Indo embora de Recife, finalmente

Recife

Pois é, terminou minha estadia na Cidade do Frevo.

E querem saber? Não gostei!

O único dia que, teoricamente, teria alguma folga, choveu desgraça. No dia seguinte, sol.

Ou seja, a cidade não gostou de mim.

Normal, também não gostei dela.

As praias são vazias e, praticamente, ninguém mergulha, provavelmente com medo dos tubarões. A cidade inteira fede a esgoto e, por conta do excesso de propaganda e outdoor, há uma sensação de sujeira permanente.

Casa da Cultura, uma das poucas coisas que valeram a pena

Os nativos não são ruins, mas para arrancar uma informação é uma briga só, além de serem meio folgados e demorados com atendimentos ao público.

– O Extra é seguindo por essa rua?
– É sim.
– …
– E como faço para chegar até ele?
– É só seguir essa rua.
– Então tá.

Claro que não era só seguir a rua, tinha mais uns quatro quarteirões, além de dobrar ali e aqui. Ainda bem que não fui dependente das informações, senão me lascava.

De bom, só o Museu do Trem e a Casa da Cultura, onde só comprei um pedaço de pano.

Museu do trem, locomotiva da década de algum ano

Lembranças de “Estive em Recife e lembrei de você”, bonequinhos, areias em vidro, etc. são as mesmas em qualquer praia, só muda o nome dela.

Gostei das mulheres recifenses, não chegam aos pés das mineiras, mas são simpáticas, bonitas e muitos gostosas com corpões de dar inveja à muita paulista que se acha a tal. Só há uma enorme desigualdade de rostos, com algumas muito lindas e outras bem prejudicadas, mas isso é o de menos.

Enfim, minha estadia aqui não foi como esperava e, só volto aqui a trabalho novamente, pois não há nada muito diferente do que via em Guarujá, por exemplo. Se for para gastar energia, festa ou lazer no nordeste, tento a sorte em outra capital. Ou vou para outro país, que é mais certeza, pois parece que são todas iguais.

Bonito, mas choveu no dia de folga

Incrível que consegui ficar com saudades de São Paulo.

Amanhã encaro mais três horas de martírio no Itapemirim de asas e volto para a terra da garoa chuva apocalíptica.

Haja barrinha de cereais.

82 thoughts on “Indo embora de Recife, finalmente

  1. Caro Marcos, se serve de consolo já ouví as mesmas críticas em relação a Recife de umas 4 pessoas diferentes e que não se conhecem que viajaram para a cidade. Uma delas é um colega de serviço que todo ano viaja para algum lugar, e ele estava me contando da diferença que foi a viagem pelo Nordeste ano passado e a viagem para Buenos Aires esse ano… até dá para entender o motivo de nos chamarem de “macaquitos”.
    Quanto ao avião da viagem, uma companhia cujo nome lembra o pior carro fabricado nesse país, não poderia dar certo mesmo.
    Boa sorte e um grande abraço!
    Alê Bianchini

    • Já risquei Recife da minha lista de cidades para passear, só se for a trabalho novamente.

      Se eu visitar mais uma cidade nordestina e ela for igual, descarto todas as outras na hora.

      Quanto à Gol, sem comentário. Empresinha de merda. rs

      Abraços Alê

  2. Ahhhhhhhh Marcos faz favor né!
    Paulista reclamando de Recife? Fala sério né!

    Realmente a Cidade não gostou de você, percebi isso no seu texto, talvez você não seja o Naype dela, que Recife fede eu concordo, mas o Rio de Janeiro fede pra caramba tambem e ainda é a “Cidade Maravilhosa”. Informações em Recife? Concerteza vc teve azar pois não consigo nem comparar com as informações que recebi quando cheguei em São Paulo, coisas do tipo… me madarem eu pegar um ônibus quando meu destino estava a 50 metros de distância… nuuuussssa!(Prometi a mim mesmo a nunca mais pergunta nada a ninguem alheio)

    Quer conhecer Recife? Pergunta a Nara ou dá próxima vez me consulta que te dou o roteiro da galera Feliz!!kkkkkkkkk

    Talvez seu espirito de viajante não estivesse nos seus melhores dias, dai nem GEZUS ÇALVA!

    RECIFE é massa!
    Viva a Capital do Nordeste Brasileiro!!!

    • caro amigo surpreende suas declarações a respeito do nosso grande Recife, que é mil vez melhor do que sua cidade, se não vejamos:

      Ser Pernambucano é…: Ser acusado justamente de que somos os mais megalomaníacos dos brasileiros e de estarmos no topo de um tal de IGPM (Índice Geral de Pouca Modéstia). Ter a mania de dizer que tudo daqui é melhor! (e não é mermo???) Dizer de boca cheia que o Shopping Center Recife é o maior da América Latina; Falar também que o Chevrolet Hall é a maior casa de show da América Latina; Ter a maior avenida em linha reta do mundo – a Caxangá, no Recife;
      Ter a maior feira ao ar livre do mundo a Feira de Caruaru; Ter também o maior teatro ao ar livre do mundo – Nova Jerusalém, no município de Fazenda Nova, onde é encenada na Semana Santa o espectáculo A Paixão de Cristo. Ter a mais antiga sinagoga da América Latina – fica no Bairro do Recife, situado na ilha de Santo António ( Sem falar que foram judeus recém-saídos do Recife que migraram para os Estados Unidos e ali fundaram Nova York). Estar convencido de que é aqui em Recife que os rios Capibaribe e Beberibe se juntam e formam o Oceano Atlântico!!
      Achar a Torre de Cristal do Brennand a obra de arte mais bonita do mundo; Ter o maior paraíso do mundo e poder dizer com todas as letras: Fernando de Noronha é NOSSA! Saber que Recife é um dos grandes pólos de informática e de medicina do Brasil; Saber que O Galo da Madrugada é o maior bloco carnavalesco do mundo (conduz mais de 1,5 milhão de pessoas nas ruas do Recife), de acordo com o Livro dos Recordes; Ter orgulho do nosso São João que é o maior e melhor do universo; Ter O Diário de Pernambuco como o jornal mais antigo da América Latina; Saber que a primeira emissora de rádio da América Latina é a Rádio Clube de Pernambuco, que tem como slogan ‘Pernambuco falando para o mundo ‘; Dizer que Olinda se transformou recentemente na Capital Cultural do Brasil; Estudos da Fundação Getúlio Vargas, que aponta as características econômicas de cada região, mostra que somos mais eficientes no comércio (influência dos holandeses?); Passar um tempo fora, chegar na capital e cantar: ‘Voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço, quero ver novamente Vassouras na rua passando, tomar umas e outras e cair no passo…’ ; Ah… Fazer a maior festa de forma bem calorosa, ao encontrar um conterrâneo em outro estado ou país; Morar em outro estado ou país e não perder o sotaque pernambuquês; É encher o peito pra cantar: ‘.. eu sou mameluco, sou de Casa Forte, sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte…’; É ser original, alegre, receptivo e solidário. É você perguntar onde fica o local tal e ser bem orientado por qualquer pernambucano; É valorizar a cultura popular, apreciar suas belas praias, é ser um cabra da peste!!! É ser muito sortudo por nascer numa terra tão linda como essa. E fazer qualquer coisa por um taquinho de rapadura e/ou queijo coalho quando reside fora de Pernambuco; Se você reside fora do estado, é recomendar aos filhos que omitam o fato de serem Pernambucanos para não humilhar os colegas. É se arrepiar com o nosso hino como se fosse o hino nacional, é usar nossa bandeira com todo orgulho, é saber a riqueza de nossa história… Usar camiseta, boné, botton com a bandeira do estado (que aliás, é a mais linda do país); Saber cantar o Hino de Pernambuco em todos os ritmos: forró, frevo, maracatu. Enfim… é amar a nossa terra e defendê-la acima de qualquer coisa! Poder dançar um frevo em Olinda e se orgulhar em dizer que é nosso; Encher os olhos d’àgua com aquele sorriso no rosto e até se tremer de emoção só de falar do carnaval de Olinda… Saber distinguir entre o Maracatu do Baque Solto do Maracatu do Baque Virado; Poder ir ao Teatro de Amadores de Pernambuco, assistir Um Sábado em Trinta! Ir ao Recife antigo e pode constatar todo aquele patrimônio arquitetônico; Acreditar que Recife é mesmo a ‘Veneza Brasileira’; Amar as pontes e Rio Capibaribe do Recife; E as praias de Pernambuco? Boa Viagem, Piedade, Candeias, Gaibu, Paraíso, Calhetas, Carneiros, Porto de Galinhas… afe, é muita praia bunitinha!!! Jantar olhando para a lua incrivelmente cheia e linda nos bares e restaurantes na beira do rio Capibaribe ou da praia de Boa Viagem; Achar que Recife seria melhor se os holandeses tivessem permanecido e admirar Maurício de Nassau mesmo sabendo pouco sobre ele; É sabermos da nossa importância na construção da história desse país, da nossa identidade cultural. Do nosso passado fundiário, dos nossos engenhos de açúcar ; Dar mais importância ao Campeonato Pernambucano de Futebol do que qualquer Campeonato Nacional, pois futebol se restringe a rivalidades entre Náutico, Sport e Santa Cruz; Se você não sabe, pernambucano só torce por time de pernambuco; Ir ao Alto da Sé em Olinda apenas para ver Recife ao longe e comer tapioca; Ir prá Garanhuns, Triunfo, Gravatá… e se encher de casacos, luvas… independente do frio que esteja fazendo; E em Petrolina, com seu aeroporto internacional, e as belas ilhas, e praias da água doce do rio São Francisco, e o bodódromo, e as maravilhosas frutas e degustar os vinhos lá produzidos… e Jorge de Altinho: “e achava lindo quando a ponte levantava e o vapor passava no gostoso vai e vem, Petrolina!!!!…” Ficar sempre dividido entre as belezas das Praias de Porto de Galinhas e de Calhetas;
      Ouvir Alceu, Geraldinho Azevedo, Chico Science, Luiz Gonzaga, Lenine e outros tantos e poder dizer ‘São meus conterrâneos’ ; Chamar Reginaldo Rossi de Rei Rossi (Roberto carlos??? Sei la.. ); Achar que José Pimentel é a cara do Cristo; Ir pra o teatro assistir ‘Cinderela’ com Jason Wallace e se identificar com o sotaque e as gírias usadas no espectáculo; Freqüentar a praia de Boa Viagem em frente ao Acaiaca; Tomar um banho no mar de Boa Viagem mesmo com placas de advertência de tubarão em todos os lugares; E ir à Praia de Boa Viagem e tomar um ‘Caldinho Ele e Ela’ p/ curar ressaca, gripe e dor de corno; Adorar bolo-de-rolo e suco de pitanga; Saber a delícia que é um bolo de bacia com caldo de cana; Correr no Parque da Jaqueira e depois se empanturrar de caldo de cana na saída; Tomar um caldo de cana no centro da cidade Tomar café da manhã (macaxeira com charque) no Mercado da Madalena depois da noitada; Nunca usar artigo na frente de nome proprio: nada de A Maria, ou O Recife….
      Saber o significado das palavras ‘pirangueiro’, ‘pantim’, ‘mangar’, ‘oitão’, ‘atacar’ (abotoar), ‘lascou’ ‘pitoco’. . . Chamar Paínho e Maínha p/ visitar Voínho e Voínha; Falar visse no final de cada frase; Dizer: ‘É rocha !’ , ‘É porque não dá mermo’, ‘Di cum força’, ‘digaí’, ‘ta ligado!?’, ‘oxente’ ‘e pronto…’ entre outras… Defender o frevo, mas não fazer um passo sequer (apenas ‘dançar com os dedos’); Amar as pontes do Recife sem conhecer o nome de uma apenas; Preferir botecos a fast-food; Gostar de qualquer música que fale de sertão, mangue, etc.; Gostar de comer caranguejo; Ter orgulho de dizer que o sonho de todo cearense ou de todo baiano é ser pernambucano; Conhecer a estória de Biu do Olho Verde e da Perna Cabeluda;
      …Só quem é PERNAMBUCANO entende!…
      Botão de som é pitôco; Se é muito miúdo é pixotinho; Se for resto é cotôco; Tudo que é bom é massa ; Tudo que é ruim é peba; Rir dos outros é mangar; Ficar cheio de não me toque, frescura é pantim; Já faltar aula é gazear; Colar na prova é filar; Quem é franzino (pequeno e magro) é xôxo; O bobo se chama leso; E o medroso se chama frouxo; Tá com raiva é invocado; Vai sair, diz vou chegar; ‘Caba’ (homem) , sem dinheiro é liso; A moça nova é boyzinha; Pernilongo é muriçoca; Chicote se chama açoite; Quem entra sem licença emburaca; Sinal de espanto é ‘vôte’; Tá de fogo, tá bicado; Quando tá folgado, tá folote ou afolozado; Quem tem sorte é cagado; Pedaço de pedra é xêxo; Quem não paga é xexêro; O mesquinho ou sovina é amarrado, muquirana, mão de vaca, pirangueiro; Quem dá furo (não cumpre o prometido ou compromisso) é fulero; Gente insistente é pegajosa; Catinga de suor é inhaca; Mancha de pancada é roncha; Briga pequena é arenga; Performance ou atitude de palhaço é munganga; Corrente com pingente é trancilim; Pão bengala é tabica; Desarrumado é malamanhado; Pessoa triste é borocoxô, macambúzo; ‘É mesmo’ é ‘Iapôis’; Borracha de dinheiro é liga; Correr atrás de alguém é dar uma carrera; Fofoca é fuxico; Estouro aqui se chama pipôco; Confusão é rolo.É assim que acontece, visse?
      EITA TERRA ARRETADA DE BOA! VOCE PODE ATE TIRAR UMA PESSOA DE PERNAMBUCO, MAS NUNCA VAI CONSEGUIR TIRAR PERNAMBUCO DE DENTRO DE UMA PESSOA!

      • Ede, seu texto é primoroso. Peço até autorização para republicá-lo no blog.

        Eu não quis ofender Recife (ou Brasília, RJ ou SP), só coloquei minha opinião a respeito do que vi.

        Provavelmente tenha dado azar na minha visita (como dei sorte em Brasília) e tenha ficado com uma impressão não tão impactante.Mas, como disse, gostei da Casa de Cultura, do Museu de Trem e da mulherada que tem aí. E tomei banho na Praia de Boa Viagem, mesmo tendo vários avisos e apenas o teimoso aqui na praia.

        Há também o fator praia, como morei 13 anos em cidade de praia, tenho um certo pé atrás com cidades praianas.

        Abraços e, mais uma vez, ótimo texto.

      • que texto mais do que maravilhoso de uma genialidade impar vc é um deus que exalta com tanta sabedoria o nosso estado parabens

  3. Cara, como vc divulga suas ferias, estadia em Recife, na internet e pior ainda falando mal da cidade. Isso e falta de educacao, civilidade e sei la mais o q???!!!!!
    Se vc nao gosta de cidades praieiras, entao evite o blog, evite os comentarios…Te garanto moro em Boston?USA e vou ao Recife todos os anos de ferias, curto o carnaval, curto a FELICIDADE no rosto das pessoas, das praias, do lugar, das comidas, etc…Sabe porq???pOrq sou feliz, e vivo bem comigo e com minha vida…Tenho certeza q vc nao ta feliz com sua vida. OU no minimo tem complexo de inferioridade, qto a NATIVOS, Minas sua terra ou Sao Paulo tbm tem muitos indios, porq tudo e Brasil. Acho q vc e um dakeles reclamoes, porq no fundo vc nao e feliz na vida…Posi as pessoas qdo sao felizes, visitam os lugares e sempre buscam focar o positivo do luga, mas vc e o contrario, sabe porq??porqw vc nao e feliz fera…Procure uma terapia, e ou talvez va pra China la vc vai ver um pais bombando no desenvolvimento…Porq paulistas e mineiros, sempre estao em busca de lugares monotonos igual o quintal de suas casas..MONOTONOS!!!!CARA VC E UM CHATO!!!!procura um psicanalista e vai fazer uma terapia, pra nao chegar um ponto de vc se auto-odiar!!!!Porq ja esta se encaminhando pra isso , pro colapso ou suicidio total!!!!

