Um feriado de Chevy Chase – parte IV

Ok, só agora lembrei que ainda tem que terminar essa saga, e deixar as coisas inacabadas, cof, não é comigo (inserir ironia).

Domingo – 02/01/11

Já sabendo que o trânsito para sair de Praia Grande seria monstro (fato confirmado no sábado, quando todo mundo resolveu ir embora mais cedo por causa da chuva), resolvemos que iríamos embora bem cedo. Como desgraça pouca é bobagem, o temporal que caiu de madrugada isolou todas as cidades da Baixada, alagando as principais ruas de acesso de Santos, São Vicente, Praia Grande e Guarujá. Já vimos que o dia seria longo…

Lá para meio-dia, a água ainda não tinha baixado totalmente, então ficamos enrolando, jogando videogame e, aproveitamos que ainda estávamos na minha tia, e almoçamos.

Meio que batendo o desespero, acabamos indo embora às 16:30. Arriscamos ir direto para a rodoviária de Praia Grande, onde Lú e eu íamos ver como a coisa estava.

Numa cena que lembrava muito um apocalipse zumbi, várias pessoas amontoadas, estressadas, xingando e fedendo para cacete. Quando fui perguntar qual era o próximo ônibus para Sâo Paulo, surpresa, o vendedor disse que havia para 17:30. Smartão que eu sou, comprei duas na hora e fui lá me despedir da minha mãe, irmão e amigo que estavam de carro.

Óbvio que havíamos nos lascado. A fila de ônibus para acessar a rodoviária estava imensa e não era à toa. Havia um atraso de quase três horas em relação ao horário do bilhete. E, como o povo estava estressado, os ônibus nem entravam no recuo para embarque, com a galera subindo no meio da rua e, foda, sem os fiscais conferirem os bilhetes. Uma zona só.

O ápice foi quando um ônibus não entrou no recuo e a galera que esperava lá ficou possessa, indo bater no ônibus e xingar os fiscais, motorista, São Pedro, o papa e quem tivesse no caminho. Uma gorda, que estava revoltada e rodando a baiana com toda a educação recebida nas melhores estrebarias da Suíça, foi correndo para bater e xingar quem fosse da Breda, só que ela não percebeu que o asfalto com lama e limo estava bem molhada e escorregadio e… bem, já dá para imaginar a cena. Chorei de emoção.

Para colocar ordem na zona, a PM chegou e por pouco a porrada não come. Vendo a furada em que a gente tinha se metido, fui correndo no guichê, brigando e xingando meio mundo que furava a fila, ou reclamava que eu furava a fila, e peguei meu dinheiro de volta.

Na mesma hora, ligamos para o meu amigo falando numa boa:

– PelamordeDeustiraagentedaquiquetámaiorzonaeaborrachavaicantarlogologo.

Em meia hora, eles, que estavam presos em outro congestionamento, retornaram para nos salvar nos levar até a rodoviária de Santos, onde o caos podia estar mais organizado, com um povo mais civilizado.

Aí, amigos, entra parte dois desta história.

Meu irmão, vamos chamar de GPS humano, resolveu que ir pela rodovia Pedro Táxi Taques era bem mais rápido e que não pegaríamos tanto congestionamento. Meio ressabiado, mas sem muita moral, falei que era melhor encarar o caminho por Santos, já que ali sabíamos que pegaríamos congestionamento, mas saberíamos onde estávamos.

Fui voto vencido.

Pegamos o caminho oposto e seguimos em sentido a Pedro Taques. Detalhe que víamos como estava o caminho para a Padre Manoel da Nóbrega, onde havia uma fila quilométrica de ônibus, ou seja, se a gente ficasse na rodoviária, com certeza, chegaríamos em São Paulo na meia-noite. De terça.

E segue o caminho. A gente indo numa boa e, no sentido contrário, tudo parado. Uma placa avisando que Mongaguá estava a 10 km foi totalmente ignorada.

Passamos pelo acesso, totalmente paralisado, para a Imigrantes e chegamos a questionar se não era para entrar ali para pegar o caminho sugerido pelo GPS. Novamente, seguimos reto.

Mongaguá 5 Km.

Do outro lado, uma fila enorme que não andava e uma marginal que não era asfaltada e cheia de buraco e lama sendo desafiada por vans clandestinas e motoristas, metidos a esperto, sujando seus carros e ferrando com a suspensão.

Mongaguá 2 Km. Meu irmão GPS liga para minha tia.

