Um feriado de Chevy Chase – parte IV

Ok, só agora lembrei que ainda tem que terminar essa saga, e deixar as coisas inacabadas, cof, não é comigo (inserir ironia).

Domingo – 02/01/11

Já sabendo que o trânsito para sair de Praia Grande seria monstro (fato confirmado no sábado, quando todo mundo resolveu ir embora mais cedo por causa da chuva), resolvemos que iríamos embora bem cedo. Como desgraça pouca é bobagem, o temporal que caiu de madrugada isolou todas as cidades da Baixada, alagando as principais ruas de acesso de Santos, São Vicente, Praia Grande e Guarujá. Já vimos que o dia seria longo…

Lá para meio-dia, a água ainda não tinha baixado totalmente, então ficamos enrolando, jogando videogame e, aproveitamos que ainda estávamos na minha tia, e almoçamos.

Meio que batendo o desespero, acabamos indo embora às 16:30. Arriscamos ir direto para a rodoviária de Praia Grande, onde Lú e eu íamos ver como a coisa estava.

Numa cena que lembrava muito um apocalipse zumbi, várias pessoas amontoadas, estressadas, xingando e fedendo para cacete. Quando fui perguntar qual era o próximo ônibus para Sâo Paulo, surpresa, o vendedor disse que havia para 17:30. Smartão que eu sou, comprei duas na hora e fui lá me despedir da minha mãe, irmão e amigo que estavam de carro.

Óbvio que havíamos nos lascado. A fila de ônibus para acessar a rodoviária estava imensa e não era à toa. Havia um atraso de quase três horas em relação ao horário do bilhete. E, como o povo estava estressado, os ônibus nem entravam no recuo para embarque, com a galera subindo no meio da rua e, foda, sem os fiscais conferirem os bilhetes. Uma zona só.

O ápice foi quando um ônibus não entrou no recuo e a galera que esperava lá ficou possessa, indo bater no ônibus e xingar os fiscais, motorista, São Pedro, o papa e quem tivesse no caminho. Uma gorda, que estava revoltada e rodando a baiana com toda a educação recebida nas melhores estrebarias da Suíça, foi correndo para bater e xingar quem fosse da Breda, só que ela não percebeu que o asfalto com lama e limo estava bem molhada e escorregadio e… bem, já dá para imaginar a cena. Chorei de emoção.

Para colocar ordem na zona, a PM chegou e por pouco a porrada não come. Vendo a furada em que a gente tinha se metido, fui correndo no guichê, brigando e xingando meio mundo que furava a fila, ou reclamava que eu furava a fila, e peguei meu dinheiro de volta.

Na mesma hora, ligamos para o meu amigo falando numa boa:

– PelamordeDeustiraagentedaquiquetámaiorzonaeaborrachavaicantarlogologo.

Em meia hora, eles, que estavam presos em outro congestionamento, retornaram para nos salvar nos levar até a rodoviária de Santos, onde o caos podia estar mais organizado, com um povo mais civilizado.

Aí, amigos, entra parte dois desta história.

Meu irmão, vamos chamar de GPS humano, resolveu que ir pela rodovia Pedro Táxi Taques era bem mais rápido e que não pegaríamos tanto congestionamento. Meio ressabiado, mas sem muita moral, falei que era melhor encarar o caminho por Santos, já que ali sabíamos que pegaríamos congestionamento, mas saberíamos onde estávamos.

Fui voto vencido.

Pegamos o caminho oposto e seguimos em sentido a Pedro Taques. Detalhe que víamos como estava o caminho para a Padre Manoel da Nóbrega, onde havia uma fila quilométrica de ônibus, ou seja, se a gente ficasse na rodoviária, com certeza, chegaríamos em São Paulo na meia-noite. De terça.

E segue o caminho. A gente indo numa boa e, no sentido contrário, tudo parado. Uma placa avisando que Mongaguá estava a 10 km foi totalmente ignorada.

Passamos pelo acesso, totalmente paralisado, para a Imigrantes e chegamos a questionar se não era para entrar ali para pegar o caminho sugerido pelo GPS. Novamente, seguimos reto.

Mongaguá 5 Km.

