes, possam parecer.

Quando era mais novo – e bota mais novo nisso – era visto como avoado, afinal tinha as mais absurdas ideias que se possa imaginar.

Uma das coisas que mais gostava era de criar campeonatos.

De tudo.

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