Morre Chorão e parte da minha adolescência

Era o fim de 1997 e, como de praxe, ia de carona com um falecido amigo para escola falando sobre as perspectivas da temporada de verão, no rádio, de repente, entra “O Coro Vai Comê” que, na hora, virou minha música preferida por conta do rock nacional diferente que ali se apresentava.

Quando a música acabou, meu amigo tirou da Enseada FM e, sei lá porquê, colocou na Jovem Pan, passou um tempo e, do nada, entrou “Proibida para Mim”, para minha surpresa, da mesma banda da música da outra rádio, que era mais voltada para rock mesmo.

Melhor capa de disco deles.

Melhor capa de disco deles.

Na hora virei fã da banda por tocar músicas de diferentes maneiras, uma semana depois, com meu salário mínimo, comprei o CD, que ouvia direto.

Passado um ano, nunca sobrava grana para ir a um show, no começo de 1999 já bem famosos e com “Zóio de Lula” tocando a mil nas rádios, é anunciado um show no Caiçaras Clube, junto uma grana (sem a passagem de volta de Santos) e vou com um amigo que nem tenho tanto contato hoje, lá encontro mais alguns amigos e, sem brincadeira nenhuma, vejo o show mais legal que já vi na vida de uma banda nacional. Como sempre, não peguei ninguém, meu amigo se deu bem e voltamos a pé, dali da divisa até a ponta da praia, felizes da vida com aquele puta show que vimos.

Depois, o Charlie Brown Jr ficou mais comercial (Malhação e para tocar na Jovem Pan sempre) e eu comecei a curtir mais metal (Sabbath, Metallica, Slayer, Iron Maiden, etc. Depois viria outra fase, mas é outra história), mesmo assim, ainda fui em mais uns 3 ou 4 shows dos caras, inclusive como profissional. Infelizmente nunca entrevistei o Chorão, apenas o Pelado/Champignon/Marcão.

Em 2002 ou 2003 ainda comprei o Acústico MTV, na minha opinião um dos melhores (Titãs, Ira!, Cassia Eller, Zeca Pagodinho e Engenheiros juntos), passado um tempo, a banda “acabou” e meio que desencanei de vez do Charlie Brown, mesmo depois que voltaram dia desses aí.

Mesmo assim, é daquela bandas que marcaram sua adolescência, seja boa ou ruim, nem o Caiçaras, daquele show épico existe mais, aliás, um dos amigos daquele show mora no condomínio que tem no lugar.

Chorão não era gênio, poeta, nada, mas era um cara meio que com síndrome de Peter Pan e que, mesmo no auge do sucesso, tinha apenas no skate sua verdadeira paixão. Ainda assim, foi um dos últimos do rock nacional a fazer algo diferente e divertido, tocando uma geração com um pouco de protesto, carente nos dias de hoje, e, também, falando de músicas para “pegar umas minas” ou daquelas que são “proibidas para mim”, totalmente nada a ver com essas “músicas” de Restart, NX Zero ou outras merdas que nem mesmo a molecada de hoje gosta muito.

Foi-se um cara de 42 anos totalmente perdido depois de um divórcio e que aparentemente não aguentou o baque e a depressão que isso causa. Contraditório demais um problema comum nos 40, mas para um cara com cabeça de 18. Forte demais.

Enfim, como disse, não achava gênio, mas reconheço que agora o Chorão faz parte da história do rock nacional. E, infelizmente, junto com o Chorão, vi que morreu também parte da minha adolescência.

Vá em paz “TCHARROLADRÃO”!

Ela, eu e o Bon Jovi

Pensei: “Oras, por que não tentar? O máximo que vai acontecer é a galera ficar me zoando por causa das frases que vou colocar e dar risada com isso”.

Assim resolvi participar da promoção @SubZeroRocks para ganhar um par de ingressos para o show do Bon Jovi no Morumbi.