    • Caríssimo Eddy, agradeço a visita e o comentário, mas acho que você deveria fazer um curso de interpretação de texto e de respeito pela opinião dos outros.

      Como disse, não odiei Recife, como choveu, dei o azar de pegar a cidade sem nada para fazer e, como morei anos em uma cidade praieira, não achei nada de diferente.

      Agora, já que você vive numa cidade de Boston e sempre dá um jeito de ir em Recife, pelo poderia respeitar a opinião dos outros ou experimentar outras cidades, já que Recife é tão boa para você.

      Enfim, não dá para evitar o blog, pois o mesmo é meu e coloco o que me dá na telha, se não gostou, paciência…

      Abraços e boa sorte aí nos states.

  4. Amigo,
    quem tem saudade de São Paulo, realmente não pode – nem deve mesmo – gostar do Recife, nem de qualquer outra capital do Nordeste.
    Vocês, paulistas, já nascem som a síndrome do mau gosto…e ainda andam com o nariz empinado, como se ainda fossem gente!!!

    José Ramos

  5. Pela primeira vez na minha vida vi alguem falar tao mal de um cidade! e pior sem justificativa…
    eu sou de Brasilia, a “capital federal” estou em recife a 2 anos e nao tenho nem saudade, e sim saudades apenas dos amiggos que ficaram pra traz…

  6. caro bonilha , quando se gosta se gosta e cest fini, mas cada cidade tem sua personalidade . este texto de gilberto freire pode ajudá-lo a compreender melhor nossa cidade . da próxima vez encontre um nativo nativo apaixonado como o ede para passar um pouco desta paixão para você ! qualquer outro texto sobre a cidade visite a biblioteca virtual gilberto freire e fundação joaquim nabuco, sem mais clausius .

    O CARÁTER DA CIDADE

    O viajante que chega ao Recife por mar, ou de trem, não é recebido por uma cidade escancarada à sua admiração, à espera dos primeiros olhos gulosos de pitoresca ou de cor. Nenhum porto de mar do Brasil oferece menos ao turista. Quem vem do Rio ou da Bahia, cidades francas, cenográficas, fotogenicas, um ar sempre dia de festa, as igrejas mais gordas que as nossas casas trepadas umas por cima das outras como grupos de gente se espremendo pra sair num retrato de revista, uma hospitalidade fácil, derramada – talvez fique a princípio desapontado com o Recife. Com o recato quase mourisco do Recife, cidade acanhada, escondendo-se por trás dos coqueiros; e angulosa, as igrejas magras, os sobrados estreitos. Cidade sem saliencias nem relevos que dêem na vista, toda ela num plano só, achatando-se por entre as touças de bananeiras que saem dos quintais dos sobrados burgueses; por entre as mangueiras, os sapotiseiros, as jaqueiras das casas mais afastadas.

    Outra impressão, bem mais alegre, é a do viajante que chega de avião e a quem o Recife se oferece um pouco mais. Só as grandes manchas d’água verde e azul dão para alegrar a vista. A nenhum porém, a cidade se entrega imediatamente; seu melhor encanto consiste mesmo em deixar-se conquistar as poucos. É uma cidade que prefere namorados sentimentais a admiradores imediatos. De muito oferecido ou saliente, ela só tem o farol.

    Sucede porém que raro é o viajante com o vagar ou a veneta para namoros tão demorados. Muitos saem do Recife com impressão única, monótona, das ruas claras, batidas de sol, das pontes modernas, da gente quase toda morena. Um outro Recife – aquele que o pirata inglês James Lancaster saqueou no século XVI, instalando-se em seguida nos armazéns de açúcar e obrigando os portugueses a puxarem carroças; onde no século XVII o Conde Maurício de Nassau, com seu sequito de homens louros – dos quais ainda se vêm descendentes – levantou o primeiro observatório astronômico na América, o primeiro jardim zoológico, e dois palácios à beira do rio, um deles – o de Vrigburg – cercado de coqueiros e das mais altas árvores dos trópicos; onde, no tempo do mesmo Nassau, floresceram pintores como Franz Post, cientistas como Piso e Maregraf, eruditos como pastor protestante Plante, Frei Manoel do Salvador e oo rabino Aboab da Fonseca; o Recife do primeiro centro de cultura israelita na América; da primeira assembléia política; cidade que por algum tempo reuniu a população mais heterogenea do continente – fortuna, cristãos novos, aventureiros, plebeus degredados, louros, morenos, pardos, negros – católicos, protestantes, judeus – portugueses, caboclos, flamengos, africanos, ingleses, alemães – fidalgos, soldados de gente das mais diversas procedências, credos, culturas que aqui se misturaram, fundindo-se num dos tipos mais sugestivos e brasileiros; o Recife das revoluções, dos crimes, das assombrações, das cabeças de padres ideólogos rolando pelo chão, dos fantasmas de moças nuas aparecendo a frades devassos dos papa-figos pegando meninos, dos maridos ciumentos esfaqueando mulheres, das serenatas de rapazes, pelo Capibaribe, nas noites de lua – todo esse Recife romantico, mal assombrado, passa desapercebido ao turista. E não que o turista, brasileiro ou estrangeiro, não queira saber dessas coisas para o maior número são traços de um grande interesse, capazes de enriquecerem enormemente a impressão que recolham da cidade. Mas como encontrar tais sugestões fora dos compendios de história, das publicações eruditas, dos livros grandes, solenes, de que todo viajante que se preza foge prudentemente, com as valizes tomadas pelos objetos de uso, pelos frascos de sais, pelos romances leves?

    Entretanto, o inglês que passar pelo Recife, ficará querendo mais bem a cidade depois que souber das aventuras, quase de romance de R.L.S., do seu compatriota, o pirata Lancaster, no Pernambuco do século XVI – no tempo em que o vilarejo, hoje capital do Estado, apenas começava a sair do meio dos mangues, das tocas de guaiamuns, para equilibrar-se nas pernas de pau das primeiras casas bambas, palhoças e armazens de açúcar; depois de se recordar de que no Recife esteve, por volta de 1830 o grande Charles Darwin, atraído precisamente pelo caráter especial da formação geológica dos rochedos do litoral. Sobre esses rochedos escreveu Darwin num ensaio: On a remarkable bar of sandstone of Pernambuco on the coast of Brazil. É verdade que o sábio deixou o Recife queixando-se não só da imundice das ruas e do sombrio das casas como da falta de “urbanidade” dos habitantes. Em duas casas, os moradores recusaram-lhe a passagem pelo fundo dos quintais. Mas é possível que o naturalista inglês, feio como era, tivesse feito medo às mulheres e crianças, horrorizadas talvez com as barbas e o cabelo grande do estrangeiro, num tempo em que por toda a Província era ainda enorme o pavor do Cabeleira.

    Fecha a porta Rosa
    Cabeleira eh-vem
    Matando mulheres
    Meninos também!

    Fonte: FREYRE, Gilberto. O Caráter da cidade. Diario de Pernambuco. Recife, 11 maio 1952.

  7. PEQUENO GUIA DA CIDADE DO RECIFE

    Os sábios que classificam as pessôas em introvertidas e extrovertidas poderiam classificar as cidades de modo semelhante. Pois, na verdade, enquanto umas se entregam ao primeiro olhar de turista empenhado em conquistar donjuanescamente paisagens, outras se escondem do curioso ou do estranho como se fossem umas mouras: mouras encapuçadas. O Recife é assim: cidade que antes se esconde dos admiradores que se oferece à sua curiosidade.

    Daí o turista precisar aquí de guia mais do que no Rio, por exemplo; ou mais do que na Bahia: outra cidade aberta e cenográfica. No Rio, mal o estranho chega à cidade, o Pão de Açúcar se ostenta à sua admiração, por um lado, e Copacabana, por outro, logo seguidos pelo alto da Glória, pelos verdes de Santa Teresa, pelos braços abertos do Cristo do Corcovado. A Guanabara não se faz de rogada: anuncia-se de longe como uma das mais belas bahias do mundo.

    No Recife, não: nenhuma igreja, nenhum morro, nenhum monumento, nenhuma bahia se apressa em oferecer-se à admiração do turista. É meio cego pelo excesso de luz – muito intensa no Recife – e meio cego pelo excesso de sombras em que as igrejas mais bonitas se escondem como se não quizessem ser vistas senão pelos seus devotos, que o turista tem que descobrir, seguindo a palavra de um guia idôneo ou vagando às tantas pelas ruas, os melhores encantos recifenses. Sendo tanto no exterior como no interior, uma das mais belas igrejas do Brasil e até da América, São Pedro dos Clérigos, por exemplo, é uma espécie de maria-borralheira entre suas irmãs: escondida num velho páteo de casas todas simples e sujas de velhice. Um velho páteo onde à noite ainda há quem venda pelas esquinas, peixe frito e tapioca.

    A Conceição dos Milagres é outra linda igreja do Recife que quase não se destaca dos sobrados burgueses seus visinhos para anunciar-se a igreja principesca que é, com expressões de arte barroca que ainda há pouco atrairam o entusiasmo de um historiador de arte – o Professor Mário Chicó – habituado a admirar o barroco em várias partes do mundo; e com umas pinturas no tecto, da Guerra Holandesa, que merecem a atenção do turista.

    A Capela Dourada é ainda outro interior principesco de igreja recifense que se esconde dos turistas; mas que o turista deve perseguir até surpreendê-la um dia em todo o seu esplendor. Num dia de casamento elegante ou de Primeira Comunhão, por exemplo. Como faz parte do conjunto formado pelo Convento de Santo Antônio e pela Ordem Terceira de São Francisco do Recife – o Convento de Santo Antônio comemorou em 1956 o seu 350º aniversário – o turista, ao visitar a Capela Dourada, visite aquele conjunto inteiro: é um dos mais históricos e, ao mesmo tempo, um dos mais artísticos do Brasil. Fica à Rua do Imperador: visinho de um Palácio da Justiça que é uma expressão do máu gosto que dommou a arquitetura civil no Brasil antes dos Le Corbusier dos Lúcio Costa e dos Oscar Niemeyer virem angèlicamente em seu auxílio. Na mesma rua está a Biblioteca Pública. Está o edifício do Jornal do Commercio um dos dois grandes jornais do Recife. Está a Secretaria da Fazenda. Está o Gabinete Português de Leitura. E nela ainda se vêem alguns bons sobrados antigos: dois ou três, de azulejos.

    Visite também o turista o Convento do Carmo: seus lindos jacarandás merecem alguma atenção. Fica no Páteo do Carmo, do qual se vai, da Rua Nova – uma das principais do Recife – pela Cambôa do Carmo, rua estreita, acolhedora e uma recordação dos dias em que o bairro de Santo Antônio era, no Recife, uma ilha cheia de cambôas, com a água fazendo sentir sua presença por toda a parte; e não apenas no rio. Na Cambôa está hoje um dos bons restaurantes do Recife, ainda novo mas quase rival do velho Leite que, na esquina da Rua da Concórdia, continúa a ser uma das melhores tradições do Recife. Caminha já para o seu centenário, oferecendo, como outrora, aos turistas a procura de sabores regionais, peixadas à moda de Pernambuco – a célebre “cavala perna-de-moça” que alguns entendidos consideram maravilha no gênero; lagosta fresca; e aos gulosos de dôces – pasteis e bons bocados preparados por um confeiteiro que é mestre da sua especialidade. Já que estamos no assunto, é bom o turista saiba haver neste mesmo bairro um mercado que é outra tradição recifense; e no qual, tempo de fruta, se encontrar, do mesmo modo que no Cais de Santa Rita, pouco acima do Grande Hotel, o famoso abacaxi pernambucano. Outras frutas dignas da atenção do turista que venha ao Recife em pleno verão pernambucano: a manga, o caju, o cajá, a carambola, o abacate, a mangaba, a jaca, o mamão, o jambo. A manga, do mesmo modo que o abacaxi, o mamão, o abacate, póde ser elegantemente saboreada como sobremesa fina. Outras frutas como o cajú e a mangaba, o turista deve preferí-las sob a forma de refrescos. Ou então de sorvetes. E há à Rua da Aurora uma sorveteria que já se tornou famosa pelos seus sorvetes de frutas pernambucanas, embora tenham êsses sorvetes os seus críticos: os que lamentam nêles o excesso de açúcar. Mas sendo ainda o Recife a capital do açúcar, é um excesso que o turista saberá desculpar nos recifenses – mesmo quando brasileiros de origem japonesa. Acrescenta-se que de goiaba se faz em Pernambuco um doce hoje fama mundial.

    Saiba o turista que o melhor peixe do Recife é a cavala perna-de-moça; o melhor abacaxi é o pico-de-rosa; a melhor manga para uns é a Itamaracá, para outros, a Rosa. É grande a variedade de mangas produzidas pelas mangueiras dos quintais do Recife e dos seus arredores. Mangas e manguitos. São célebres também seus cajús, seus sapotís e suas sapotas. Carambolas, goiabas, jambos, mamões, bananas, araçás, repita-se que são outras das especialidades do arvoredo que ainda cresce no Recife. Do interior o Recife recebe gostosas pinhas, de Caruarú, uvas sertanejas, mangabas de Prazeres. No Mercado de São José encontra-se queijo ou requeijão do sertão; e no Páteo de São Pedro há quem venda carne-de-sol, linguiça, choriço da terra.

    Gaiamuns há ainda quem se dê ao trabalho de engordá-los no fundo de velhos quintais nos clássicos caritós, onde depois de purgados são cuidadosamente cevados: é o que faz certo morador da Estrada dos Remédios, em cujo “reservado” e encontram hoje gostosas fritadas de gaiamuns, além de sururú e de peixe. Um cronista carioca, Carlos de Laet Neto, elogía muito a lagosta com cebolas e creme de leite que se serve em Bôa Viagem. Mas sem deixar de reconhecer as virtudes da lagosta ensopada com ovos que se faz no Leite; e da muito pernambucanamente servida com leite de côco – especialidade de pitoresco restaurante à Rua da Aurora. Esta aliás, é a mais recifense das ruas do Recife; e a lagosta talvez seja o mais recifense dos quitutes, com excepção do pitú. O célebre pitú do Rio Una, uma vez por outra oferecido pelo Leite aos seus freguêses de paladar mais exigente.

    Sobremesa muito do Leite é a “cartola”: queijo e banana, com açúcar e canela. É rival, como sobremesa típica dos recifenses, da tapioca molhada, (mandioca, leite de côco, açúcar e canela) que para ser ortodoxa, deve ser servida em verdes e frescas fôlhas de bananeira. Não é, entretanto, sobremesa de restaurante; e sim de residências particulares. Da do casal Antiógenes Chaves, por exemplo, que é o casal recifense que melhor recebe estrangeiros e brasileiros de outros Estados. Dôces feitos por excelente mestre português se encontram hoje numa confeitaria da Rua da Aurora. O turista não deve deixar de experimentar, dentre os sorvetes da terra, o de coração-da-Índia ou graviola. Água de côco há várias barracas perto do Hotel de Boa Viagem, que a vendem, aberto o côco na ocasião, podendo ser o chamado “catarro” ou a denominada “lama” saboreada além da água: é melhor que a água. Há vendedores de côco em algumas esquinas da cidade; e também vendedoras de tapioca, peixe frito, frutas: de ordinário negras ou mulheres de côr que já não se fazem notar pelos seus xales vistosos e pelos seus turbantes à moda bahiana. Vários são também os vendedores de vassouras e espanadores, de caldo de cana, de melado (mel de engenho), de ostras, de camarões, de carangueijos à corda, de verdura, que correm as ruas, despertando a freguesia com seus pregões.