Do outro lado, uma fila enorme que não andava e uma marginal que não era asfaltada e cheia de buraco e lama sendo desafiada por vans clandestinas e motoristas, metidos a esperto, sujando seus carros e ferrando com a suspensão.

Mongaguá 2 Km. Meu irmão GPS liga para minha tia.

Ao desligar e fazendo uma cara, digamos, engraçada. Ouvimos a explicação, vemos meu amigo/motorista dar uma suspirada do tipo “Se eu pudesse, matava mil” e entramos na primeira saída para tentar retornar. Voltamos pela marginal e chegamos ao trecho com lama e buracos. Meu amigo se recusa a seguir e voltamos. Sem saída, seguimos pela rodovia até o próximo retorno.

Bem-vindo a Mongaguá.

Muito trânsito e nada de carros andarem do outro lado.

Seguimos por dentro, onde pegaríamos a Presidente Kennedy, saindo rapidamente de Mongaguá. Apesar de até conseguir fugir do trânsito inicial, a coisa não durou muito e pegamos toda a lentidão indo pela avenida.

Ferrados, ferrados e meio. Resolvemos ir pela praia, onde o carro andava bem mais rápido, apesar do trânsito. Nisso, o GPS queria porque queria retornar e pegar o caminho inicial. Detalhe que meu outro irmão que estava de moto, e que havia ficado na minha tia, ficou de nos encontrar no meio do caminho.

Ele liga da primeira vez e pergunta onde estávamos. Respondemos que na Avenida da Praia.

“Que avenida da praia?”

Oras, na única que tem, a da praia.

“Mas qual?”

Só havia uma.

“Qual o nome?”

Poxa, a Avenida da Praia, acho que Castelo, só tem essa.

“Mas onde?”

Desligamos e seguimos caminho. Quando paramos para reabastecer, ele ligou de novo e falamos que estávamos no posto. Ele apareceu e disse que nos guiaria até a Pedro Taques. Quando dissemos que não iríamos por ali e, que sim, por Santos, ele seguiu seu caminho e foi embora, tal como Marvin resmungando da vida, do universo e tudo mais.

Como a Avenida Presidente Kennedy é grande para cacete, chegamos no trevo de Praia Grande, onde o caos do trânsito reinava. Para facilitar, os jênios agentes de trânsito fizeram uma puta zona, abrindo caminho para os ônibus, mas obrigando os carros a fazerem um desvio. Mas sem indicar para onde.

Quase voltamos para Mongaguá de novo. Entramos num monte de becos suspeitos e conseguimos retornar para o trevo. “Rapidamente” chegamos à Ponte Pênsil, nos livrando de todo aquele inferno.

Com todo mundo morrendo de fome, e já sem a mínima chance de pegar um ônibus que chegasse em São Paulo a tempo de pegar metrô (já eram 11 horas), decidimos parar num quiosque e comer alguma coisa. Bucho cheio, seguimos para o Guarujá, onde ainda levamos minha mãe e o GPS meu irmão no Perequê.

Nosso amigo, com toda a paciência que um dia Deus ou a Mega Sena irão recompensar, levou todos até o fim do mundo (fomos juntos para fazer companhia).

Depois, retornamos para Vicente de Carvalho, onde finalmente, uma da manhã, saímos do carro para esticar as pernas. Infelizmente, tínhamos que acordar 5 da manhã para retornar a São Paulo.

Segunda – 03/01/11

Embalando um dia no outro, para terminar essa série logo, acordamos (ou nem isso, já que não dormi direito) às 5 da manhã, correndo. Fomos para o ponto e, ao invés de seguir para a rodoviária de Guarujá, já que tínhamos tempo, resolvemos esperar o ônibus que seguiria direto para São Paulo.

Ele chegou às 6 em ponto e, por sorte, estava vazio. Quando fomos pagar a passagem para o motorista, ele falou que não vendia, para não ter risco das passagens terem se esgotado na agência de Vicente de Carvalho e causar uma espécie de overbooking.

Gelamos.

Dito e feito, chegando na Praça 14 Bis, não havia mais lugar no ônibus. Sem escolha, já que o próximo era apenas às 8 da manhã, seguimos para Santos.

Debaixo de chuva, andamos até a estação das barcas (uns 15 minutos) e atravessamos o estuário. Do outro lado, já em Santos, fomos até a rodoviária de Santos e, após ver os horários esgotados, arrumamos um salvador.