Ao desligar e fazendo uma cara, digamos, engraçada. Ouvimos a explicação, vemos meu amigo/motorista dar uma suspirada do tipo “Se eu pudesse, matava mil” e entramos na primeira saída para tentar retornar. Voltamos pela marginal e chegamos ao trecho com lama e buracos. Meu amigo se recusa a seguir e voltamos. Sem saída, seguimos pela rodovia até o próximo retorno.

Bem-vindo a Mongaguá.

Muito trânsito e nada de carros andarem do outro lado.

Seguimos por dentro, onde pegaríamos a Presidente Kennedy, saindo rapidamente de Mongaguá. Apesar de até conseguir fugir do trânsito inicial, a coisa não durou muito e pegamos toda a lentidão indo pela avenida.

Ferrados, ferrados e meio. Resolvemos ir pela praia, onde o carro andava bem mais rápido, apesar do trânsito. Nisso, o GPS queria porque queria retornar e pegar o caminho inicial. Detalhe que meu outro irmão que estava de moto, e que havia ficado na minha tia, ficou de nos encontrar no meio do caminho.

Ele liga da primeira vez e pergunta onde estávamos. Respondemos que na Avenida da Praia.

“Que avenida da praia?”

Oras, na única que tem, a da praia.

“Mas qual?”

Só havia uma.

“Qual o nome?”

Poxa, a Avenida da Praia, acho que Castelo, só tem essa.

“Mas onde?”

Desligamos e seguimos caminho. Quando paramos para reabastecer, ele ligou de novo e falamos que estávamos no posto. Ele apareceu e disse que nos guiaria até a Pedro Taques. Quando dissemos que não iríamos por ali e, que sim, por Santos, ele seguiu seu caminho e foi embora, tal como Marvin resmungando da vida, do universo e tudo mais.

Como a Avenida Presidente Kennedy é grande para cacete, chegamos no trevo de Praia Grande, onde o caos do trânsito reinava. Para facilitar, os jênios agentes de trânsito fizeram uma puta zona, abrindo caminho para os ônibus, mas obrigando os carros a fazerem um desvio. Mas sem indicar para onde.

Quase voltamos para Mongaguá de novo. Entramos num monte de becos suspeitos e conseguimos retornar para o trevo. “Rapidamente” chegamos à Ponte Pênsil, nos livrando de todo aquele inferno.

Com todo mundo morrendo de fome, e já sem a mínima chance de pegar um ônibus que chegasse em São Paulo a tempo de pegar metrô (já eram 11 horas), decidimos parar num quiosque e comer alguma coisa. Bucho cheio, seguimos para o Guarujá, onde ainda levamos minha mãe e o GPS meu irmão no Perequê.

Nosso amigo, com toda a paciência que um dia Deus ou a Mega Sena irão recompensar, levou todos até o fim do mundo (fomos juntos para fazer companhia).

Depois, retornamos para Vicente de Carvalho, onde finalmente, uma da manhã, saímos do carro para esticar as pernas. Infelizmente, tínhamos que acordar 5 da manhã para retornar a São Paulo.

Segunda – 03/01/11

Embalando um dia no outro, para terminar essa série logo, acordamos (ou nem isso, já que não dormi direito) às 5 da manhã, correndo. Fomos para o ponto e, ao invés de seguir para a rodoviária de Guarujá, já que tínhamos tempo, resolvemos esperar o ônibus que seguiria direto para São Paulo.

Ele chegou às 6 em ponto e, por sorte, estava vazio. Quando fomos pagar a passagem para o motorista, ele falou que não vendia, para não ter risco das passagens terem se esgotado na agência de Vicente de Carvalho e causar uma espécie de overbooking.

Gelamos.

Dito e feito, chegando na Praça 14 Bis, não havia mais lugar no ônibus. Sem escolha, já que o próximo era apenas às 8 da manhã, seguimos para Santos.

Debaixo de chuva, andamos até a estação das barcas (uns 15 minutos) e atravessamos o estuário. Do outro lado, já em Santos, fomos até a rodoviária de Santos e, após ver os horários esgotados, arrumamos um salvador.

Num ônibus para lá de desconfortável, encaramos trânsito na serra e, finalmente, chegamos em São Paulo. Já atrasado para chegar ao trabalho.

Despedi-me do meu amor, que estava bem cansada, e segui para o trabalho.

Num saldo geral, o ano novo foi bem legal, já que não há coisa melhor do que estar com a família, os amigos e a pessoa que ama, mas te falar, meus queridos 6 leitores, que nunca mais encaro tamanho stress.

Pelo menos até o próximo feriado.

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