    E há ruas do Recife – a Estreita e a Larga do Rosário, por exemplo – que parecem ruas do Oriente médio, tantos são os vendedores de bugigangas instalados nelas para a venda de frutas, espelhos, sandálias, alpercatas, camisas de meia, estampas de santos, gaiolas de passarinhos, miudesas. No mercado de São José encontram-se à venda, além dessas miudesas, fumo de rolo, queijo do sertão, rêdes de Timbaúba, quartinhas e potes de barro, os famosos folhetos de “histórias” regionais: aventuras de cangaceiros, proesas de “amarelinhos”, façanhas dos chamados “camões”. Às vêzes aparecem um cantador com sua viola; ou um cego-cantador; ou algum novo Ascenço Ferreira a recitar para os recifenses versos populares da gente do interior. Ascenço em pessôa poderá ser surpreendido – gordo, imenso, chapelão de matuto – em algum bar mais pitoresco da cidade, tomando já tarde da noite, sua cerveja gelada. Não deixe o turista de procurar ver o maestro Nelson Ferreira regendo no Português uma das suas orquestras recifenses. É show dos bons. Nelson e Capiba são os dois mestres da música carnavalesca do Recife. Interessante será também uma visita à Dona Santa: negra velha já de quase cem anos que continua a aparecer nos carnavais do Recife como rainha do melhor dos maracatús da cidade. E feliz do turista que conseguir fazer amizade com um dos filhos do babalorixá, há anos morto, Pai Adão; e conseguir dêle que organize um xangô com um pouco da ortodoxia e da arte que tornara célebres as funções daquêle velho, cujo único rival foi, no Brasil, Pai Martiniano, da Bahia. Ambos sabiam nagô; e haviam estudado na África. Mas ao contrário dos Joãsinhos da Goméa, escondiam-se dos curiosos.

    São várias as mouras encantadas que o turista pode passar pela Capital de Pernambuco e metrópole regional do Nordeste sem as descobrir. O que não significa que não haja no Recife encantos que não precisam de ser procurados. Mesmo sem guia, o turista descobre os rios: os dois rios recifenses com suas várias pontes. E mesmo sem saber distinguir do Capibaribe o Beberibe – que vem ao recife apenas para encontrar-se com o mar e cumprir assim uma obrigação de todos os rios – o turista não tarda em se sentir numa cidade formada por ilhas e quase-ilhas. Antes do seu encontro com o mar, deixa-se o meio boemio Beberibe enobrecer em rio oficial. Só depois de comtemplado todas as tardes pelo Governador do Estado, da varanda de um palácio à beira-rio, perde sua condição de rio para tornar-se água de oceano. Muda então de sexo à vista de qualquer curioso. O Palácio dos Governadores fica hoje quase no mesmo lugar em que no século XVII o Conde Mauricio de Nassau levantou com algum fausto seu castelo: a cavaleiro dos dois rios.

    O Capibaribe, porém, é, no Recife, um rio menos oficial que o Beberibe: antes de passar pelo Palácio do Govêrno, atravessa boa parte da cidade, ligando-se amorosamente aos quintais de muitas casas, aos sítios de muitos casarões, ao Hospital Pedro II, à Detenção, a muito sobrado: inclusive os da Rua da Aurora. Deixa-se ver por meninos doentes e por presos que nele põem suas esperanças de liberdade; em suas águas brincam garotos pobres; por elas descem, ao lado de barcaças cheias de tijolos, ioles de adolescentes esportivos.

    A Rua da Aurora é uma das ruas mais caracterìsticamente recifenses: talvez a mais recifense. É de todas, a mais cortejada pelo Capibaribe. Seu nome é poético. O turista não se esqueça em momento algum de que está numa cidade de poetas. Lembre-se de que alguns dos maiores poetas brasileiros de hoje são do Recife: Manuel Bandeira, Joaquim Cardozo, Mauro Mota, João Cabral de Melo, Carlos Pena, Carlos Moreira, Edimir Domingues, o velho Ascenço: o Ascenço Ferreira que, nascido no interior fez-se homem e tornou-se poeta no Recife. Daí nomes de ruas que parecem títulos de poemas: Aurora Sol, Saudade, Soledade, Amizade, Ninfas, Real da Tôrre, Rosário. Encanta-Moça é outro delicioso nome recifense: o do seu velho Aeroporto. Na Rua da Aurora está a Prefeitura. Está a Repartição Central de Polícia. Está o Palácio Joaquim Nabuco: a Assembléia do Estado. Está o Colégio – outrora Ginásio Pernambucano, onde no século XIX fizeram seus estudos secundários vários brasileiros eminentes. Um dêles Epitácio Pessôa, que foi aluno gratuito da instituição – instituição bem recifense no seu modo generosamente materno de vir servindo ao Norte inteiro do Brasil; e não apenas a Pernambuco. Servindo, educando, instruindo. É também o caso da Faculdade de Direito – hoje parte da Universidade do Recife – cujo palácio, inaugurado em 1911, o turista deve visitar, sem deixar de prestar homenagem à memória dos juristas que enobreceram o passado da velha Escola, fundada em Olinda e alguns anos depois transferida para o Recife. Alguns desses sábios – Tobias Barreto, entre outros – estão imortalisados em bustos, espalhados pelo jardim da ilustre academia. Uma estátua glorifica Martins Júnior. Um busto de jovem recorda o martírio de Demócrito de Sousa Filho – estudante de Direito que morreu assassinado na tarde de 3 de Março de 1945 quando, com outros bravos, reavivou com seu sangue e com seu brio uma das tradições mais recifenses: a do amor à liberdade e a do horror aos tiranos. Tradição vinda das revoluções de 1817, de 1824, de 1849. Vinda de mais longe: da expulsão dos holandeses no século XVII.

    Outras instituições recifenses há longos anos – alguma há mais de século a serviço do Brasil – especialmente do Norte e do Nordeste do Brasil e não apenas de Pernambuco, são: o Teatro Santa Isabel – célebre pelo seu passado como o teatro onde se fizeram aplaudir alguns dos maiores artistas europeus que visitaram o Brasil no século XIX; célebre pelos discursos que aí proferiu na campanha abolicionista o grande brasileiro do Recife que foi Joaquim Nabuco; e notável também como arquitetura: obra do francês Luis Léger Vauthier; a Escola Normal do Estado – onde madrugou, no país, o moderno estudo de Sociologia acompanhado de pesquisa de campo; a Santa Casa; o Hospital Pedro II; o Horto de Dois Irmãos; o Instituto Arqueológico, hoje instalado à Rua do Hospício, com preciso museu histórico que merece a visita do turista; o Hospício da Tamarineira – reformado pioneiramente por Ulysses Pernambucano de Melo; o Hospital Português; o Hospital da Jaqueira; o de Santo Amaro; o Liceu de Artes e Ofícios; o Colégio de São José; o Colégio das Damas Cristãs; a Academia Pernambucana de Letras; o Colégio Salesiano; os dois Colégios Americanos; o Colégio Nóbrega; os Colégios Maristas; a Escola de Engenharia (onde ensina o matemático Luis Freire); o Diário de Pernambuco – fundado em 1825 e o jornal mais antigo em circulação não só no Brasil como na América Latina. Não nos esqueçamos do Cemitério de Santo Amaro do Recife, traçado também por Vauthier, onde se acham sepultados vários brasileiros ilustres – José Bento da Cunha Figueiredo, Joaquim Nabuco, José Mariano, Martins Júnior, Rosa e Silva, Estácio Coimbra, Manuel Borba. Perto do Cemitério de Santo Amaro está o Cemitério dos ingleses. Nele se acha sepultado o General Abreu e Lima. Os ingleses têm também no Recife, desde o começo do século XIX, capela própria, de rito anglicano.

    Dentre as instituições recifenses – ou situados no Recife – que nos últimos anos vêm se juntando às antigas, como centros de cultura a serviço da Região ou do país inteiro – e não apenas do Estado de Pernambuco – devem ser destacados: a Faculdade de Medicina; a Universidade Rural; três Faculdades de Filosofia; o Museu do Estado – fundado por Estácio Coimbra, quando Governador de Pernambuco; o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais; o Sanatório Recife; o Centro Regional de Pesquisas Educacionais; a Escola de Química; o Instituto de Anti-Bióticos; a Escola de Belas Artes; o Instituto Osório de Almeida; o Instituto de Micologia; o Instituto Agronômico; o Instituto Ageu Magalhães; a Escola Ulysses Pernambucano; o Conservatório; o Museu de Arte Popular; a Escolinha de Arte; a Associação Cristã Feminina; o Teatro de Amadores; a Escola de Enfermagem; o monumental Hospital Barão de Lucena – um dos mais modernos e vastos do País e que representa a capacidade de realização de um homem do Nordeste da mesma fibra de Delmiro Gouveia: José Pessôa de Queiroz. São instituições de interêsse para o turista que deseje se inteirar das atuais atividades culturais do Recife. Ao turista dessa espécie talvez interesse também a informação de reunir hoje a capital de Pernambuco um dos melhores grupos brasileiros de pintores, alguns dos quais com ateliers que podem ser visitados: Fedora e Vicente do Rêgo Monteiro, Manoel Bandeira, Lula Cardoso Ayres, Francisco Brennand, Aloisio Magalhães, Elezier Xavier, Ladjane Bandeira, Tilde Canti, Baltazar da Câmara, Mário Nunes, Ivan Carneiro, Murilo Lagreca, Reinaldo, Abelardo da Hora – êste mais escultor que pintor. Há na Rua Amélia uma casa onde se acha instalado o Gráfico Amador: reduto de jovens artistas e intelectuais que aí se reunem para aventuras experimentais não só em pintura e literatura como em artes gráficas. Um dos frequentadores do Gráfico Amador é o escritor Ariano Suassuna, autor de O Auto da Compadecida: revelação de um talento novo de teatrólogo que atraiu para o Recife a atenção do Brasil inteiro. Outro é o pintor e antigo gerente de banco Artur Goulart. Ainda outro, o contista Gastão de Holanda. De Francisco Brennand não nos esqueçamos que vem sendo no Recife um arrojado e honesto experimentador em pintura em azulejo, em cerâmica, em porcelana: especialidade em que seus triunfos são já notáveis. Dele é um mural lìricamente campestre, que se junta aos mais acentuadamente regionais e folclóricos de Lula Cardoso Ayres, para dar à Estação do Aeroporto do Recife o seu principal atrativo artístico: anima o seu interior de sugestões recifenses de forma e de côr que, infelizmente, faltam ao exterior. De Lula Cardoso Ayres – talvez o maior mestre brasileiro na arte do mural – vêem-se também murais, cujos temas sempre recifenses sem que seu regionalismo degenere em caipirismo, no Cinema São Luiz, no Grande Hotel, no Caxangá Golf Club. Infelizmente, mãos irresponsáveis apagaram outros murais que deveriam atrair hoje a atenção do turista de gôsto que viesse ao Recife; o pintado por Di Cavalcanti para a Brigada Policial do Estado, no Derby; o pintado por Cícero Dias, para a Secretaria da Fazenda; o pintado por Hélio Feijó para o Grande Hotel. De Cícero Dias são vários os particulares – um deles o advogado Antiógens Chaves, no seu palacete da Rua Amélia – que possuem pinturas da fase mais intensamente recifense do grande pintor-poeta: aquela em que sua pintura se especializou em evocar formas e côres regionais – engenhos, sobrados, banhos de rio, iáiás de cabelos soltos, mulatas nuas, famílias de luto – dando-lhes a mesma universalidade que os inglêses nos seus romances e nos seus poemas sabem dar aos assuntos mais intimamente britânicos. Há também quem possua, além de Cíceros, de Aloisios e de Vicentes moderníssimos, paisagens recifenses de Teles Júnior: o mais recifense e o mais clássico dos velhos mestres da pintura de quem se vê um busto no segundo Jardim da Avenida Boa Viagem. Dele várias pinturas podem ser admiradas no Museu do Estado onde também encontrará o turista toda uma boa coleção de gravuras e litografias do Recife antigo: a antiga Coleção Baltar, adquirida para o Estado por Estácio Coimbra, quando governador de Pernambuco. No mesmo Museu se acham antigos móveis caracterìsticamente pernambucanos; imagens de santos; joias das usadas no tempo do Império pelas fidalgas da então opulenta Província. São parte da Coleção Braz Ribeiro, adquirida há anos pelo Estado. Em edifício anexo ao principal – que foi residência de família sinhá, isto é, fifalga, do século XIX, se acha a coleção etnográfica Carlos Estêvão. No Horto de Dois Irmãos há um interessante pequeno museu: o de cerâmica popular organizado pelo colecionador Abelardo Rodrigues em cuja residência se encontra a melhor coleção brasileira de imagens barrocas. De outro Rodrigues – Francisco – é outra valiosa coleção particular organizada por homem do Recife: de fotografias antigas de gente pernambucana.

    Não deixe o turista de visitar o museu, ainda em começo, mas já muito interessante, do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisa Sociais, num velho casarão do Caldereiro, notável pela sua arquitetura. É um começo de museu etnolográfico e de história social, especializado em recordar o passado e documentar a formação do Norte agrário do Brasil; e onde se encontram desde banheiras de mármore, usadas pelos nababos antigos da região, para seus banhos senhorís; até ex-votos de gente rústica em tôrno de assuntos humildemente rurais: patas de cavalo, casco de boi, espigas de milho. Ao lado do museu se acha um jardim ecológico, com as principais plantas ligadas à economia, à vida e à mística da região: desde a cana de açúcar à maconha; desde o pau-Brasil à mangueira que, importada da Índia, encontrou em Pernambuco meio quase igual ao nativo. Outro jardim ecológico, êste de caráter acentuadamente didático, é o que, seguindo o exemplo do Instituto Joaquim Nabuco, o Professor Ernesto Silva inaugurou no Colégio Estadual, à rua da Aurora.

    Se o turista se interessa pela natureza regional, dedique uma manhã ou uma tarde ao Horto ou Parque de Dois Irmãos, onde encontrará muita planta da terra, formando quase uma mata. Também encontrará em lugares que põem o turista a resguardo de qualquer agressão, sem serem entretanto os animais conservados em jaulas ou gaiolas, bichos selvagens da região: cobras, jacarés, onças. E uma variedade de aves: estas, é claro, engaioladas. O que sucede também a alguns dos macacos. A alguns porque outros vivem soltos e livres numa pequena ilha do Horto de que são senhores.

    Outra excursão às fronteiras ainda agrestes da cidade que o turista poderá fazer numa clara manhã de sol em que se sinta esportivamente atraido para o contacto com a natureza tropical será ao recanto – até há pouco tempo, terra de engenho – em que está sendo levantada a Cidade Universitária: esfôrço de um homem de oitenta anos que se conserva espantosamente jovem de espírito – o Reitor Joaquim Amazonas. Já alguns edifícios estão de pé. Outros, em construção. Breve, todo um conjunto de escolas e laboratórios dará à antiga terra de engenho banguê um aspecto novo e festivo, com centenas de moços e de moças a frequentarem aulas universitárias, sob os encontros de uma paisagem docemente pernambucana. Aliás grande parte da hoje cidade do Recife está levantada em terras outrora de engenhos de moer cana: a cidade foi obrigando os canaviais a se afastarem. Um dos últimos engenhos a resistir como um dom Quixote à Cidade triunfante chamava-se significativamente Poeta; e em suas terras está hoje o Caxangá Golf Club.