Num ônibus para lá de desconfortável, encaramos trânsito na serra e, finalmente, chegamos em São Paulo. Já atrasado para chegar ao trabalho.

Despedi-me do meu amor, que estava bem cansada, e segui para o trabalho.

Num saldo geral, o ano novo foi bem legal, já que não há coisa melhor do que estar com a família, os amigos e a pessoa que ama, mas te falar, meus queridos 6 leitores, que nunca mais encaro tamanho stress.

Pelo menos até o próximo feriado.

Um feriado de Chevy Chase – parte III

Sábado – 01/01/11

E estamos de volta!

Logo que deu meia-noite, nos primeiros minutos de 2011 calhou a desabar o mundo (aka chuva) em Praia Grande. Sem muito o que fazer além de se embebedar resolvemos montar o Wii e jogar.

Colocamos os jogos de dança, os quais arrebento (mentira, só sei mexer o controle direito). Meu primo, putinho porque não gosta, foi dormir. Depois de um tempo fomos também.

Lógico que meu priminho, uma criança cheia de energia para gastar, não ia deixar barato. E, em meio a roncos, pirralho te pisando e muito, mas muito calor, ninguém dormiu direito.

Na “manhã” seguinte, por volta do 12:30 quando todo mundo acordou, resolvemos jogar tudo que tinha direito, já que ainda chovia para cacete e não tinha muito o que fazer além de se embebedar e jogar.

Obviamente que, em todos os jogos que colocamos, eu perdi. Resolvemos ir até Mongaguá, Lu, Carlos e eu, visitar a família da Lú que estava lá. Claro que tinha muito trânsito, muita chuva e muito turista estressado. Pior, ainda fazia um friozinho chato.

Parte legal disso tudo, durante a visita, forams os comentários do Carlos e os meus enquanto a presidenta Dilma subia a rampa. Sério, as emissoras estão perdendo tempo com esses “humoristas” de hoje.

Visita feita, hora de voltar. Mais uma vez, muita chuva, trânsito e estresse. Turista na praia em dia de chuva é engraçado, fica que nem barata tonta, sem ter para onde ir e perdido. Foda que eles enchem o saco seja lá para que lado forem.

Como sou muito do “esperto”, resolvi comprar a passagem antecipada para voltar para SP. Por causa da chuva, muita gente resolveu retornar para SP. Logo, a rodoviária de Praia Grande parecia o inferno na terra de tanta gente feia e mal-educada reunida. Desisti e deixei para o dia seguinte. Erro fatal.

Com muita chuva e o tempo e turistas impedindo de sair para tomar ou fazer alguma coisa, decidimos voltar para minha tia.

Chegando lá, todo mundo já tinha jogado tudo que tinha direito. Resolvemos entrar na brincadeira e, claro, tomei outra surra no videogame. Ficamos nessa até umas duas da manhã. Quer dizer, ficaram, eu saí antes, pois já tinha sido eliminado em algum jogo que não lembro agora. Zoaram pouco, ainda mais que sou o dono da “bola”.

Fui dormir prometendo vingança

Um feriado de Chevy Chase – parte II

Sexta-feira, último dia de ano

Acordamos cedo para ir buscar meu óculos. O plano era fácil, pegar o óculos, comprar as bebidas (que tinha ficado sob minha responsabilidade) e vazar para Praia Grande.

Obviamente que nada aconteceu como o esperado. Minha mãe, que estava do outro lado do Guarujá, tinha que encontrar com a gente e estava cotando as cervejas de engradado. Como o cara da adega era um mercenário, fiz as contas e vi que compensava mais comprar tudo em lata mesmo. Para meu azar, a montagem do óculos atrasou e, meu amigo, tinha compromissos com a família dele.

Bem, logo que pegamos o óculos, ligamos para o nosso amigo, que nos encontrou no mercado. Com prenúncio da sorte virando, conseguimos comprar Brahma na promoção e os refrigerantes. Era só voltar para casa da sogra, encontrar minha mãe e rumar para Praia Grande, certo?

Errado.