Sim, show do Bon Jovi no Morumbi, sou fã do som dos caras, assim como do Iron Maiden, Metallica, Scorpions, Engenheiros, U2, AC/DC, Wando, Ira e Magal. Como sou meio zicado com qualquer coisa, já meio que acreditava que só renderia risadas por conta de algumas frases infames.

Mas, ás 16:30 de quarta-feira, dia 6, o twitter oficial da cerveja Sub Zero (que me rendeu chacota por ter levado umas latinhas num churrasco) me anunciou como vencedor com a frase “Só a @subzerorocks te dá a #ultimachance de ver o Bon Jovi ainda hoje em SP sem morrer na mão do cambista com cerveja quente.”

Nem preciso falar que foi uma das maiores alegrias do ano até agora. Na hora falei com a Luzinha e combinamos de se encontrar, no que seria o primeiro grande show de rock da vida dela.

Às 18:30 saí voando do meu local de trabalho, peguei o trem e um trânsito dos infernos e cheguei no local para retirada dos ingressos. Às 20 horas. Novamente, por causa do trânsito, me atrasei e, enquanto Lulu me xingava, e muito, no celular, eu me preocupava em chegar no Morumbi a qualquer custo.

Cheguei, às 21:30, já com o show rolando e Luzinha querendo minha cabeça (ou saco) numa bandeja. Corri até onde ela estava e levei até o portão de entrada. Idiota, como sou, não vi que tinha que entrar pelo outro lado por causa das grades de metal, voltamos tudo de novo, entramos, corremos e, enquanto isso rolando “You Give Love a Bad Name”.

Mostra ingresso, revista, mostra ingresso de novo, entra, corre de um lado, cadê entrada, chegamos!

Mesmo já tendo ido a outros grandes shows, a sensação de se misturar à massa é indescritível, vi que Lu sentia a mesma coisa, pois estava na cara que nem se lembrava do perrengue que tivemos para chegar lá. E era a primeira vez que ela tinha essa sensação.

“Born To Be My Baby” tocava naquela hora, e o brilho nos olhos de Lu só mostrava que aquele lugar, entre as mais de 65 mil pessoas, era só nosso.

A abracei forte, e curtimos, juntinhos, como se fosse num baile de escola, as três horas de show, que nem deu para sentir passar direito. A sensação de estar com a mulher mais linda da escola, enquanto dançava com ela, era a mais forte possível, embalada pelas românticas “When We Were Beautiful”, “Bad Medicine” (com “Pretty Woman”, de Roy Orbison, e “Shout”, de Isley Brothers), “Lay Your Hands On Me”, “Always”, “I’ll Be There For You” e “Someday I’ll Be Saturday Night”.

Também pulamos muito com “It’s My Life”, “Have A Nice Day”, “Keep The Faith” e, principalmente, “Livin On A Prayer”.

A cereja do bolo foi o encerramento com “Bed of Roses”, embora eu esperasse “Never Say Goodbye”, mas o fato de estar ali, com a mulher da minha vida, ouvindo um rock n’ roll com um cara que embalou a adolescência de muita gente, sonhando com o momento do beijo, do abraço e de sair junto com a princesa da festa, já mostrava que ali, naquele momento, no meio de 65 mil pessoas, nós éramos o casal mais feliz do mundo.

Não sei quando iremos novamente a outro show de tamanha magnitude, mas espero que não demore muito, pois, apesar de musicalmente falando, não ter sido um dos melhores shows que já vi ao vivo, foi o melhor show da minha vida.

Ps: Aqui, no Baconfrito, você pode ver o que eu achei, musicalmente falando, do show do Bon Jovi.

Melhor show de todos os tempos – Metallica

Sábado, 30 de janeiro de 2010, saímos, meu irmão e eu, com destino ao estádio Cícero Pompeu de Toledo, vulgo maior do mundo, vulgo Morumbi.