    Alguns urbanistas – e não sómente alguns poetas – lamentam que o mato não tenha oferecido no Recife maior resistência à ocupação dos espaços verdes pelos edifícios urbanos. Faltam hoje à cidade parques ou jardins-parques que, como os de Madrid, dêem ao próprio centro da cidade sombras de árvores verdadeiramente acolhedoras. Êrro antigo difícil de ser corrigido pelos recifenses de hoje. Mesmo assim o turista achará onde refugiar-se de um sol mais forte ou de uma luz mais crua, pedindo ao primeiro chofer que o leve ao Treze de Maio – jardim quase porque onde breve se levantará a cabeça em bronze do poeta recifense Manuel Bandeira, trabalho do escultor Celson Antonio. Outros jardins – alguns organizados por Mestre Burle-Marx, no tempo do sr. Carlos de Lima Cavalcanti, Interventor Federal; vários, pequenos porém úteis, recuperados ou abertos pelo Professor Gonçalves Fernandes, quando Diretor do Bem Estar Público nos dias do Médio Djair Brindeiro, Prefeito do Recife; ainda outros, do tempo de Sérgio Loreto, Governador do Estado – refrescam hoje a cidade. E não nos esqueçamos do traçado pelo mesmo Burle-Marx para o novo Aeroporto do Recife: iniciativa do atual Prefeito, o Engenheiro Pelópitas Silveira, a quem se deve também o ajardinamneto do largo de Dois Irmãos. Dentre os mais velhos restam o da Praça da República – outrora Campo das Princesas – o da praça Maciel Pinheiro – em tôrno de uma bonita fonte – o da Praça Dezessete também enobrecido por uma fonte antiga; o da Praça Artur Oscar; êste no bairro do Recife propriamente dito. Um bairro onde estão os bancos mais antigos, a Delegacia Fiscal e a Western Telegrafh, a Associação Comercial; e por ser o bairro do cais, a Capitania dos Portos, o Moinho Recife, a Administração das Docas, Domina a Administração os vários armazéns onde carregam e descarregam vapores, para os quais o pôrto parece ter se tornado pequeno. Aqui também se acha um Ship-shandler tradicional. Foi por muito tempo do velho Ayres – um inglês do tempo da Rainha Vitória, de enorme bigodes imperiais; continuado pelo filho, o gordo, róseo e amável Jack, anglo-pernambucano que até à morte encarnou no Recife o espírito da “Merrie England”. Também neste bairro, à Rua do Bom Jesus, continúa de portas abertas a mais velha botica do Recife: a Francesa; e refugiado num velho sobrado, o British Town Club, onde o turista guloso de feijoada poderá travar conhecimento, entre goles de bom uisque, com o maior mestre recifense de culinária pesada. É êle um dos sócios mais distintos do Club, embora conhecido pelo apelido pouco cerimonioso de “Cobrinha”. Se o turista conseguir participar de uma feijoada preparada por Mr. “Cobrinha”, poderá considerar-se um turista feliz.

    Vários são os clubes elegantes no Recife de hoje: o Internacional, que é o mais antigo e gaba-se com inteira razão de ser o mais nobre com uma boa séde na Magdalena, bairro até o comêço do século atual, de muita residência senhorial, das que – o caso também das de Ponte d’Uchôa, do Poço da Panela, do Monteiro, dos Apipucos, de Caxangá (lugares, outrora, alegres, de “passamentos de festas”, com banhos de rio, danças, pastorís, mamulengos) – davam a frente para o Capibaribe; o Iate (à beira do Capibaribe e dono de lanchas nas quais o turista poderá subir e descer o rio, penetrando por um Recife deliciosamente íntimo, que só pode ser visto por quem descer ou subir o rio); o Cabanga; o Náutico; o Sport; o Country Club; o Caxangá Golf; o Português com uma séde bem situada e famoso pelas suas comemorações do São João; os dois da Marinha – Maroim e Mariscos; o do Exército. Pois não se esqueça o turista de que o Recife é base naval importante; base aérea igualmente importante; e séde de uma vasta Região Militar – bases e Regiões por cujo comando têm passado figuras das mais notáveis das Fôrças Armadas da República. Quanto às comemorações de São João pelo Clube Português são apenas um aspecto dessas comemorações na capital de Pernambuco, cujas ruas de subúrbio ainda se enchem de fogueiras na noite em que o santinho-menino é festejado pelos seus devotos recifenses com muitos vivas e muitos fogos. Exatamente como há 20 anos, quando o cronista Braga as conheceu. Entretanto, talvez a grande devoção dos recifenses seja a que dedicam a Santo Antônio: objeto de muito promessa no seu Convento Franciscano à Rua do Imperador. A Padroeira da Cidade é Nossa Senhora do Carmo (Convento dos Carmelitas). A Padroeira do Comércio do Recife é Nossa Senhora da Penha (Convento dos Capuchinhos).

    Há no Recife sinagoga; há uma Igreja Anglicana já antiga; há lojas maçônicas; há centros espíritas; e em várias igrejas evangélicas Deus é adorado através da Bíblia e de hinos contados numa voz já docemente brasileira: sinal de que o evangelismo vem sendo assimilado pelos seus adeptos recifenses em vez de conservar-se aqui estrangeiriço ou exótico. Aliás, o Recife foi um dos pontos da América onde, ao lado do Catolicismo, madrugou no século XVII o Cristianismo evangélico; e o burgo do continente onde não só principiou o culto israelita como começou a literatura judaica no Novo Mundo, em poema aqui escrito por Aboab da Fonseca. Houve cemitério israelita nos Coelhos. E o autor do primeiro poema brasileiro – a Prosopopéia – escrito em Pernambuco no século XVI parece que era cristão-novo.

    Quanto aos cultos afro-brasileiros – os chamados xangôs – estão hoje em declínio. O último grande babalorixá da cidade foi Pai Adão, que estudara sua teologia em Lagos, na África e falava o nagô sagrado, aprendido com africanos. Seus continuadores são bem menos ortodoxos. Mais ainda cantam de oitiva bonitos cantos e dançam de memória, bonitas danças das que os negros velhos sabiam os segredos e os significados.

    Feliz será o turista se, particularmente interessado na história da cidade, conseguir ganhar a simpatia do mais velho historiador recifense: o secretário perpétuo do Instituto Arqueológico. Seu nome é Mário Melo. O Professor Mário Melo. Sua idade: além dos setenta. Mestre Mário contará ao turista que o Recife, ainda aldeia, foi invadida por piratas: por fancêses de volta do Rio de Janeiro e por um inglês chamado Lancaster que saqueou armazéns e obrigou portuguêses – então donos do Brasil – a puxas carroças cheias de caixas de açucar, tendo sido assim os primeiros “burros sem rabo” no País. Catará ao turista o que foi – assunto hoje dominado em todos os seus aspectos por um jovem e já notável Scholar recifense, com estudos diretos nas fontes, isto é, os arquivos holandêses e que é o Professor J. A. Gonçalves de Melo, autor de um livro digno da atenção do turista interessado no passado recifense: Tempo dos Flamengos – o domínio dos holandêses. A “reação pernambucana”. O govêrno liberal do Conde Maurício: um conde esclarecido que trouxe para o Brasil pintores e sábios; e que fez traçar para o burgo o primeiro plano de urbanização que parece ter tido a América: tanto a do Sul como a do Norte.

    Poderá o turista aprender com os historiadores o que foi, no século XVII, a luta entre os chamados fidalgos de Olinda e os chamados “Mascates”. O que foi no Recife a Revolução de 17, seguida pela de 24. O que foi na capital de Pernambuco, a Revolta Praieira. Poderá conhecer, por intermédio dêles, figuras de patriotas, de heróis, de mártires: o Padre João Ribeiro, Frei Caneca, Nunes Machado. Poderá inteirar-se do que foi no Recife o movimento de 1911: a campanha do “Salvai, salvai, querido general” ao som da Vassourinha. O já referido Mário Melo é muito homem, para, tempo de Carnaval, passar da evocação de patriotas e de revoluções recifenses à iniciação prática do turista nas expressões mais folclóricas do carnaval popular – o carnaval de rua – da cidade: o “frevo”, o Maracatú de Dona Santa, os Caboclinhos, o Clube das Pás, o Lenhadores o Vassourinhas. O que fará obrigando o turista a, antes de qualquer iniciação em passos de dança, alegrar-se com uns goles de bate-bate: um recifense bate-bate feito com cachaça velha e maracujá. Destaque-se do Carnaval do Recife que vem sendo há anos animado pela Prefeitura, que tem atualmente no seu diretor de Documentação e Cultura um fiel defensor dos valores recifenses: o Sr. Césio Rigueira Costa.

    Com outros intérpretes do Recife poderá o turista aprender segredos recifenses que não lhe saberá contar Mestre Melo ou Mestre Rigueira. Mestre Aníbal Fernandes, por exemplo, que sendo um erudito é também um artista. Êste vem sendo há uns bons quarenta anos o cronista por exelência do Recife: da vida, das transformações, dos progressos, disso que os pedantes chamam a “evolução”, da cidade. Ninguém mais amoroso do Recife – onde aliás não nasceu: nasceu em Nazareth da Mata – do que Mestre Fernandes. Ninguém mais inteligentemente preocupado com os problemas da cidade. Graças a êle, tem se evitado ou se atenuado muitas descaracterização da capital pernambucana. Muito ultraje às igrejas. Infelizmente, não conseguiu evitar a destruição da Igreja do Corpo Santo e dos Arcos: era simples rapazelho quando aconteceu êsse horror. Mas desde então tem pelejado na defesa das melhores tradições e dos mais puros interêsses recifenses com uma bravura que o recomenda à gratidão da cidade.

    Gratidão que nem sempre tarda. O poeta recifense, felizmente ainda vivo, Manuel Bandeira, vai breve ter o seu busto num recanto do Jardim Treze de Maio: bem próximo do novo edifício do Instituto de Educação. (êsse edifício é hoje um dos encantos do Recife e se deve ao esfôrço conjugado de dois educadores notáveis: Anísio Teixeira e Aderbal Jurema. Vem recebendo elogios de estrangeiros ilustres como Mr. Aldous Huxley e o Professor Herbert Frankel, da Universidade de Oxford). Nem sempre porém aquela gratidão se tem feito sentir. O Recife deveria ter já erguido uma estátua de Maurício de Nassau – conde alemão do século XVII que tanto soube amá-la e serví-la. Outra, de Vauthier: engenho francês que na primeira metade do século XIX dedicou-se por algum tempo de corpo e alma à urbanização do Recife. Ainda outra, do primeiro Mamede: o construtor do Hospital Pedro II, da Detenção, do Ginásio. Bustos de Frei Vital, Barbosa Lima, o Velho, Oliveira Lima, Nunes Machado, Otávio de Freitas, Alfredo de Carvalho, Pereira da Costa, Artur Orlando, Ulysses Pernambucano, Saturnino de Brito. Saturnino foi o sanitarista que dotou o Recife do seu moderno e por algum tempo exemplar serviço de água e de esgôto. Há estátuas no Recife levantadas pelos recifenses a alguns dos seus benfeitores. Já nos referimos a algumas. Devem ser lembradas também a do Conde da Boa Vista, perto do Palácio do Govêrno; a de Joaquim Nabuco – talvez o maior recifense de todos os tempos: grande pelo talento, pelo caráter e pelo próprio físico de homem virilmente belo – na praça que tem o seu nome. Bustos, além do de Teles Júnior, existem os de Oswaldo Cruz e Amaury de Medeiros (no pequeno jardim em frente ao Departamento de Saúde e Assistência), o de Farias Neves (perto da Escola Normal), o de José Mariano, no Poço da Panela perto do casarão onde morou o famoso abolicionista e onde brincou menino o futuro “poeta das cigarras”, Olegário Mariano. Há no Arraial um monumento que recorda a resistência brasileira aos holandêses em terras hoje do Recife. Um trecho dessas terras será breve parque municipal e talvez playground para crianças pobres, graças à feliz idéia do Prefeito Pelópidas Silveira de desapropriar o velho Sítio da Trindade. Note-se a êste propósito que o Recife foi pioneiro no Brasil em matéria de playground: antecipou-se neste particular a São Paulo. A iniciativa foi de um bom e hoje esquecido prefeito, Costa Maia, por sugestão de um Jornal da época (1928): A Província.

    O Recife – por muito tempo vila – só é cidade desde 1823 e capital de Pernambuco, apenas desde 1827. De Olinda, a antiga capital, o pernambucano de hoje se sente uma espécie de neto, quase não sabendo separar a cidade-avó da materna Recife. E estará incompleto todo aquele brasileiro de outro Estado ou o estrangeiro de qualquer procedência que visite o Recife, deixando de ir ver Olinda: há mais de século, doce burgo de igrejas históricas e velhos conventos, cheios de recordações da época colonial; e perto da qual, precisamente em terras onde no século XVII se ergueu o Engenho de Jerônimo de Albuquerque, vem se desenvolvendo a moderníssima indústria da fosforita. Contrasta Olinda com o Recife por ser uma cidade de morros e de praias, enquanto o Recife, tendo também lindas praias sombreadas, como as de Olinda, por coqueiros um tanto românticos, é uma planície em que a água doce está sempre a fazer sentir sua presença de várias e surpreendentes maneiras: em rios, em riachos, em canais. Daí ser conhecida por “Veneza Americana”.

    Morros, só há no Recife pequenos e despretenciosos. Entre êles, o de Nossa Senhora da Conceição – cuja festa, a 8 de dezembro, atrai muitos devotos – e o de Dois Irmãos. Num dos altos de Dois Irmãos, o dos Apipucos, está há meio século a Casa Provincial dos Irmãos Maristas. É um alto de onde se vê grande parte da cidade; e se surpreende sua transformação de burgo até há pouco um tanto colonial no seu aspecto num conjunto de arranha-céus modernos, embora nem sempre caracterizados pela elegância das formas. São arranha-céus nos quais vivem ou trabalham hoje não poucos dos quase 800.000 habitantes do Recife. É pena que seus arquitetos não se venham inspirado – como faria um Lúcio Costa e como vai fazer Henrique Mindlin, encarregado de levantar a nova séde de um banco já tradicional da cidade – nos velhos sobrados, altos e esguios, quase sempre revestidos de azulejos e de feito evidentemente norte-europeu, que outrora deram a à atual capital de Pernambuco aquela fisionomia “única” entre as cidades do Brasil, notada pelo geógrafo alemão Brandt: singularidade para a qual pensam alguns estudiosos do assunto ter contribuido a presença holandêsa em Pernambuco. Eduardo Prado – o brasileiro mais viajado do seu tempo – foi do que logo se apercebeu no Recife: de alguma coisa de não – ibérico que os holandêses teriam deixado na cidade. O que não significa que tivessem afastado o Recife, em qualquer ponto essencial, da tradição ibérica e Católica a que o Brasil inteiro pertence não exclusivamente, mas pelo que há de decisivo em sua cultura ou em sua civilização, enriquecida cada dia mais pelas contribuições de povos e de civilizações diversas. Inclusive – o próprio Recife que o diga – pela arte dos Japonêses: pela sua arte de horticultores. A êles se deve a presença, nos mercados do Recife, de um novo tipo de melão pequeno e doce, que é uma delícia de fruta refrescante: ideal para ser saboreada no trópico.

    O Recife é cidade cosmopolita. Está sempre a receber influências de várias partes do mundo: do Oriente, da Europa, dos Estados Unidos. Foi burgo holandês. Chegou a ser uma das cidades mais afrancesadas do Brasil. Também uma das mais anglicisadas. Foi com Tobias Barreto um centro intenso de germanismo: germanismo na jurisprudência, na filosofia, nas letras. Durante a 2ª Grande Guerra foi Base Americana.

    Há no Recife uma Sociedade Cultural Brasil-Estados Unidos. Uma Associação de Cultura Franco-Brasileira. Uma Sociedade de Cultura Inglesa. Um Instituto de Cultura Hispânica. Uma Associação Cristã Feminina. Outra de girl-scouts: Bandeirantes. Há um Clube Alemão. Um Clube Israelita. Um Clube Sírio-Libanês. Há consulados, com consules de carreira, da Argentina, dos Estados Unidos, da França, da Itália, do Uruguai. Vice-Consul do Reino Unido. Representante de várias outras nações antigas.