Meu amigo tinha que levar a mãe dele para fazer compras. Era dia 31, então combinanos de nos encontrar no carnaval às 14 horas. Ele nos deixou na casa da minha sogra de novo e foi, com tudo no porta-malas, correr com as coisas dele.

Nisso, minha mãe tentando nos ligar, não atendia nossas ligações de volta. Como eu estava cansado, pois havia chegado tarde e acordado cedo, resolvi tirar um cochilo.

Acordei com minha mãe ligando, falando que estava a caminho da minha tia, pois ninguém a foi buscar no Terminal de ônibus, pois era lá que tínhamos combinado. Até agora não sei se minha mãe havia pirado, mas é fato que nunca falei em Terminal de ônibus.

Nisso, por volta de umas 15 horas, meu irmão liga dizendo que estava a caminho e que já tinha ligado para meu amigo combinando que ia com a gente. Ele estava do outro lado da cidade ainda.

Mais ou menos, lá para quase 17 horas, todo mundo chegou e partimos para PG. Como notaram, não falei em almoço, então resolvemos parar no McDonalds, da Ponta da Praia, para fazer um lanche. Fizemos umas barbeiragens, pois erramos a entrada do Drive Thru e para fazer o retorno era maior briga. Demos uma ré, na saída do estacionamento, parando todo mundo que tentava sair do Mc e estacionamos lá mesmo, parando para comer.

Depois de comer, finalmente, rumamos para Praia Grande. Chegando lá, obviamente, tudo parado. A nova missão da gente era comprar gelo, já que as bebidas nunca gelariam a tempo no horário que a gente chegasse. Depois de parar num posto e discutirmos o porque de não molhar o porta-malas do pobre Mégane, seguimos adiante, não antes sem errar outra entrada e dar maior volta numa quebrada que faria o Capão Redondo sentir orgulho, parando na fábrica de gelo e, depois, finalmente chegando ao nosso destino.

Ano novo com a família e amigos, melhor coisa do mundo (apesar das histórias contando o passado de mancada de cada um).

Mas e o dia seguinte, o que será que o destino e São Pedro reservariam para a gente?

Continua…

Um feriado de Chevy Chase – parte I

Bem, tudo começou na quinta, 30/12, quando me preparava para o Ano Novo em Praia Grande com a família. Me programei para sair do trabalho um pouco mais cedo e não pegar (tanto) trânsito. Obviamente apareceram várias emergências e só pude sair às 19 horas (o normal é às 18). Era o prenúncio das Férias Frustradas de Ano Novo.

Quinta-feira

Corri para o Jabaquara, chegando lá, parecia a fuga em massa de um apocalipse zumbi. Após descobrir que o ônibus disponível com horário mais em conta sairia a uma da manhã (sem contar o atraso de duas horas que já reinava no local) resolvi que a solução era ir para casa e passar o ano novo com o Bruce, Zoiudo, Michel J. e Buchecha.

Saindo da rodoviária, vi as vans clandestinas disputando os nobres moradores da Z.L. que queriam passar o ano novo a base de muita farofa, frango e Cristal de areia, praia e sol. Fui pesquisar e os modafocas cobravam 50 por cabeça. Sem ar condicionado, segurança e banho nos passageiros. Prometi que nunca mais pegava esses mercenários e tentei voltar para o metrô, no contra-fluxo, quase fui arrastado para o aeroporto.

Tentei dar a volta e acabei abordado por um taxista, perguntando para aonde eu ia, falei que para Santos (já que para Guarujá, seria complicado). Ele falou que por $60 me levava, mandei tomar no cu agradeci e disse que não. Quando me afastei, ele berrou me chamando e acabei voltando. Ele disse que fazia por $50. Novamente falei que não ia. Baixou para $40. Balancei. Aí abri a carteira e… disse que só tinha $35. Fechou.

As outras três senhoras, que iam para Santos e São Vicente, fecharam outro valor e ficaram fulas quando descobriram que pagariam $43 cada. Azar o delas.

Para sair do terminal foi outro parto. O motorista esqueceu de pegar o ticket do estacionamento e levou maior tempo para provar que o carro era dele e ter que pagar o valor devido. Para lascar, as mulheres ficaram com vontade de ir ao banheiro e demoraram maior cara dentro do Pão de Açúcar para esvaiar a bexiga.