Não fomos ver mais um show do São Paulo Futebol Clube, mais uma apresentação de gala de Rogério Ceni e companhia no Tricolor mais lindo do planeta.

Com o perdão do exagero dos superlativos e elogios, fomos ver Kirk Hammett arrebentar em riffs clássicos e arrepiantes, Lars Ulrich destruindo sua bateria, Robert Trujillo com uma competência respeitável no baixo e um carisma impressionante e, claro, James Hetfield com aquele vozeirão característico e também mandando bem na guitarra. Sim, fomos ver o Metallica.


Foto: Leonardo Soares/AE

Depois de dois anos do show do Iron Maiden – o melhor de todos os tempos até então – e uma fracassada tentativa de tentar ver o AC/DC, finalmente conseguia voltar a ver um mega show de rock, e de uma das minhas bandas preferidas. Apesar da ausência do irmão do meio, e do primo quase irmão. Daniel, apesar de ser o que tenho menor afinidade, já que é o caçula da família, foi uma ótima companhia.

Logo que chegamos ao Morumbi, o clima com todo aquele povo, devidamente trajado de preto, se encaminhando para o show, foi tomando conta de nós. Por coincidência, estava com a mesma camisa preta do show do Iron. Ao contrário da outra vez, que nos perdemos e tudo dava errado, nos encaminhamos até a arquibancada azul e rapidinho nos instalamos entre vários alucinados que estavam curtindo o show do Sepultura, mas, claro, aguardavam ansiosamente Lars e sua turma. Uns, mais exaltados, vaiavam Derek, Andreas e companhia. Ainda mais depois que Andreas provocou o estádio exaltando seu fanatismo pelo tricolor mais lindo do mundo. Óbvio que receberia vaia, mas como já esperava, deu risada e encerrou o show com Roots.


Daniel e eu, sim as fotos estão mal tiradas

Para quem acompanha o tempo e o noticiário, sabe que São Paulo está há mais de 40 dias sob intensos temporais, como os deuses do rock estavam ali, junto com os quase 70 mil apaixonados pelo som, o tempo resolveu dar um tempo, com o céu mais estrelado que eu já vi nessa cidade e uma lua cheia que também queria ver os grandes clássicos do heavy metal sendo entoados, ali naquela região sul da cidade.

Enquanto o show não começava, nós da arquibancada fazíamos um show à parte, com “Holas”, “incentivos” para a turma da pista e solidariedade com o outro para tirar fotos e filmagens. Pena que meu irmão e o cara que estava próximo a gente não saibam bater fotos com celulares, todas em que apareço estão tremidas.

Enfim, quando os refletores se apagaram, a galera começou a se empolgar, mas ainda rolava os testes de som. Minutos depois o palco se apagou, e começou a passar as cenas de “O Bom, o Feio e o Malvado” com a trilha de “The Ecstasy of Gold”, de Ennio Morricone. Era a senha para o público vir abaixo!

Logo, começaram os acordes de “Creeping Death” e James, Lars, Kirk e Trujillo começaram a fazer daquele dia 30 de janeiro a melhor noite da última semana. Logo após, Lars pergunta se “Estamos Prontos?” Óbvio que estamos e, mal deu tempo de respirar e já emendaram “For Whom The Bell Tolls”, as duas do disco “Ride the Lightning”.

Mantendo a pauleira pura e sem deixar a galera pegar ar, molhar o bico na cerveja ou parar de suar, resolveram ir além da história e voltar às origens, tocando “The Four Horsemen”, do “Kill ‘Em All” e depois “Harvester of Sorrow”, do “…And Justice For All”.

Provavelmente, por ver a galera ofegante, tocaram uma mais ‘baladinha’, “Fade To Black”. Era a primeira vez que sentia aquela emoção estranha, nunca havia visto um estádio, com quase 70 mil pessoas, cantando, em inglês, uma música de heavy metal. Foda!