    Há no Recife Western Telegraph e Italcable. Várias estações de rádio. Vários grupos de amadores de teatro que representam peças de autores estrangeiros, além de dramas ou comédias nacionais e regionais – destas se destacando as de Cavalcanti Borges. Há uma Sociedade de Cultura Musical que uma vez por outra traz ao Teatro Santa Isabel um pianista ou um violinista estrangeiro de renome. Bôa música de igreja – canto gregoriano, canto polifônico, canto sacro popular.

    Há um Jockey Club, com boas corridas aos domingos. Vários clubes de foot-ball. Há clubes onde se joga tennis, volley, golf e outros jogos elegantes: o Country, o Caxangá Golf, o Sport. Mas quem quizer praticar o seu próprio sport, pode pescar pachorrentamente à beira mar. Há quem à noite goste de sair de tocha pelos arrecifes à procura de lagosta. Nos arrecifes também se encontram povos, dos quais se preparam quitutes que rivalizam com os ensopados de lagosta. Para além dos arrecifes pode-se fazer pesca submarina: especialidade, nos domingos e dias santos, de um grupo de recifenses ilustres, um dêles, admirável mestre brasileiro de cirurgia, conhecido e respeitado na Europa. Outro, conhecido psiquiatra, tem barco a vela. Ilustre cientista do Recife e aqui residente, com renome no estrangeiro, é o químico que dirige o Instituto de Anti-Biótiocos; este é dextro no box. Ainda outro, o diretor do Instituto Osório de Almeida. Mas voltemos aos esportes, para destacar que um dos mais agradáveis nas águas do mar do Recife é jangada-sailing, isto é, sair o turista de jangada pelas águas além dos arrecifes – é claro que sob os cuidados de um jangadeiro idôneo. Foi o que fez John Dos Passos quando esteve no Recife de onde, ao sair, escreveu a um amigo recifense que deixava esta parte do Brasil encantado com as jangadas e cheio de admiração pela perícia dos jangadeiros. Também pela arte popular de cerâmica e da madeira talhada que admirava nas velas igrejas.

    Cidade quase-ilha ou quase-arquipélago, levantada entre a água do mar e a mata tropical, compreende-se que o Recife se faça notar por êstes valores: águas, mata, arte de talha, arte de cerâmica, pontes, sobrados altos, jangadas, culinária em que dominam o peixe, a lagosta, o camarão, frutas, importações da Europa, do Oriente, dos Estados Unidos.

    O pôrto do Recife, sendo um dos mais modernos, continua, no seu aspecto comercial e humano, um dos mais românticos do Brasil. Nele estão sempre a descarregar e a carregar navios dos quais se desprendem os mais vários odôres: odôres de Oriente, da África, da Europa, da América do Norte, da Amazônia. Odôres de madeiras importados do Pará. De tratores e de máquinas “made in USA”.

    De instrumentos de ótica importados da Alemanha. E no Japão e ainda com o cheiro de graxa das fábricas maternas. De bicarbonato de amônio vindo da Polônia. De goma loca, vinda da Holanda. De arroz, feijão e vinho do Rio Grande do Sul. De bacalhau chegado da América do Norte (ao qual se vem juntando ultimamente o peixe sadio e barato que os barcos japonêses de pesca vêm fornecendo ao recifense médio). De azeite espanhol. De castanhas portuguêsas. De cebola do Rio de Janeiro. Também de açúcar pernambucano a caminho da Inglaterra. De abacaxí, para a Argentina. De óleo de mamona e lagosta para os Estados Unidos. Muitos dos lobos do mar estrangeiros desembarcam no Recife sôfregos pelas frutas e alguns pelas mulheres da terra; vários por fumo preto; um ou outro, pela maconha, que, sendo proibida, é adquirida pelos marítimos a preços altos a vendedores misteriosos. Marinheiros ruivos e marujos japonêses misturam-se aos nacionais no cais do Recife onde, entretanto, poucos são os vapores grandes que atracam. É um pôrto que necessita de dragagem para que nêle voltem a tocar os transatlânticos de grande calado. Um pôrto digno das atenções do Govêrno Federal. O pôrto do Nordeste.

    Outro ponto ao mesmo tempo moderno e romântico do Recife é o Aeroporto de Guararapes. O edifício é novo. Murais de Lula Cardoso Ayres e de Francisco Brennand já se disse que dão ao interior dessa estação um encanto especial: levam ao estrangeiro que chega de paises frios a primeira sensação artística do trópico e das suas côres de mulheres, das suas formas de animais e de frutas. Aqui carregam e descarregam passageiros e cargas, aviões internacionais e intranacionais. O Recife se comunica diretamente por aviões com várias cidades da Europa e da América; com Dakar; e com as principais cidades do Brasil. Estão sempre a pousar no Recife aviões internacionais como os vinhos de Buenos Aires para Londres (Panair), de Stokolmo para Santiago (S.A S.), de Zurich para Buenos Aires (Swissair). E vice-versa.

    Há também uma Estação Ferroviária – a Central, da Rêde do Nordeste – de onde partem trens para vários pontos do Nordeste. E outra, Rodoviária, perto do Grande Hotel, centro de todo um sistema de comunicação da capital com o interior do Estado. Há também aviões capazes de levar ràpidamente o turista a Garanhuns – cidade a quase mil metros acima do nível do mar, fresca e durante algum tempo, até fria, com um moderno hotel em construção num dos seus altos – e à Paulo Afonso: a famosa cachoeira que alguns consideram mais bela que a Niágara ou a Victória ou Iguassú. Das águas do Recife é quase um salto a viagem por avião às águas de Paulo Afonso.

    Pontes são várias as que se levantam sôbre as águas do Capibaribe, também dando ao Recife uma fisionomia única entre as cidades brasileiras. Algumas são antigas: do tempo do Império. Outras foram levantadas ou renovadas há poucos anos: uma delas pelo atual Senador Novais Filho, quando Governador da cidade. Não nos esqueçamos de que uma ponte do Recife é evocada em versos célebre de Augusto dos Anjos que caminhando pela “Ponte Buarque de Macêdo” viu sua “sombra magra” em direção à “Casa do Agra”. O Agra é uma instituição recifense: velha casa funerária que foi também, por muito tempo, famosa pelos seus coches com lanternas de prata, seus cocheiros de cartola preta e de luvas brancas, seus carros festivos para casamentos e batizados elegantes.

    A propósito de pontes e de Capibaribe, deve ser destacado o fato de continuar o esporte do remo uma das mais vivas tradições recifenses, embora as regatas já não tenham o esplendor de outrora. Não há recifense autêntico que não acompanhe a atual Federação Aquática Pernambucana em seu pavor à idéia dita urbanística, de ser aterrada a bacia do Capibaribe que serve de raia às regatas recifenses, para em seu lugar ser construida uma praça de estacionamento de automóveis. A verdade é que não se compreende o Recife desquitado da água que lhe vem distinguindo a fisionomia: a água do Capibaribe; a água do Beberibe; a água do mar; a água do açude dos Apipucos (que uns insensatos já pretenderam fazer secar, tendo as lavadeiras e os moradores do arrabalde se levantado em massa contra a infeliz idéia); a água do Riacho da Prata, onde é tradição estar sepultada a prata que foi de Branca Dias, rica judia da época colonial que a Inquisição teria perseguido, obrigando-a a esconder sua fortuna naquele riacho, desde então malassombrado, dos Apipucos. Infelizmente as águas de rio são hoje no Recife – célebre outrora pelos seus banhos de rio – água sujas. O banho bom, higiênico, lúdico é, no Recife atual, o de mar. Sobretudo na Bôa Viagem.

    Pelos recifes ou arrecifes de Bôa Viagem é agradável passeiar o menino, o moço e até o velho quando o mar está baixo; e os peixinhos, uns azuis, outros amarelos listrados de preto, se deixam ver em toda a sua glória de côres, nadando nas poças esverdeadas que o sol aquece. O sol aquece, tempo de verão e de mar baixo, a água das várias bacias que em Bôa Viagem são uma verdadeira sucessão de piscinas, entre os arrecifes e a praia. Tem-se a idéia de que dentro dessas piscinas, alguém prepara a água de banho: uma misteriosa mucama que grodúa a temperatura do mar – o mar assim condicionado em piscinas – para regalo dos muitos ioiôs e das muitas iaiás que não encontram aqui o frio das águas européias ou mesmo das de Santos e de Copacabana; e sim uma água ao mesmo tempo verde e morna. Um banho em Bôa Viagem é um dos maiores regalos que o Recife oferece a adventícios tanto quando a nativos. Uma das experiências mais recifenses que um adventício, pode ter no Recife: um mar de água morna; um sol que em pouco tempo amorena o corpo do europeu ou do brasileiro do Sul; vento fresco; recifes; sargaço. Um cheiro bom de sargaço fresco recebe às vezes turistas.

    Há no banho nessas piscinas, nos dias de sol forte e vento macio, quando o mar começa a subir, mais de uma temperatura: à água quente da beira da praia se misturam deliciosamente outras águas mornas e até frias. A sensação é então a de um banho mágico, encantado. Já não é um simples banho preparado por mucama misteriosa para seu ioiô mas por moura de história fantástica para o seu predileto; e esse predileto é todo indivíduo que entre no mar naquelas piscinas. É o pobre, é o rico, é o nativo, é o turista. Ninguém dá cafuné no turista, é certo; mas há por vezes uma brisa volutuosa que sopra do mar sôbre os cabelos do indivíduo mais indiferente a agrados, acariciando-o como se fôsse mulher festejando o namorado.

    Além dos hoteis situados, como o Grande Hotel e o Guararapes, no centro da cidade, tem o Recife um hotel e algumas pensões em Bôa Viagem, preferidos pelos que no trópico procuram estar sempre à beira-mar, gozando de camisa aberta no peito os ventos marítimos, regalando-se de banhos salgados o até passeando de jangada. Foi o que fez, como já se recordou, o escritor John Dos Passas na sua passagem pelo Recife: instalou-se em Bôa Viagem. Fartou-se de mar pernambucano; passeou de jangada. Dos Passos, entretanto, não deixou de ir à Várzea dos Brennand cuja cerâmica admirou; nem aos Apipucos. Aí os recebeu o casal Salgado-Sousa com uma ceia a que não faltou, depois de peixe à melhor moda pernambucana, uma variedade de doces segundo velhas receitas da região. Do verde das campinas dos Apipucos observou outro visitante ilustre do Recife – Aldous Huxley – que lhe recordava o das campinas de certos condados inglêses.

    Há quem prefira o clima do Recife ao do Rio e ao da própria Bahia: o caso do Professor Mário Chicó, da Universidade de Lisboa. Destaque-se do clima do Recife que tem os seus caprichos: e pode mostrar-se tão vário a ponto de parecer dois ou três em vez de um só. Nas casas bem situadas – as que olham para o nascente – não há, em tempo algum do ano, o problema do calor excessivo; e muitos são, para essas casas, os dias frescos e as noites tão gostosamente tocadas de um leve arremedo do frio que alguém já disse delas que são noites – e madrugadas – que parecem poder ser saboreadas pelo próprio paladar do homem: saboreados como se o ar tivesse alguma coisa de sorvete e não apenas de jasmim. É o caso também das ruas situadas para o nascente e sombreadas por árvores ramalhudas: das que se compenetram da responsabilidade de proteger os homens contra os excessos de luz e sobretudo de sol. O curiosos é que algumas das casas mais bem situadas do Recife são hoje aqueles mucambos que, dos lugares baixos, e, ùltimamente, aterrados, vêm se transferindo para os altos e secos onde chegam a ser, enquanto sua palha não envelhece e seu chão não se degrada, residências ideais para o trópico. Calcula-se em 80.000 o número de mucambos que hoje se espalham pelo Recife: alguns pela lama e pelos mangues. É grande a população miserável e até doente que o Recife – com seus hospitais e a fama dos seus salários altos – atrai do Nordeste inteiro. O recifense, desajudado e só, faz de pai e de mãe para numerosos brasileiros do interior de vasta região: gente andeja que, segundo alguns estudiosos do assunto, deveria ser amparada, em seu infortúnio, pela União e não por uma simples capital de Estado.

    Azulejos antigos em casas de residências já são poucos, hoje, no Recife. O que é pena, pois os externos refrescam as ruas do mesmo modo que os internos refrescam o interior das casas. São ainda várias as casas da Rua Barão de São Borja revestidas de azulejos: daí merecer essa rua uma visita, mesmo rápida, do turista. E lindos são os velhos azulejos de residências antigas de negociantes ou fidalgos recifenses, como aquela em que está há anos instalado o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais. Azulejos religiosos – cenas da história Sagrada – se encontram nos Conventos dos Franciscanos e dos Carmelitas. No dos Franciscanos foram há pouco descobertos no claustro uns frisos de azulejos antigos que parecem holandêses e do século XVII. Na Capelinha da Jaqueira, há bonitos azulejos. É talvez a Capelinha mais romântica do Recife. Históricas, há também a de nossa Senhora das Fronteiras (Estância) e a dos Apipucos. Também a Igreja do Rosário dos Pretos, à rua Estreita do Rosário, merece uma visita.

    Do Recife não se esqueça o turista que não é só igreja velha, nem azulejos antigos, nem praias elegantes, nem quitutes de peixe, nem fábricas disto ou daquilo: moderno centro universitários, tem velhas tradições acadêmicas. Em sua Escola de Direito (onde hoje ensinam Pinto Ferreira, Luís Delgado, Murilo Guimarães, Torquato Castro, Soriano, Vilanova, Guedes) estudaram muitos dos brasileiros que se tornaram grandes do Império. Estudou Tobias Barreto. Castro Alves. Estudou Sylvio Romero. Estudaram José Nabuco e Ruy Barbosa. Estudaram, além de Rosa e Silva, Epitácio, Nilo Peçanha, vários grandes da República – de Nilo devendo-se notar ser tradição que, quando estudante, raramente pagava aos alfaiates da cidade os elegantes fraques: os fraques que ostentavam triunfalmente ao descer da sua república para as ruas do centro. Mas, como o Recife vem tendo bons alfaiates – hoje famosos pelo primor com que trabalham e costuram fatos de linho, “tropical” e brim branco – é de presumir que êles venham se compensando de dívidas de estudantes, fazendo-se pagar razoàvelmente bem pem pelos advogados, médicos, comerciantes e industriais da terra: vários dêles, homens que, nos seus fatos de linho branco ou e “tropical”, feitos no Recife, têm se apresentado em várias partes do mundo sem fazerem vergonha ao Brasil: o caso de Estácio Coimbra. Também o do Professor Odilon Nestor.

    Em tempos menos remotos, estudaram no Recife Augusto dos Anjos, Aníbal Freire, Gilberto Amado, José Américo de Almeida, Assis Chateaubriand, José Augusto, Pontes de Miranda, José Lins do Rêgo, Raul Bopp. Toda uma constelação de brasileiros ilustres devem ao Recife sua formação.

    Fonte: FREYRE, Gilberto. Pequeno guia da cidade do Recife. Recife: s.n., 1959.

  8. Recife é apontado como um dos dez refúgios da música global
    Da Redação

    Conhecida como a capital multicultural do Brasil, a cidade do Recife foi eleita recentemente pela revista britânica Songlines, especializada em música, e o jornal inglês The Times como um dos Dez refúgios da música global para escapar do inverno. O destaque foi para o Carnaval do Recife, que foi considerado um evento autêntico e divertido.

    A lista foi publicada na edição eletrônica do tradicional jornal inglês The Times. Segundo a publicação, “o Carnaval no Rio e Salvador é muito comercializado e lotado. No Recife, capital de Pernambuco, a música é local, mais autêntica e mais divertida. Música boa e praias espetaculares também”. Entre os demais destinos citados, Senegal, Mali, Índia, Zanibar, Espanha, Estados Unidos e Cuba.