Todos no carro e rumamos para o litoral. Num trânsito de fazer inveja a qualquer indiano ou chinês, ficamos alternando entre o acostamento (acho que ele tomou todas as multas possíveis) e a lentidão da pista. Como tinha acesso a internet, consegui ver o melhor caminho e convenci o taxista a ir pela Anchieta.

Aqui, notei que a galera que desce a serra é bem covarde, já que a Anchieta estava vazia e descemos numa boa, com certeza os motoristas de hoje, criados a ovomaltine e leite de pêra, tem medinho dos caminhões e curvas da estrada clássica que liga a capital ao litoral.

Outro detalhe interessante, era sobre as senhoras que nos acompanhava. Como eu não tinha ligação com nenhuma e também era o mais alto, fui no banco de passageiro na frente, enquanto elas ficava atrás. Uma delas trocava o R pelo L, igualzinho ao Cebolinha, a outra era mãe dela e dormiu a viagem inteira, e a outra era uma velha metida a jovem que recebia a ligação do “amado” de 5 em 5 minutos. A mala da viagem.

À parte de segurar o riso, junto com o motorista, toda vez que a Cebolinha falava, a velha enchia o saco. Até que falou que tínhamos que ir com ela até São Vicente e descobrirmos que o taxista não conhecia muito os caminhos das estradas de Santos.

Aí que a velha quase joga a gente no buraco negro do congestionamento da Imigrantes. Se eu não falo que era melhor fazer o retorno e ir por dentro de Santos, pela Nsa. Sra. de Fátima, acho que estaria lá até hoje.

Chegando em Santos – depois de umas 4 horas de viagem – fomos largar a mala em SV. Que queria porque queria que a deixássemos na Presidente Wilson. Despachamos no McDonalds do Centro e, por questões de logística, acabamos voltando pela própria Presidente. Quase fiquei com pena da doida metida a gostosa.

A ideia era deixarmos a Cebolinha e a mãe na Conselheiro, mas como ficaria complicado explicar para o taxista como voltar para SP via porto, decidimos que ele me deixaria na ponta da praia, na balsa, e as duas voltariam com ele até a Conselheiro, dali para SP era um pulo. Engraçado foi ele tirando foto do movimento da galera na praia, desconfio que ele chegou lá por acaso.

Finalmente cheguei na balsa, me despedi de meus companheiros de viagem e corri para a barquinha. Para variar, a perdi e, quando cheguei do outro lado em Guarujá, perdi o último ônibus que me levaria para casa da sogra. Ironicamente, chegou um que iria para a casa da minha mãe, que nunca aparece nesses casos. Resolvi esperar o que seguiria para Vic. de Carvalho.

Como era noturno, quando chegou após uns 40 minutos, demos um pequeno rolê pelo Centro de Guarujá, lotando o dito cujo e demorando uma eternidade em cada ponto.

Nem preciso dizer a minha felicidade quando finalmente cheguei ao meu destino e achava que tudo estava resolvido e era só preparar as coisas para a meia-noite…

continua… ;P

Estação Sé 19h00, por Thiago Barrozo

Todo mundo que acompanha o blog há algum tempo sabe os apuros que passava na época em que morava na Zona Leste, principalmente em relação ao Metrô, na famigerada Linha 3 Vermelha-Leste-Oeste.

Tentei descrever o que acontecia, mas o Thiago Barrozo, do Comunique-se, mostrou, com maestria, o inferno que é a Estação Sé por volta das 19 horas.

Também concordo com o parágrafo final.

Link para o texto original.

Estação Sé 19h00, por Thiago Barrozo

Thiago Barrozo (*)

As escadas-rolantes estavam paradas. “Desaforo”, pensei. “Com tanta gente, com tanta pressa, com tanto tudo, como eles podem fazer isso?” O incômodo cresce ao notar o rapaz brigando por espaço enquanto se agarra fielmente às muletas. No mar de corpos, ele está em desvantagem. A placa indica o sentido. Corinthians-Itaquera. Bufo e avanço os degraus.

Gato escaldado sente o perigo muito antes que ele dê a cara. Não sou gato, não sou escaldado, mas não sou bobo. Antes de concluir a subida, percebo uma enorme quantidade de pessoas. Pressinto, mas não quero acreditar. Enfim, olho.