Como não podiam deixar de divulgar o fodástico álbum novo, “Death Magnetic”, emendaram três sem tirar, “That Was Just Your Life”, “The End of The Line” e “The Day That Never Comes”.


Galera alucinada

Após as quatro, James pergunta para a galera se já temos o álbum e se gostamos do disco. Óbvio que sim James, toca Raul logo, vamos voltar ao show. Antes, ele agradece aos amigos do Sepultura, nossos amigos, como ele diz, e dedica a próxima música a Andreas e companhia.

Estádio vem abaixo novamente com “Sad But True”.

Mais uma vez, toca uma nova, a pauleira “Broken, Beat & Scarred” e os caras somem do palco. Tudo fica escuro. A galera tem um palpite. Começam explosões no palco, a pirotecnia e os fogos já anunciam que vem aí “One”. Outra vez sinto a inédita emoção ao ver tudo aquilo cantando em uníssono um dos maiores clássicos dos Caras. Foda, Foda!

Mal dá se recuperar de “One” e já emendam outro clássico, “Master of Puppets”. Mais uma vez sinto aquela sensação boa de estar compartilhando com alguém aquele momento, de fortalecer ainda mais a amizade com meu irmão, de novo sinto a falta dos outros dois, o irmão do meio e o primo quase irmão, e valorizo ainda mais o fato de Dani estar ali e feliz da vida.

Tocam “Blackened”, também do “… And Justice…” e, novamente, saem do palco. Galera na expectativa, um banquinho aparece no palco. “Putaquepariu, é Nothing Else Matters!”, grito para meu irmão. Ele questiona “Será?”. E aparece James com um violão entoando os acordes da minha música predileta. Naquele momento, senti as lágrimas virem enquanto cantava, segurei bem, afinal estava num show de metal e pegaria muito mal chorar no meio de um monte de marmanjo, então olho ao lado e vejo uns dois, três, quatro cabeludos abraçados, cantando e com brilho nos olhos. Quase, mas segurei, naquele momento Nada Mais Importava.

Mais uma pausa e o telão focaliza James “Caralho, é Enter Sandman agora”. O telão focaliza a paleta de James, que a vira, com todo o público já matando a charada. Começa o riff mais famoso da banda, e, mais uma vez, o estádio inteirinho cantando junto com a banda. Foda, Foda, Foda!!!

Eles saem do palco e a galera aguarda o retorno, pois sabem que ainda não é o fim, Kirk retorna e começa um solo animal, é o momento dele, do guitarrista, ele e o público com as almas interligadas em apenas um som. Ele termina e os outros retornam, James anuncia que tocará um cover que os influenciou, para minha surpresa e satisfação, eles tocam “Stone Cold Crazy”, do Queen. Melhor show de todos os tempos.


Fim do show

Emendam “Motorbreath”, também do segundo disco e encerram com outro clássico, também comum nos encerramentos do show. A galera já entoava as três palavras, quando James pediu para ligar os refletores, pois passamos a noite vendo os feiosos e que era a vez deles verem a gente. Searchiiiiiiiiing ‘Seek and Destroy’, encerra mais uma noite histórica. Mais um show fantástico e mais uma ocasião para dizer que minha família é foda.

Valeu, Lars, James, Kirk e Trujillo, até a próxima.

Aguardemos o próximo. Espero que em breve.

Ps: Depois coloco algumas fotos e edito o que falta.

Aqui tem algumas.

Som do Lua da Semana – Ozzy Osbourne & Dweezil Zappa – Staying Alive

Já que o Youtube anda cheio de frescuras para postar um vídeo, vai via link mesmo.

O Som do Lua dessa semana (que era para ter entrado na quinta-feira passada) é a versão de Staying Alive, que se não é fantástico é, no mínimo curioso, de Ozzy e Dweezil Zappa, filho de Frank Zappa.

Curto muito Bee Gees, mas prefiro essa versão, que ficou bem irada.

E vocês, o que acharam?

Fonte: Papo de Homem