    Para o secretário de Turismo de Pernambuco, Sílvio Costa Filho, a escolha do Carnaval do Recife pelos ingleses é uma honra e deve contribuir para aumentar a procura de turistas da Inglaterra. “O Carnaval é uma das festas mais marcantes em nosso Estado, privilegiado pelas manifestações culturais autênticas, livres e gratuitas.”

    A publicação reforça a campanha publicitária recém-lançada pela EMBRATUR no mercado inglês, que ressalta justamente a diversidade cultural brasileira. As praias de Pernambuco, outro destaque da matéria, ilustram diversas peças da campanha, como anúncios de revista, outdoors, busdoors e outras peças de mobiliário urbano.

    A Inglaterra, mercado de altíssima prioridade para a promoção do Brasil no exterior, é um dos países europeus que mais enviam turistas para o País. Em 2007, 176.948 visitantes ingleses vieram para cá. (VB)

  9. ai vai pra tú algo do melho da poesia brasileira

    Todo o Azul
    A Carlos Pena Filho

    De tanto azul é feita
    esta cidade
    céu azul
    mar azul
    e um rio
    a ousar azuis proibidos
    em manguezais profanados.

    Homens de negros cabelos
    azuis
    e mulheres de peitos despudoradamente
    azuis
    tecem nos bares da cidade
    a trama dos sonhos
    reinventada a cada
    madrugada
    igualmente azul
    enquanto mendigos e cães
    se confundem
    no azul melancólico das
    calçadas.

    Ah, Carlos
    Recife continua azul
    embora velho, doente
    distante e saudoso do teu tempo
    mas sempre
    irremediavelmente
    azul!

    Guia Prático da Cidade do Recife

    No ponto onde o mar se extingue
    E as areias se levantam
    Cavaram seus alicerces
    Na surda sombra da terra
    E levantaram seus muros.
    Depois armaram seus flancos:
    Trinta bandeiras azuis
    Plantadas no litoral.
    Hoje, serena, flutua,
    Metade roubada ao mar,
    Metade à imaginação,
    Pois é do sonho dos homens
    Que uma cidade se inventa.

    Arquivado em: Carlos Pena, poema | Tagged: Carlo

    Evocação do Recife

    Recife
    Não a Veneza americana
    Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
    Não o Recife dos Mascates
    Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois
    – Recife das revoluções libertárias
    Mas o Recife sem história nem literatura
    Recife sem mais nada
    Recife da minha infância
    A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado
    e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas
    Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê
    na ponta do nariz
    Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras
    mexericos namoros risadas
    A gente brincava no meio da rua
    Os meninos gritavam:
    Coelho sai!
    Não sai!

    A distância as vozes macias das meninas politonavam:
    Roseira dá-me uma rosa
    Craveiro dá-me um botão

    (Dessas rosas muita rosa
    Terá morrido em botão…)
    De repente
    nos longos da noite
    um sino
    Uma pessoa grande dizia:
    Fogo em Santo Antônio!
    Outra contrariava: São José!
    Totônio Rodrigues achava sempre que era são José.
    Os homens punham o chapéu saíam fumando
    E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo.

    Rua da União…
    Como eram lindos os montes das ruas da minha infância
    Rua do Sol
    (Tenho medo que hoje se chame de dr. Fulano de Tal)
    Atrás de casa ficava a Rua da Saudade…
    …onde se ia fumar escondido
    Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora…
    …onde se ia pescar escondido
    Capiberibe
    – Capiberibe
    Lá longe o sertãozinho de Caxangá
    Banheiros de palha
    Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
    Fiquei parado o coração batendo
    Ela se riu
    Foi o meu primeiro alumbramento
    Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redemoinho sumiu
    E nos pegões da ponte do trem de ferro
    os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras

    Novenas
    Cavalhadas
    E eu me deitei no colo da menina e ela começou
    a passar a mão nos meus cabelos
    Capiberibe
    – Capiberibe
    Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas
    Com o xale vistoso de pano da Costa
    E o vendedor de roletes de cana
    O de amendoim
    que se chamava midubim e não era torrado era cozido
    Me lembro de todos os pregões:
    Ovos frescos e baratos
    Dez ovos por uma pataca
    Foi há muito tempo…
    A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
    Vinha da boca do povo na língua errada do povo
    Língua certa do povo
    Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
    Ao passo que nós
    O que fazemos
    É macaquear
    A sintaxe lusíada
    A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem
    Terras que não sabia onde ficavam
    Recife…
    Rua da União…
    A casa de meu avô…
    Nunca pensei que ela acabasse!
    Tudo lá parecia impregnado de eternidade
    Recife…
    Meu avô morto.
    Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro
    como a casa de meu avô.

  10. recife : COMENDO NO MERCADO PÚBLICO
    Foi-se o tempo em que comer num mercado publico, do Recife, era coisa de cidadão subabonado. Esta palavra acaba de ser inventada, até que provem em contrário. Hoje, os garis, frentistas, feirantes e semelhantes têm que dividir as mesas dos restaurantes populares dos mercados públicos com portadores de cartão de crédito ou cédulas azuis (das mais valiosas!) de Real.
    A freqüência desses restaurantes mudou de perfil. Agora é a classe média alta e a rica que têm por costume baixar nos mercados da cidade para saborear, com o maior prazer do mundo, as delicias da cozinha popular, que, no final das contas é autêntica, tradicional e tem o sabor de cozinha caseira. Ô, como tem! E aí está o segredo do sucesso.
    Aliás, nestes tempos de campanha eleitoral, os locais são, literalmente, prato-cheio para os candidatos.
    Duvido que você vá encontrar mesa vazia, na “praça de alimentação” do mercado da Encruzilhada, num sábado, às 11 da manhã. É preciso ter muita sorte. E, se o destino for o Restaurante Bragantino, perca as esperanças. Lá se come o melhor bolinho de bacalhau do planeta. Nem em Portugal! Tô pra ver. Como o portuga, proprietário da casa, não aceita reservas, procure chegar cedo.
    O que ocorre, agora, no Recife, já venho notando, há muito tempo, noutras cidades e as que mais me chamaram atenção foram as do Mercado Público de São Paulo (já falei, em fevereiro aqui no Blog), o magnífico e tradicional de Salvador (Bahia) e o de Montevidéu (Uruguai). Neste último se come o melhor fruto do mar da Província Cisplatina.
    Aqui no Recife, inclusive, a coisa está se transformando numa das melhores opções turísticas e, não raro, já se vê até estrangeiros diante de uma buchada, de um bode guisado ou de gordurento sarapatel. Sei não… mas, tem uma coisa, depois de duas lapadas de Pitu, entra tudo.
    Neste sábado percorri os três mais atrativos desses locais: Encruzilhada, Madalena e Boa Vista. Os cenários já são, por si só, interessantes. O Mercado da Boa Vista, inclusive, tem pintura em terra-cota e, até, uma galeria na frente (vide foto ao lado), lembrando os prédios de Bolonha (Itália), que comentei em postagem de junho passado. Muito bonito.
    Pois bem. Todos três locais estavam – usando um termo bem pernambucano – coalhados de gente.
    Aproveitando a esteira do sucesso, a Prefeitura do Recife vem patrocinando, ultimamente, uma boa idéia de colocar um conjunto musical, executando repertório típico, próprio para o ambiente e as comidas que são servidas. Tem baião, xóte e xaxado. O Clip no final da postagem dá uma boa idéia do negócio. E, de vez em quando, um frevinho para lembrar que estamos no Recife. Ah! Algumas vezes, um grupo de chorinho bem puxado nos violões e cavaquinhos. É uma beleza.
    Não tenho dúvidas que estou diante de uma coisa certamente sustentável.
    Agora, sem que ponha em risco esta sustentabilidade, nascidas espontaneamente nesses três locais, seria de muito bom tom que a Prefeitura do Recife promovesse uma reforma no Mercado de São José, na região central da cidade, instalando um mezanino (cabe muito bem) onde pudessem surgir restaurantes típicos voltados para o turismo. A construção é belíssima. A localização, também. Seria um sucesso, tenho certeza. Fica aí uma idéia para os candidatos a burgomestre da Mauricéia.

  11. Caro Marcos,

    Sinto informar que vc realmente foi muito infeliz em suas colocações. Posso dizer que vc “Cutucou a onça com vara curta”. E neste caso, “onça” seria QUALQUER PERNAMBUCANO! Poque se tem gente que ama mais seu estado somos nós. Ao ler seu texto fiquei “passada, e de chapinha”.
    Você pode ter até tido uma má impressão de um local, mas como disseram acima, deves absorver o melhor dele. E não colocar assim, ao público, falando mal dele. Isso pode trazer um problema maior p/vc.
    Acho qu vc deveria reavaliar seus conceitos, ou no mínimo, ter mais cautela com o que escreve. OK?

    • Caríssima Flávia, obrigado pela visita, antes de mais nada.

      Seu texto me passou um teor de ameaça, desculpe se entendi mal.

      Como pode ver nas respostas anteriores, já expliquei porque não curti a cidade, agora, se vocês (e não generalizo apenas os recifenses) não gostam de ouvir críticas, tudo bem. A gente pinta o mundo de rosa e só mostra o que há de bom nele, varrendo tudo que não está bom para debaixo do tapete, esquecendo os problemas e não os resolvendo.

      Sustento minha opinião e, se fosse escrever o que realmente achei, acho que você mandaria alguns tubarões atrás de mim.

      Já falei mal de Guarujá, São Paulo, Campinas, enfim, várias cidades. Se vocês, da parte de cima do Brasil, não gostam de críticas, paciência, vão para a praia, tomem uma água de coco e relaxem.

      Só isso que posso dizer.

      Beijos e espero que tenha entendido meu ponto de vista.

      • olá marcos ,sou de caruaru-PE e amoooo.demais o Recife,sua cultura e tudo o mais,também me classifico como uma pernambucana daquelas de sangue quente que defende sua terra com unhas e dentes,mas eu não posso discordar totalmente de vc.existem realmente coisas que precisam ser melhoradas em nossa cidade.mas, as vezes,é como vc mesmo diz…é umponto de vista.meu marido detesta o Recife porque ele só procura ver as coisas ruins,então,ele só vê coisas ruins.eu como adoro essa cidade…só vejo a beleza daspraças,dos monumentos de tudo que é belo,inclusive o nosso carnaval que é o melhor do mundo,segundo os europeus que sempre brincam aqui!venha pular um frevo com a gente.um “xero”.

  12. A TERRA DO NUNCA E UMA INVENÇÃO CHAMADA BRASIL
    Por Israel do Vale

    Que imagem o Brasil tem de si? Bem, a perguntinha é meio capciosa e ninguém suporia que um reles colunista (no caso, euzinho aqui) teria uma resposta que coubesse num espaço destes, suporia? É o tipo de questão que não cairia na primeira fase de nenhum vestibular, pelo simples fato de que não dá pra responder marcando xizinho.

    Mas o fato é que o carnaval (e todos os signos/símbolos que irrompem com ele) sempre ajuda a atualizar (ou a complexificar ainda mais) a visão do país tropical e bonito por natureza que alguém inventou e um batalhão de seres humanos segue replicando década após década, em nome de certo desejo de unidade, de nação ou do que quer que seja.

    Vou optar por deixar de lado tudo que se viu, leu e ouviu sobre as passarelas do Rio (e os links tecidos em fios de algodão doce que se possa fazer entre este país e a África de folder de agência de turismo), de São Paulo (onde prevaleceu a visão do brasileiro sorridente-embora-desdentado, aquele que não desiste nunca) ou da Bahia (a terra do nunca/ ilha da fantasia/ país das maravilhas, onde, dizem, mora a felicidade –pelo menos enquanto ela puder pagar pelo abadá…). E vou me concentrar em Pernambuco, onde estive pela terceira vez em quatro anos.

    Pernambuco é o mais bem-acabado retrato do impávido colosso soterrado pela (sua) própria natureza, pessoal e intransferível. Um país dentro de um país, com vida própria, temperamento próprio, lógica própria, e que nem por isso enveredou pelo delírio separatista que um dia ecoou no extremo-sul, outra região cheia de personalidade.

    Um gigante que gerou inventores/intérpretes como Manuel Bandeira, como Gilberto Freyre, como Luiz Gonzaga, como Josué de Castro, como Ariano Suassuna, como João Cabral de Melo Neto, como Capiba, como Chacrinha, como Antonio Maria, como J. Borges, como Francisco Brennand, como Chico Science e como tantos e tantos, dezenas de milhares, que tomam as ruas nesta época do ano.

    O carnaval do Recife é uma espécie de vulcão desta(s) identidade(s), em plena erupção. É o momento mais favorável para se enxergar

    no conjunto, a olho nu, o que distingue um povo de outro e o que significa, na prática e num mesmo território, a tão incensada diversidade cultural.

    A TERRA DO NUNCA E UMA INVENÇÃO CHAMADA BRASIL 2
    (…)

    A música de um lugar é cada dia mais, para mim, um termômetro muito privilegiado da visão de mundo que se construiu (e se defende) por ali. Esta capacidade de sintetizar/amplificar um sentimento (e eu não estou falando de “emoções baratas”, desta montanha-russa de sensações geradas pelos relacionamentos afetivos, mas daquilo que aproxima e cria vínculos entre as pessoas), de decodificar um estado d’alma coletivo e falar, a um só tempo, de um e de muitos.

    Recife faz o carnaval do hiperlink, onde não há linha reta possível [ilustro isso no blog que nasceu por lá há dois anos, http://futurodamusica.zip.net, e que agora volto a realimentar –VULGO ESTE AQUI…]. É o carnaval do imponderável e das encruzilhadas, das preferências permanentes e das escolhas momentâneas.

    Pra começar, este ano foram nada menos que 50 (!) palcos espalhados pela cidade –oito deles no Recife Antigo, o centro histórico lindo-lindíssimo, em processo galopante de restauração desde que passou a sediar o Porto Digital, um centro de ponta em tecnologia, focado no desenvolvimento de softwares.

    Fosse pouco, a infinidade de grupos de maracatu, frevo de rua, caboclinhos e outras tantas “agremiações” (como se usa falar por lá), quase todas caseiríssimas (ou, de outro modo, sem patrocínios) transforma o ato corriqueiro de se seguir uma troça por duas quadras que seja, numa missão quase impossível –não pela cheiúra das ruas, mas pela profusão de opções, cada uma mais entusiasmada/ entusiasmante que a outra.

    É o carnaval dos contrastes [que o digam o RecBeat, o festival de rock, que este ano reuniu de electrofunk a funk carioca, e a tenda eletrônica, ambos no miolo do gandaia, às margens do Capibaribe] e das dissidências também [com enclaves sonoros montados em bares e nas (insuportáveis) radiolas-de-tampo-traseiro de carros estacionados em cruzamentos estratégicos, irradiando reggae, soul, funk, música eletrônica e (contra tudo e todos) até mesmo axé music –mote para certa gastura especial entre pernambucanos]. E ainda tem Olinda, com seus bonecões e blocos mil, uns vinte-poucos minutos dali.

    (…)

    A TERRA DO NUNCA E UMA INVENÇÃO CHAMADA BRASIL 3
    (…)

    Neste contexto, que imagem o pernambucano enxerga/inventa de si e projeta para o Brasil? E onde ela se sustenta? Não há alternativa A ou Z que responda sozinha. Mas indícios que se palmilha aqui e acolá. A música, no seu sentido mais amplo, é um patrimônio vivo, capaz de exprimir a vivacidade e os valores do pernambucano –seja nos seus vínculos com a(s) religiosidade(s), seja no apego à invenção das invenções, a tradição [que o diga o justíssimo escarcéu em torno do centenário do frevo, um gênero com certidão de nascimento lavrada dez anos antes do samba e nem por isso transformado em símbolo da identidade nacional].