O número de pessoas aguardando a chegada do trem é tão imenso que assusta. Trafegar pelos corredores antes de optar por uma das demarcações de acesso às portas é impossível. Ao redor, margeando a parede, um grupo de adolescentes sentados no chão se diverte com um baralho. Um casal, posicionado no extremo oposto, lamenta. Fantasio que este atraso inesperado não constava no roteiro dos dois. A vendedora da loja de doces e salgados se desdobra em mil para atender a todos.

Observo mais um pouco e decido não me juntar ao gigantesco grupo do empurra-empurra. Vou sair da estação e tomar um suco. Quem sabe, se der sorte, encontro algum sebo aberto. Subo o lance de escadas (estas, sim, rolantes). Neste andar, noto um outro tipo de grupo, o dos observadores. Apoiados na mureta e com a vista privilegiada, assistem a tudo.

Entro para o time e consigo me acomodar rente ao corrimão. Lá embaixo, encontro meus personagens. O primeiro é um senhor de meia-idade, calvo, dono de traços nipônicos, terno, gravata e óculos. Conto oito o número de trens que passam sem que meu colega consiga embarcar. No nono, ele é empurrado por uma multidão que grita, resmunga e uma mala azul que o açoita pelas costas. Lá se vai. Sayonara.

Caminhando suavemente e com ar pomposo, encontro a minha próxima personagem. Loira, vinte e poucos anos, corpo ereto sob uma calça preta justa e um decote chamativo. Indecisa entre qual corredor escolher, direito ou esquerdo, vejo que sua dúvida é acompanhada por três rapazes por ela desconhecidos e que não apresentam nenhum vínculo entre si. A não ser ela, que, ao caminhar para o corredor esquerdo, tem seus passos copiados. O vagão que ela escolher será o mesmo deles. Penso no tumulto, no empurra-empurra e no espreme-espreme. Penso nas mulheres em situações como esta.

A linha amarela de segurança, por diversas vezes lembrada para não ser ultrapassada, é ignorada. Além dela, um pai segura sua esposa e filha. O trem pára e abre as portas. A exaltação dos passageiros na plataforma empurra o senhor para longe da entrada. Ele cambaleia e é passado para trás. O mesmo grupo que explode em direção à porta trata, naturalmente, de levar consigo a senhora e sua filha. O alarme soa e a porta se fecha. O pai trêmulo, do lado de fora, gesticula para a família dentro do vagão. O trem parte. Ele leva a mão à cabeça.

São 19h35 quando abandono o mirante e rumo para fora da estação. Saio com a sensação de que uma intervenção divina se fez presente para assegurar que nenhuma pessoa tivesse sido arremessada aos trilhos, ou uma pancadaria tivesse ocorrido, levando em conta as diversas indelicadezas vivenciadas. Sinto que este fato carece, porém, de uma intervenção humana capaz de devolver a dignidade aos seus justos donos.

(*) Radialista e estudante do 7º semestre do curso de Jornalismo

Poltrona nº24

O fim de semana seria melhor se Guarujá não me torrasse tanto a paciência, como torra toda vez que vou lá.

Hora de ir embora e subir à serra rumo à capital. O relógio marca 20:20, e dá tempo de sobra para pegar o último ônibus que sai às 21:30 da rodoviária de Guarujá. Para ajudar, o fiscal manda o ônibus ir até a metade do caminho como ‘especial’, sem parar para ninguém, apenas para desembarque.

Daria tudo às mil maravilhas, se o motorista não inventasse de ir devagar, devagar, devagarinho.

Mesmo assim, ainda sonhei que daria tempo, mas filho de chocadeira, além de ir lento, parava em todos os semáforos, fazia hora no ponto (assim como a mãe dele), colocava as notinhas em ordem crescente, enfim, eu só olhando e ficando meio puto com a situação.

Vendo os relógios na rua, o desespero começou a bater e vi que talvez, não desse tempo de pegar o last bus para sampa. Dito e feito, ao chegar perto da rodoviária, só deu tempo de ver o ônibus virando no semáforo e entrando na rodovia que dá acesso para São Paulo.

Perdi a paciência e xinguei pouco o motorista.

Mesmo assim, ainda dava tempo de apelar para Santos, mas, mais uma vez, dependeria da vontade do discípulo de Barrichello para não correr o risco de subir a serra e não ter meio de transporte para chegar em casa. Afinal o metrô só funciona até meia noite.

Não adiantou muito, o cara chegou ao ponto final 22:10. Saí bicando porta e xingando muito. Para se ter uma idéia, o outro ônibus, que saiu em condições normais, chegou primeiro. Se não me pedem para maneirar, juro que quebrava ele na porrada.

Corre para a barca.

A sorte apareceu um pouco, afinal chegou uma, mas aí, até sair, foi outro parto. 30 minutos depois, às 22:40 estava na Praça da República e apelando para um taxista que, após dizer que para chegar na rodoviária era sete reais, foi todo feliz, sem ligar o taxímetro, para o local indicado.

Juro que não dava nem R$5,50.

O ônibus já estava saindo, mas deu tempo de embarcar. Mesmo assim, quando vou ver a passagem e conferir o troco. R$0,50 a menos. Lugar para sentar… 24!

Aí já era demais. Troquei de lugar, fiquei na 23 e olhando para o céu para ver se via algum sorriso maroto de alguém lá de cima se divertindo com a desgraça alheia.

Ainda bem que deu tempo de chegar em sampa antes da meia-noite. Mesmo assim, ainda cheguei em casa faltando 10 para uma, sendo que poderia ter chegado às 11 horas.

Sim, deu tudo certo no final. Mas que aquela empresa de ônibus de merda de Guarujá, com seus motoristas cornos estressa todo mundo, isso estressa. Mas, lá isso é eterno e, provavelmente não mudará nunca.

Depois perguntam porque Guarujá não é uma maravilha.

Escapando de um dia daqueles

Mais uma vez, o metrô entrou em colapso e o cidadão aqui se deu mal. Ou quase.

Explico, escaldado como estou, ao ver a multidão que esperava para ver se conseguiria embarcar em algum trem para ir trabalhar, resolvi esperar um pouco, mas sem fazer a besteira de descer as escadas e ficar sem alternativas.

Cerca de 20 minutos de estresse depois, resolvi sair da estação Sé e procurar um ônibus para seguir para a Zona Sul.

Ingênuo que só, imaginei que havia tido uma idéia inédita, pensando “Veja só otários, sofram aí, enquanto vou atrás de um ônibus só para mim”.

Nem passou pela minha cabeça que várias pessoas haviam tido a mesma idéia, logo, todos os ônibus estavam entupidos, os táxis lavando a alma de ganhar dinheiro e o mané aqui, sem entender muito das redondezas da Sé, procurando algum ônibus para seguir para o Santa Cruz.

Para a minha sorte, depois de três fiscais de ônibus que não entendiam merda nenhuma de itinerário, achei um que indicou uma linha que muitos não estavam pegando, pois todos estavam recorrendo ao óbvio e esperando uns 20 minutos para embarcar, além de desfrutar de um ‘conforto’ digno dos trens da Índia.

Vira à esquerda, próxima rua, dois pontos adiante e lá estava o Vila Santa Catarina, categoria azul calcinha (quem não é de SP, um dia explico). Vi o itinerário, reconheci uma rua próxima ao trampo e embarquei.

Para fica tranqüilo, não fiquei checando o relógio para ver quanto tempo estava atrasado. Resolvi curtir a paisagem. É engraçado como sampa é muito interessante. Uma cidade que tem vários lugares totalmente diferentes entre si. Isso com uma diferença de uma ou duas horas (dependendo do trânsito, claro). A região do Ibirapuera, com o parque, monumentos, assembléia legislativa e tudo mais, é surpreendente. O que me lembra que preciso arrumar uma câmera urgente, para tocar um projeto que faz tempo que idealizo. Se alguém quiser me presentear, 30 de março está logo ali. J

Para encerrar, 30 minutos depois estava no trabalho, apenas meia hora atrasado, o que, comparado aos meus outros colegas de serviço, foi pouco. Bem pouco.

Ah, às 8:45 o problema do metrô já estava resolvido, sendo que às 10 horas estava tudo normal.

Ah se eu morasse em São Mateus ainda…

update: Quem diria, o dia estava só começando. Sexta brava essa.