    E isso tudo se dá por um fator muito simples: a música, ali, é parte da vida. De uma vida-vivida e não da vida postiça, “projetada para”, como no carnaval da terra do nunca –embora, numa e noutra, a atenção continuada das políticas públicas na área tenha tido, sim, papel fundamental na estruturação e no estímulo de tudo que se alcançou.

    [O carnaval industrial baiano, de abadás e cordões de isolamento, está na mira do Ministério da Cultura, aliás. Numa conversa com Juca Ferreira, o vice de Gil, na abertura da Feira da Música, em Recife, às vésperas do carnaval, ele me assegurou que o MinC vai investir pesado no fortalecimento de afoxés, de blocos afro e outras manifestações engolidas pelos 22 anos de “ditadura do axé” –aspas minhas, frise-se. E a fonte de inspiração é justamente a folia recifense: um carnaval de rua, descentralizado, gratuito e plural.]

    Haveria muito mais a dizer, evidentemente. E sou obrigado a desdobrar o assunto em breve, para apontar como ações como o Porto Musical ajudam a consolidar e expandir esta imagem para fora do Brasil. Mas tenho uma coceira especial para breve, no que a gente pode sim chamar de invenção da mineiridade e na responsabilidade da música nisso, sobretudo dos anos 60 para cá. Qual a Minas Gerais que mora no seu imaginário? De onde ela vem? E como isso está conectado com a imagem que se tem do Brasil? Quem tiver algo a dizer, que se manifeste!

    Israel do Vale, 40, é diretor de programação e produção da Rede Minas
    israeldovale@uol.com.br

    ]

  13. camila , quando você ler : gilberto freire, sergio buarque de holanda, caio prado junior , raimundo faoro , paulo freire ,manoel bomfim, nelson werneck , celso furtado, joaquim nabuco e mais alguns canones , volte a este site e dé uma resposta DECENTE, POR ESTA É A DE UMA ALIENADA . QUE INFELIZMENTE VAI SOFRER MUITO NA VIDA POR NÃO COMPREENDER O MUNDO QUE A CERCA

  14. Escuta aqui, cara, sujeito que graças a Deus não tenho o desprazer de conhecer: se o EDy deve fazer um curso de interpretação de texto e toda essa besteira que só vc sabe falar, vc deveria fazer um curso de estrebaria, pq tu e´s cavalo paca, tá ligado?
    Faz um fvr: esquece o Recife, meu irmão. Se quiser ajudar mais, esquece até o Brasil, tá? Ou então fica por aí mesmo, perdido entre as balas perdidas da “capital que cheira”. rsrsrsrs

    • Fala João.
      Obrigado pela mensagem.
      Não queria ofender ninguém, mas se não estão entendendo meu texto, desculpe, mas vocês precisam, realmente, de um curso de interpretação de texto.
      Abraços e volte sempre.
      Ps: Esse texto está me dando raiva do povo de Recife, já falei bem e mal de tudo quanto é cidade e nunca encheram tanto o saco quanto o povo das praias com tubarões.
      Isso merece uma parte II. hehhehe

      • Ei, Ei, Ei, kkkk
        se for sair mesmo uma parte ||, vai ter q voltar a Recife certo? lol
        ah visita Igarassu tumem kkkkkk
        Ô terrinha boua vú kkkkk
        Beijoks cara e cuidado com as palavras que Pernambucano é assim mesmo, defende o que é seu kkkkkkkkkkkk
        sou Pernambucana, mas nem por isso fiquei com raiva pelo contrario eumorridericomtudoissoaqui kkkkkk
        kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Vai p/ Favoritos!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  15. Bom, sou recifense, sou morador de Recife, e te dou maior razão em ter odiado o Recife, afinal, aqui só presta mesmo no carnaval.Sou recifense, mas acima de tudo, realista.

    Sem falar q o povo pernambucano é esnobe até umas horas mesmo a cidade sendo politicamente, socialmente e tecnologicamente atrasada. Aqui no Nordeste existem capitais melhores de se visitar, como Fortaleza e Salvador durante o ano.

    Abraço e sucesso na vida!!

  16. Bem gente estou chegando de Recife a 20 dias voltei pra minha Cidade “São Paulo”. Bem viver em Recife é uma maravilha mas senti muita falta de Sampa, lá tem vida sim e as pessoas trabalham sim como em todos os lugares do mundo. Bom o que eu não gostei em Recife foi: Atndimento comercial é péssimo, as pessoas são um tanto grossas sim (nem todas), mas devo dizer q isso em todos os lugares acharemos, não me adaptei mas ao mesmo tempo sinto falta, mesmo pq deixei meu marido que é Pernambucano e sonhou a vida toda de voltar para lá…só que não suportei 2 coisas na verdade! Asaudade de meus filhos que mesmo adultos e casados deixei aqui e o assédio das mulheres pernambucanas que é demais e sem respeito pois as que tive contato não respeitam um homem casado nem na frente da mulher e da em cima mesmo!!!Agora estou em negociação ou ele volta ou terei que envgolir essas mulheres e tomar conta de meu marido que por incrivel que pareça agora que esta solto na av. boa viagem não encontrou ninguem investindo nele…creio que o fetiche realmente delas é homem casado…mas de resto tenho bons momentos. outra coisa o que me deixava “p” da vida é eles falarem mal de são paulo e de paulista sendo que sabemos (Eu como filha de pernambucano e alagoana)que muitos nordestinos fizeream sua ida aqui em São Paulo e foram bem recebidos….abraços

  17. oie,espero que da próxima vez vc tenha mais sorte quando vier ao Recife… para que essa má impressão não se confirme.. somos pessoas receptivas, gostamos de ajudar e tem mta mulher bonita é só procurar nos lugares certos…..gente feia tem em todo lugar seja em minhas , sp ou recife…..da próxima vez procure ir nos lugares certos e nas praias mais atraentes, como porto de galinhas………
    um abraço

  18. TU EH UM BABACA CARA ONDE Q Sp EH MELHOR Q RECIFE
    KKKKKKKKK
    DOOOOOOOIDO
    DE MAL COM A VIDA!!!
    RECIFE TEM ENCANTOS MIL

      • Menino, menino… kkk
        Bata palmas e fale bem vú. EU ENTENDE kkkkk
        Esse povo todo aí, estão é te zuando, Recife tem sim alguns pontos negativos, pontos esses que quando passo sempre digo, nossa maquiaram aq tb. entendeu? kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
        pessoas minhas por favor néh, recife tem vivido de pura maquiagem, Recife só pensa em Festas, isso é FATO!!!
        tentem viajar e conhecer a cidade de vc’s melhor. façam turismo em cidades, bairros, interior do estado e etc…
        vc’s vão me entender, agora me arretei tb kkkkkkk
        olha q conheço PE de cabo a rabo vú povo meOoO kkkk
        Mas tb temos vários pontos maravilhosos, ISSO É FATO!!!
        Beijoks e sem stress…

        • Oi Claudinha.

          Obrigado pela visita.

          Que bom que você entendeu meu ponto de vista, só não apago esse post porque me divirto com a ignorância do povo.

          Quanto a uma nova visita, quem sabe, só falar que visitar uma praia do nordeste, é igual a qualquer outra praia que já levo pedrada. hehehhe

          Infelizmente, espero que o povo do nordeste tome um choque de realidade e comece a votar em políticos que realmente façam algo de útil pelas cidades, e não simples maquiagens ou migalhas para a galera.

          Beijos e, quando vir a SP, deixe um comentário que te levo para os lugares ruins daqui também hehehe.

          Marcos

  19. ô seus idiotas parem de reclamar e falar mal das nossas cidades brasileiras se não gostam delas que te deu de comer por estes anos de tua vida,vai para PORTUGAL terra que escravisou, assoitou ,cometeu genocidio,abusou das mulheres (até hojé),e colocou um tirano com o nome de marques de pombal para matar os nativos e proibir de falar a lingua nativa o tupy,vai para lá o idiotas.

  20. Marcos,
    Não se sinta tão “ameaçado” rsrs, por alguns comentários de conterrâneos meus.
    É aquele bairrismo extremado entende?!
    É um querer bem que esse povo tem por esta cidade, que é perto do impossível seu ponto de vista não incitar a essa “fúria pernambucana” (vide, Brito e A Onça rsrs…).

    Recife realmente não é à primeira vista completamente hipnotizante.
    Tem pontos nela que você não sabe discernir como belo ou rejeitável.
    Ela( a cidade), dependendo do local, consegue se contrasta á cada esquina.
    Você vê os casarios, surgindo rente ao Capibaribe, ou passa pelas pontes antigas, ou vista os arredores ali da Casa da Cultura mesmo, sabendo que aquilo tudo tem tanta história, andaram tantos poetas, revolucionários brasileiros, pessoas que lutaram por nós; e ao dobrar uma esquina tem um montante de lixo amontoado, ou é “abordado”, ou a paisagem não se completa por um descaso qualquer, sabe.
    Tudo talvez seja o grande sinal de uma cidade viva.
    Assim como acontece em muitas cidades brasileiras.
    Como cidadão recifense, algumas questões daqui não aceito, e me entristeço.
    Mas vivo aqui, assim como você vive onde vive; e ambos sabemos que determinadas coisas não mudam apenas a partir de nossos desejos.
    De recife, é necessário conhecer seus pontos; um pouco de sua história, e claro, desvendar seus “cantinhos bacanas”. É imprescindível se envolver nela.
    Percebi em seu texto como sendo bem crítico, e natural.
    E um ponto de vista, seu, particular apenas.
    Eu mesmo faria uma análise pessoal de qualquer cidade de fosse visitar, e garanto que seria tmb impossível faze-la com 100% de pontos positivos “na lista”.
    Tmb, isso dependeria de muitos fatores; todo clima completando-se com meu roteiro; propósito da visita; o espírito teria que estar aberto para conhece-la… bom, infinitas coisas.
    A grande surpresa é vc ter apontado mais pontos “negativos”(alguns infelizmente reais) à cidade.
    Mas não precisa se explicar(novamente, rsrs), eu já li seus comentários.
    Pena que choveu no teu dia de folga,
    vc poderia ter descoberto um pouco mais a cidade.
    Abraço.

    • Grande Robson.

      Finalmente alguém que entendeu meu ponto de vista e soube entender o que senti pela cidade.

      Falar bem e agradar a todos é fácil, mas expôr os pontos negativos é uma tarefa para JC nenhum botar defeito. hehehe

      Abraços e volte sempre

  21. Ô Camila
    acho que vc quer dizer vc que não gosta e coloca a culpa no resto hein, haff…
    Fia aq pelo menos temos escola e educação viss, e outra Nosdestino trabalha e muito fia, e se tu anda com nariz empinado o problema é teu, ou vc seria uma fã louca de michael kkkkkk morri kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  22. Ok, vamos começar pelo começo: nunca mais na sua vida diga que vc teve uma estadia em lugar nenhum desse planeta, porque vc não é um NAVIO. Gente tem é ESTADA nos lugares, porque é o tempo de estar. Quem tem estadia é navio no porto. Combinados?

    Cada ponto-de-vista é a vista de um ponto. Em certos comentários vc pensa com a cabeça de cima e outros vc pensa é com a cabeça de baixo e faz papel de um Zé Ruela qualquer. Exemplo? pra que comparar pernambucanas com mineiras? qual a finalidade desse comentário? E a tua presença em Recife “aformosou” a cidade, por acaso?

    E o problema é a areia que é igual e coisa e tal? ZÉ… se vc for pra o Caribe, vc vai ver areia e mar. Se vc for pra qualquer lugar do planeta que se preste a ter um oceano, é a mesma coisa. E eu tenho CERTEZA que tu vais a outro país, vai ver um monte de bunda branca de biquíni largo e vai achar a coisa mais legal do mundo. Porque me parece que tu és um bicho besta danado.

    Recife fede? E São Paulo cheira… a merda. Tão limpinha São Paulo! Super qualidade de vida.

    E que Guarujá tu falas? Praia do Tombo, é? Astúrias? Eu fui pra o Guarujá e choveu a semana inteira, Zé. Estavam precisos 17ºC. Vou sair “pipocando” pra todo lado que o litoral paulista é uma merda? E que paulista vai à praia de tênis e meia até a canela?

    Nós sabemos que Recife tem seus prós e contras, como todo lugar do mundo, Zé. Se não tem nada bom a dizer sobre qualquer assunto, fique calado. Faça esse favor!

    Porque calado vc é um poeta.

    • Cara professora de português.

      Você deve ser muito ruim para dar aula, já que não sabe interpretar textos, além de não ter o mínimo conhecimento de liberdade de expressão, já que é me dado o direito de me expressar livremente e achar o que eu quiser sobre o que me der na telha.

      Enfim, se você lesse o blog inteiro e, por acaso, conseguisse entender o texto, veria que sempre coloco os prós e contras de tudo o que eu acho e falo por aqui.

      Guarujá e SP, por exemplo, sempre critiquei e elogiei, dependendo do assunto e do estado de espírito, mesma coisa em todas as cidades que visitei, infelizmente, em Recife, minha ESTADIA (aqui e aqui ou seja, ambos estamos certos) foi uma merda, inclusive com chuva no dia de minha folga, mesmo assim, ainda aproveitei o Centro Cultural.

      E se falei das mulheres, não foi porque sou um turista sexual em busca dos prazeres da carne no nordeste (se fosse, iria para o Sul, I sorry) e, sim, por conta da beleza que se mistura com a paisagem. Não adianta nada ir para um lugar maravilhoso e só encontrar alienígenas (I Sorry again). E, pode apostar, mulheres fazem isso também, e muito.

      E respondendo à sua pergunta, sim, eu acho que minha presença em Recife ‘aformosou’ a cidade. =D

      Enfim, espero que não tenha se ofendido com minha resposta, mas é o que eu acho e, só deve mudar se um dia retornar a Recife, o que acho meio difícil.

      Beijos profs e ótimo dia para você.

      Marcos

  23. Cara, realmente acho que vc deu mto azar…Pq sou recifense e sempre tem um lugar bonito p/ conhecer…Os pontos históricos já citados nesse blog são mtos!
    “Recife tem encantos mil”
    Vc deve ter procurado (ou não) nos lugares errados, vai dizer que SP é totalmente maravilhoso?Cada estado brasileiro tem seus encantos…e Recife, é com certeza um deles.

    • Emília, obrigado pela visita.

      Como disse e, graças ao céus, você entendeu como poucos por aqui, simplesmente dei azar na época em que visitei a cidade.

      SP é uma merda, confesso, mas tem seus encantos também. Infelizmente, as pessoas não sabem interpretar texto e vêm com mil paus e pedras nas mãos.

      Obrigado pela visita.

      Marcos

  24. Marcos, respeito e prego o direito de expressão. Sou pernambucana e identifico com clareza algumas críticas que você fez a cidade. O único senão é o modo como você se expressou, deixando entrever um certo esnobismo, um jeito preconceituoso de olhar a cidade, fazendo críticas baseadas no fragmento que você conheceu do Recife e não na cidade como um todo. Ao escrever textos assim, (acredito que essa não foi a sua intenção, mas tão-somente um desabafo de uma viagem que não saiu como vc esperava), você dá espaço para comentários muito grosseiros como a de uma menina (nem lembro o nome) que diz que os paulistas trabalham pelos nordestinos, que os nordestinos são uns preguiçosos e todo esse tipo de análise superficial, preconceituosa e sem cabimento. E, de outro lado, também dá espaço aos adoradores do Recife, que não conseguem ver que há uma série de problemas aqui, sim. Mas, a bem da verdade, não muito diferentes dos de outras cidades do Brasil. Acho que para fazer criticas e comentários duros é preciso ser corajoso e, nesse sentido, eu lhe dou parabéns. Agora, o modo como a gente faz esses comentários é igualmente importante. Pra que? Pra gente não ser mais uma pessoa suscitando rancores, ódios, litígios, desavenças. O mundo, no geral, já anda muito confuso. Se porventura mudar de ideia ou a trabalho vier ao Recife, coma uma empadinha três queijos na última barraquinha da praia de Boa Viagem, já quase praia de Piedade. É meu lugar preferido no Recife. É singelo, bonito, muito agradável e na barraca tem também água de coco verde muito fresquinho. Um abraço e sorte em tudo, Bárbara

  25. Olhe colega tbm sou paulista e putz cara vc pegou pesado falando tão mal de Recife. Eu sai de Campinas ja fazem 8 anos e moro aki. Cara ñ é tão ruim não.
    As pessoas são amigas e legais pelo menos me dei bem aki. Aki tem praia todos os dias não venha dizer que as praias são desertas pq não são. Em Olinda a galera vai todos os dias. Vc no minino só conheceu Boa Viagem bela bosta. Vc nem s deu o trab de conhecer Maria Farinha, Rio Doce, Itamaracá, Porto de Galinhas, gaibú, Olinda, Enseada, Muro Alto,etc… Meu irmão se situa porra e conhecça melhor o lugar antes de malhar. Vc quer dizer que Sampa é limpa? HAHAHAHAHAHAHAHAHAAH Vc quer dizer que Guaruja( lugar de patricinhas e mauricinhos nojentos e sujos é melhor do que aki? Olhe pelo menos as praias daki não tem esgoto correndo na areia. Se liga mané.

  26. passei umas ferias em recife e concordo com vc , nunca mais voltarei… povo mal educado , matuto , e a cidade fede a esgoto em todos os cantos. E o engraçado é que eles se intitulam a capital do nordeste , sendo que salvador esta a alguns anos luz na frente para ocupar tal posição e fortaleza ja aparece hoje ameaçando a posição de recife de segunda capital do nordeste… um conselho meu , nas proximas ferias vai a salvador ou natal , vai ver que existe lugares que prestam no nordeste

  27. oi! recife fede se vc olhar sao paulo a marginal tiete fede sao pauloo lixo esta na rua e nao nas paredes e propagandas e o povo paulista com aquela educaçao nem para pra te comprimentar minas vc vai encotrar pessoas dizendo vc é a melhor pessoa do mundo no intuito de tirar de vc 20 reais em curitiba nimguem nem para pra te dar bom dia ou informaçao no rio de janeiro os esgotos sao jogaods tambem no mar e fede pra caramba! e é a cidade mas vizitada por turistase tenho varios outro exemplos pra te dar conheço quase todas a capitais brasileiras, só estou comentado aqui pq nao quero que pense que recife é a pior ou que oo povo é mau educado mas com vc disse apenas nao ddeu sorte á e outra vez tenta ir em portoi de galinha gaibupedras de chareu vc vai gostar com certeza faleu abraços e boas viagems

  28. oi desculpa os erros ortograficos e na escrita é q estou fazendo as unhas nao quero que pense que estou crucificando vc mas quero que enteda todo lugar tem seus atrativos e suas lixeiras mas pode ter certeza vc apenas nao deu sorte mas da proxima vez se vier pode ter certeza vai ser melhor

  29. Caro Marcos,sou recifense e sinceramente achei suas colocações ofensivas,preconceituosas e generalistas,pois não se conhece uma cidade,principalmente do porte e da importância histórica,política e cultural do Recife numa simples viagem à trabalho,precisa-se de tempo e digo mais,de uma mentalidade e um senso crítico mais apurado,o que não vi acima em seu texto,que generalizou pessoas,ambientes,atendimentos,enfim,uma cidade, que é tudo menos comum,é cheia de particularidades,e ainda mais,somos hospitaleiros,mas não se engane,pernambucano não é povo de abrir as pernas,não somos de bajulações,de excessos,efusividade,não iremos abrir um sorriso qdo vc passar só pq você veio de São Paulo,sim e daí?prefirimos ser educados,objetivos e sinceros,até pela nossa história que se você for analisar direitinho é de um povo que sempre batalhou muito pela independência,um estado de revolucionários(isso não é saudosismo percambucano não,dá uma lida nos livros de história do Brasil),de pessoas sérias e que vêm a vida de uma maneira um pouco menos maleável do que a que você deve estar acostumado,aqui defendemos uma posição e cabou,ou seja,meias palavras não é nosso forte.Quanto a cidade,realmente,é dificil pra um paulistano encontrar aquele cabaré tropical que tanto procura,Recife é uma cidade com espigões até dizer chega,um cheiro de mangue e esgoto em alguns pontos,um trânsito caótico,que a cada dia que se passa tá mais,no centro da cidade,nas ruas do comércio made in china,há lixo na rua,panfletos,como em toda grande cidade,ou seja uma cidade que em certos pontos passa uma sensação de frieza e total indiferença ao turista,ou seja uma quiçá São Paulo em alucinada construção,com praia e placas dizendo “danger” tubarão,mas se foi exatamente isso que vc achou,sinto te dizer,mas vc não conheceu quase nada de Recife,não tem idéia de como essa cidade é surpeendente.Mas antes de sair por aí falando mal,vai procurar saber onde foi que se fundou a primeira assembléia legislativa da América do Sul,o teatro mais antigo do Brasil em funcionamento,onde foi o berço jurídico brasileiro,a primeira cidade das Américas a ter uma ponte,o maior bloco de rua do mundo,a 1º capital brasileira da cultura(Olinda,que deu luz a Recife,a cidade que têm o maior número de profissionais doutores no nordeste,que tem o maior e mais moderno pólo médico,perdendo apenas para São Paulo(não é à toa que o turismo médico tá em alta aqui),a igreja mais antiga do Brasil(Igarassu) na região metropolitana do Recife,o aeroporto mais moderno do norte-nordeste,um dos maiores e melhores shoppings do país(o shoping recife) e que nesses próximos dois anos também abrigará o novo,maior e mais moderno shopping do norte-nordeste(Riomar shopping),é a terra da construção civil,um estado que exporta tecnologia através do porto digital,um pólo consolidado no recife antigo,que concentra pra mais de cem empresas de TI,e ainda mais,é capital de um estado economicamente forte e que terá seu pib duplicado daqui há 10 anos devido á efervescência de Suape,porto brasileiro mais moderno que o de Santos e que perde por pouco em movimentação,ficando em 2ºlugar,o maior estaleiro do atlântico sul(o atlântico-sul),etc..etc..etc…Isso e pra você antes de julgar algo sem conhecimento suficiente,para,reflete,vê se é isso mesmo,pra não tá por aí falando bobagem,os problemas que vocês vivenciam aí no sudeste não são muito diferentes dos nossos meu caro,afinal,acho que estamos no mesmo país,Vc deve achar o máximo seu rio Tietê,sua marginal Pinheiros,sua av.paulista,25 de março,todos esses locais devem ser extremanente limpos e cheirosos como o centro de todas as nossas capitais,eita,se vc se referiu ao mal cheiro por conta do canal da agamenon,ali embora não pareça é centro expandido junto com a ilha do leite…e que concerteza um engarrafamento na agamenon não é tão fedorento quanto o de qualquer das marginais que vcs têm por aí!

    • Caro Edwin, obrigado pela visita e desculpe a demora em responder.

      Quanto ao post sobre Recife, coloquei os pontos positivos e negativos da cidade, como alguém que chegou ao local pela primeira vez. Foi minha impressão e, provavelmente, principalmente pelo simpático povo que comentou por aqui, dificilmente voltarei. Sei dos problemas de SP e, se você não leu apenas esse post, sabe que falo dos problemas de SP.

      Enfim, acho que essa baixa auto-estima nordestina chega a dar raiva, pois em nenhum momento cheguei a falar sobre comparações ou coisa do tipo.

      Enfim, é isso.

      Abraços e espero que volte.

    • Não sou de nem um canto nem de outro.. o que sei é que nada justifica o desrrespeito com aquele rio em recife ou qqer outro rio em qquer outro lugar..

      aquela água está aos poucos, corroendo os pilares daquelas pontes incriveis…

      Essas paricularidades que vc citou, não justifica tamanho descaso com a água em uma região Tão sofrida por questões de água e talz…

      Em São Paulo, no Recife.. todos ainda vão pagar um preço mto caro por tal descaso.

  30. Cara, tu és um muito mal educado. Você pode expressar sua opinião sendo mais sutil. Se você já fez críticas a muitas outras cidades, mas nunca recebeu tantos comentários negativos, saiba que o motivo é porque os recifenses (e os que adotaram o Recife – meu caso) amam esta cidade. E não vem com essa de “interpretação”, pois há certas coisas escritas como “A cidade inteira fede a esgoto e, por conta do excesso de propaganda e outdoor, há uma sensação de sujeira permanente” que não cabe outra interpretação. Eu nunca havia lido esse seu “bloguizinho”, entrei aqui por estar fazendo uma pesquisa no Google; e como ADORO o Recife e percebi que se tratava se um comentário a respeito da Cidade, resolvi ler. Mas pode ter certeza, você não merece nem que alguém se preste ao trabalho de ler suas idiotices. Ah, concordo plenamente com Eddy (Boston).

  31. Olá, Pessoal!
    Realmente cada estado tem seus atrativos, nossa cidade é histórica, comercial, turística… Nela há problemas como tantas outras, a questão a que percebo a ausência nessa discussão, é justamente o respeito as diferenças, precisamos mais do que tudo reconhecer os limites que temos e ainda as possibilidades de melhorias.
    Como recifense sinto-me no dever de pedir desculpas ao Marcos pela maneira pela qual alguns de nossos ‘irmãos’ o recepcionaram. Você os pegou num mal dia, seja mais tolerante nas cidades que passar como turista, verá que retornará a sua cidade natal muito mais feliz e com saudades do lugar que deixou para atrás. Desejo sorte e volte sempre. Não deixe que a primeira impressão fique marcada.
    Abraços
    Julya

    • Olá Julya, obrigado pela visita e desculpe a demora em responder.

      Realmente o debate por aqui anda caloroso. Fico feliz que tenha expressado suas ideias dentro de um mínimo de educação. heheheh

      Não sei se voltarei a Recife, acho difícil, mas não impossível. Pode ser que tenha sido um mau dia do povo, mas enfim. Não deixa de ser uma importante cidade brasileira.

      Abraços

  32. Hum, nao gostei do minimo de educação. Quanto preconceito heim? Muito dificil dialogar com pessoas iguais a você. Depois diz que ninguém está o compreendendo.
    A palavra tem uma força enorme, seja mais cauteloso ao escrever.
    Abraços!

  33. VCS DA PARTE DE CIMA DO BRASIL? COMO É?… SEGUINDO ESSA SUA INCRÍVEL COLOCAÇÃO, MELHOR SER A PARTE DE CIMA, QUE PENSA, QUE A PARTE DE BAIXO, QUE SÓ FALA E FAZ CAGADA

    ESSE TIPO DE PRECONCEITO É CRIME, VALE LEMBRAR!!
    MEU AMIGO, MEXER COM PERNAMBUCANO… ELE DÁ A PORRA PRA DEFENDER SEU POVO, SEU LUGAR, SUA CULTURA…

    TRABALHAMOS E MUITO, QUERIDJENHA… E ESTUDAMOS… PRA VC QUE NÃO SABE, RECIFE É UM DOS PÓLOS DE MAIOR PRODUÇÃO CIENTÍFICA DO PAÍS

  34. tu ia procurar carne no sul? kkkkkk Moro em Porto Alegre, amigo, e o que posso dizer é que sulista não gosta de “Sudestinos”… guria daqui não curte mineiro nem paulistinha

  35. Pessoal,

    Concordo com todos que criticaram minhas palavras e peço desculpas pelas besteiras que escrevi.
    Antes de ser crime, esse preconceito é mentiroso e idiota.

    Me desculpem.

  36. Fiquei com pena de vc que teve a oportunidade de vir a um lugar maravilhoso e por pura incompentencia nao soube aproveitar…Procurar praia em dia de chuva no nordeste é pura incompetencia…e vc sequer aproveitou a chuva para curtir nossos melhores museus, nossa culinária, nossa arquitetura e nossa música.
    De resto pura precipitação em colocar a cidade como um lugar que nao merece uma visita pq chovia e pq vc nao soube aproveitar

    • E você não leu o texto para entender que aproveitei o Centro Cultural. Se precisar de uma professora de interpretação de textos, posso indicar uma ótima.

      Quanto a respeitar a opinião alheia, isso infelizmente vem de berço e da educação que teve em casa e, creio eu, no seu caso não tem mais jeito.

      Beijos e obrigado pela visita.

  37. MARCOS PROXIMA VEZ VA COM DINHEIRO , VIAJAR SEM E MUITO RUIN , ENTENDO QUE VOCE VIVE EM SAO PAULO,MAIS CADA CIDADE TEM SUA BELEZA, VIVE NA CALIFIRNIA E AMOR RECIFE, TIRANDO OS POLITICOS E CLARO , VENEZA CHEIRA PIOR QUE RECIFE, SAO COLIAS DIFERENTE DE PERFUMES. ESPERO QUE DA PROXIMA VEZ ALGUEM DE RECIFE DE UM TUR COM VOCE , PRA VOCE SAIR COM MU IDEA MELHOR, E FICAR COPARANDO CIDADE NAO TEM GRAÇA CADA UMA TEM SUA BELEZA OU NAO TEM .

  38. só podia ser paulista, pra falar uma merda desse tamanho.

    Recife tem inúmeros museus de alto nível, tem parques ecológicos de altíssimo nível (Jaqueira por exemplo), tem praias lindas ao seu redor (Porto de Galinhas, Carneiros, Tamandaré, etc.), tem excelentes restaurantes (3ª pólo gastronômico do Brasil), tem boas festas, boates, excelentes hotéis, uma vida cultural efervescente,história, cultura, etc.

    o cara comparar Recife com GUARUJÁ… kkkkkkkkkkkkkkkkkk

    só faltava ele botar SANTOS no meio também, aquela praia movida a côcô e piches.

    • É isso aí Diogo, notei que você prestou atenção no texto e não reparou no meu comentário sobre o Centro. Enfim, Santos e Guarujá é uma merda também, mas o povo de Santos é mais educado e a cidade inteira não fede a merda o dia inteiro.

  39. Marcos concordo com voce fez criticas polidas sobre a cidade só não entendo porque o meu povo Pernambucano defendem tanto esta cidade largada pelos politicos que só pensam em encher os bolsos…Recife poderia sim ser uma grande metrópole com menos problemas , mas não é. Deus foi bom com Recife, mas ai vieram os politicos e acabaram com ela. Falta educação sabe Marcos e ai o povo não zela , não aprende > aqui não é como Curitiba que o povo tem educação em abundância…Mas nao fique chateado com o povo eles só querem defender esta cidade e sentem como uma ofensa pessoal só isso. Um abraço Fica na paz

  40. Erick
    Lindo não sei pq todos vcs quando alguem se refere mal de algum lugar querem malhar o RIO DE JANEIRO,ele esta se referindo a recife não do RJ.
    mais uma coisas digo com toda certeza recife e maravilhosoooooooooooooooo,amo recife, meu ideal de vida e um dia sair do rj e ir morar em recife
    gosto da minha cidade rj,mais amei recife.
    Marcos vc deveria ir novamente a recife,relaxar e curtir tudo de bom que a cidade tem para te oferecer.
    agora recife fede,rio de janeiro fede,sao paulo fede,o mundo todo ta fedendo rsrs….entao relaxe.

  41. Deixando as paixoes de lado, as raizes culturais de molho e analisando com o minimo de razão, que me perdoem o povo pernambucano; mas Recife é um esgoto a ceu aberto, uma cidade feia, de um povo feio com um sotaque horroroso (vice!). Depois do meu maravilhoso Rio de Janeiro, só a linda Salvador, cidade que me encantou. Bjs a todos, mas Recife nunca mais.

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